Trabalho e a saúde do trabalhador


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Mudanças sociais, econômicas, tecnológicas alteram a vida e o cotidiano das pessoas e também o trabalho1. Pode-se afirmar que sempre existiu uma estreita relação entre homem, trabalho e sociedade. Sempre foi do seu trabalho que o homem sobreviveu e a sociedade progrediu, mas desde os primórdios, o dia-a-dia no ambiente de trabalho não pára de mudar. No entanto, é na sociedade industrial que ocorrem mudanças significativas no mundo do trabalho. De acordo com Arruda, em meados do século XIX, com a crise do sistema feudal e a Revolução Industrial houve a consolidação de produção capitalista, pela qual, se caracteriza, dentre outros fenômenos, pela perda dos meios de produção pelos trabalhadores, a substituição das ferramentas manuais pelas máquinas e da energia humana pela mecânica. Após a segunda Guerra Mundial, ocorre o desenvolvimento de uma nova tecnologia industrial e de novos equipamentos, de novos processos industriais e a síntese de novos produtos químicos, estabelecendo cada vez mais uma inequívoca relação entre trabalho e saúde do trabalhador, dada às várias cargas físicas, químicas, biológicas, mecânicas, fisiológicas e psíquicas às quais fica submetido diariamente.

Essas transformações influenciam, sem dúvida, os serviços de saúde que assistem os trabalhadores e passam a preocupar a sociedade, o Estado e as empresas, dados os altos custos econômicos e sociais gerados pelas doenças ocupacionais, bem como os riscos à saúde física e psíquica do trabalhador.

Hoje há um progressivo aumento da mecanização e automação, com a adoção de serviços informatizados, envelhecimento da população trabalhadora, alterações nos hábitos e vida das pessoas, além aumento progressivo do trabalho feminino. Essas transformações evidenciam um novo paradigma de organização das relações econômicas, sociais e políticas1. A evolução tecnológica está presente em todas as esferas da produção, provocando alterações substantivas nas configurações industriais, nos padrões tecnológicos e no perfil das organizações. O mundo do trabalho encontra-se, portanto, sob um processo de reestruturação produtiva e organizacional estabelecendo novos cenários produtivos. Essa reestruturação pode ser identificada pela transformação das estruturas e estratégias empresariais, que alteram as formas de organização, gestão e controle do trabalho, que resultam em novas formas de competitividade, com repercussões no âmbito administrativo e operacional. Elas se manifestam pelas alterações na natureza do trabalho, inclusive aumentando a sua densidade, o ritmo e a ampliação da jornada de trabalho; na co-habitação da “velha” organização do trabalho com tecnologias gerenciais supostamente "modernizadoras".

Pode-se afirmar que o avanço tecnológico foi benéfico no que se refere ao aumento da produtividade, segurança, melhoria da qualidade dos produtos e facilidade na execução dos serviços, no entanto, por outro lado, o trabalhador ficou sujeito às diversas conseqüências do no uso de tais ferramentas. Os movimentos repetitivos, no qual o trabalhador utiliza sempre os mesmos segmentos corporais contribuiu para o aumento das doenças do trabalho, específicas em cada categoria profissional, agravadas pelo sedentarismo, estresse e sobrecarga de atividade3.

As lombalgias, ou doenças da lombar são uma dessas lesões. As exigências físicas do trabalho são um fator de risco de lombalgia como, por exemplo, movimentação e levantamento de cargas, postura incorreta etc. Uma das atividades propícias para o aparecimento das lombalgias são aquelas desenvolvidas em escritórios. Neles, as pessoas passam grande parte do tempo sentadas, com a atenção e concentração voltadas à suas atividades e assumem uma postura corporal que prejudica a saúde. O aumento das lombalgias durante o trabalho em escritórios deve-se a vários fatores, como o uso do microcomputador com a postura incorreta, durante o tempo em que se está sentado, cadeiras ergonomicamente inadequadas e esteticamente imperfeitas ou mesmo falta de prevenção e pausas adequadas ao exercício das atividades profissionais.

De acordo com Iida2, o assento é provavelmente uma das invenções que mais contribui para modificar o comportamento humano. De fato, segundo o autor, a espécie humana, homo sapiens, já deixou de ser um animal ereto, homo eretus, para se tornar um homo sedam. As tecnologias do mundo moderno provocaram substantivas mudanças no comportamento humano, tornando o homem mais estático e sedentário. Essas mudanças estão provocando um enfraquecimento da estrutura sustentadora do homem, o que leva a uma grande sobrecarga, principalmente na coluna.

Vários dos problemas que afetam a realidade do trabalhador de escritório e causam as lombalgias podem ser evitados. No entanto, antes de proceder à discussão sobre a prevenção ergonômica em trabalhadores de escritório, faz-se necessária a definição das lombalgias.

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