Ao longo dos anos, os pesquisadores em saúde tem estudado a relação entre os trabalhadores e suas profissões em relação à saúde dos mesm...

Ginástica Laboral para Dentistas



Ao longo dos anos, os pesquisadores em saúde tem estudado a relação entre os trabalhadores e suas profissões em relação à saúde dos mesmos. Pesquisas mostram que houve um aumento significativo de doenças ocupacionais em todas as áreas, como engenharia, construção civil, escritórios, inclusive na própria medicina. Com os cirurgiões-dentistas (CD) não seria diferente. Os locais mais afetados nesses profissionais são os membros superiores e a coluna vertebral, afetando sua capacidade funcional, pois permanecem na mesma postura por um período de tempo, realizando alguns exercícios repetitivos, além do esforço estático excessivo do aparelho musculoesquelético1.

Os cirurgiões-dentistas, durante suas atividades, são constantemente acometidos pela adversidade do trabalho, decorrentes de grande desgaste físico como conseqüência da postura de trabalho2.

Saquy3 afirma que, para prevenir as doenças ocupacionais causadas por agentes mecânicos, é importante que o cirurgião-dentista conheça dois pontos. O primeiro é a escolha do equipamento e o segundo refere-se à ergonomia correta da posição de trabalho do profissional.

Couto4 estabeleceu algumas regras básicas de ergonomia para organização biomecânica de trabalho: 1) O corpo deve trabalhar com torque zero; 2) deve-se escolher a melhor postura para se trabalhar de acordo com a exigência da tarefa; 3) as bancadas de trabalho devem ser estruturadas contanto que o corpo trabalhe na posição vertical, sem curvar o tronco e evitando a elevação dos membros superiores; e 4) eliminar os esforços estáticos.

A postura adequada é aquela que o individuo em posição ortostática, existe pequeno esforço da musculatura e dos ligamentos para manter-se nesta posição, de tal modo que seja facilitado o equilíbrio estático5.

As Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são os nomes dados às afecções de músculos, de tendões, de sinóvias, de nervos, de fáscias e de ligamentos, isoladas ou combinadas, com ou sem degeneração de tecidos. Elas atingem principalmente os membros superiores, a região escapular e a região cervical. Tem origem ocupacional, decorrendo, do uso excessivo e repetido da musculatura supracitada e da manutenção de postura inadequada6.

Merlo7 completa que as LER/DORT abrangem quadros clínicos caracterizados pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, tais como dor, parestesia, sensação de peso e de fadiga. Freqüentemente são causas da incapacidade laboral temporária ou permanente.

Os fatores de risco das DORT podem ser agrupados da seguinte forma: frio; vibração e pressões mecânicas localizadas nos tecidos; grau de adequação do posto de trabalho à zona de atenção e à visão; posturas inadequadas; carga musculoesquelética; carga estática; invariabilidade da tarefa; exigências cognitivas, fatores organizacionais e psicossociais ligados ao trabalho e sem as pausas necessárias entre um paciente e outro8. Os outros fatores de risco ocupacionais associados ao aparecimento das desordens musculoesqueléticas podem estar relacionados com o ambiente físico, com os fatores biomecânicos (equipamentos e mobiliário do posto de trabalho), com os fatores organizacionais (a forma de organização do trabalho) e os fatores psicossociais (ambiente psíquico, social e de relações no trabalho)1.

Segundo Oliveira9 e Regis Filho10 as LER/DORT que mais acometem os C.D. serão identificadas abaixo:

a) Tendinite: Inflamação do tecido próprio dos tendões, com ou sem degeneração de suas fibras. Termo aplicável a todo e qualquer processo inflamatório dos tendões; em qualquer local do corpo.

b) Epicondilites: São provocadas por ruptura ou estiramento dos pontos de inserção dos músculos flexores ou extensores do carpo no cotovelo, ocasionando processo inflamatório local que atinge tendões, fáscias musculares, músculos e tecidos sinoviais.

c) Bursites: Inflamação aguda ou crônica do saco preenchido por líquido debaixo dos tendões (bursa). A mais acometida é a nos ombros, podendo também com freqüência acometer os cotovelos, quadris, joelhos e os pés.

d) Tendinite do supra-espinhoso e biciptal: As tendinites da bainha dos músculos rotadores, especialmente do tendão supra-espinhoso e as tendinites do tendão biciptal, formam a grande maioria das incapacidades dos tecidos moles em torno da articulação do ombro.

e) Síndrome do túnel do carpo: ocorre pela compressão do nervo mediano ao nível do carpo, pelo ligamento anular do carpo, que se apresenta muito espessado e enrijecido, por fascíte desse ligamento.

f) Síndrome cervical: é devida à degeneração do disco cervical e de uma combinação de hereditariedade e causas ambientais, existindo alterações do forame intervertebral ou do canal espinhal ou artérias vertebrais.

g) Síndrome do desfiladeiro torácico: é devida à compressão do plexo braquial em sua passagem pelo chamado desfiladeiro torácico. Pode-se manifestar em trabalhadores que permanecem muito tempo sentados ou em pé, em uma posição desconfortável e errada (vícios posturais).

Define-se Ginástica Laboral (GL) como sendo o conjunto de alongamentos e exercícios físicos orientados durante o horário do expediente, objetivando benefícios individuais no trabalho. Seu objetivo consiste em minimizar os impactos negativos advindos da rotina trabalhista e do sedentarismo na vida e na saúde do trabalhador11.

A GL é uma seqüência de exercícios diários que visam normalizar capacidades e funções corporais para o desenvolvimento do trabalho, diminuindo a possibilidade de comprometimentos da integridade do corpo12.

A GL pode ser preparatória e compensatória, consistindo em exercícios específicos, realizados no próprio local de trabalho, atuando na prevenção e de forma terapêutica. Leve e de curta duração, a GL visa diminuir o número de acidentes de trabalho, prevenir doenças originadas por esforços repetitivos, prevenir a fadiga muscular, corrigir vícios posturais, aumentar a disposição do funcionário, ao iniciar e retornar ao trabalho, promover maior integração no ambiente de trabalho e maior e melhor produção para a empresa13.

Assim, o propósito deste estudo foi identificar as LER.e DORT dos cirurgiões-dentistas em seu ambiente de trabalho e mostrar como é importante e necessária a implantação da ginástica laboral nos consultórios dentários.

MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado por meio de pesquisa às bases de dados Lilacs, Scielo, Medline, Pubmed compreendendo o período de 1993 a 2009, além de sites eletrônicos, livros e dissertações. Os critérios de seleção dos artigos científicos foram os que apresentavam alguma intervenção envolvendo a fisioterapia e a ergonomia. Também foram utilizados artigos sobre ginástica laboral, qualidade de vida, saúde do trabalhador e fisioterapia do trabalho.

Foram excluídos os artigos que relatavam outras intervenções, os que não tinham aplicação fisioterapêutica, que não tinham o resultado desejado e que não eram claros.

RESULTADOS

Segundo Santos Filho & Barreto14, os profissionais de odontologia estão entre os primeiros lugares em afastamentos do trabalho por incapacidade temporária ou permanente, respondendo por cerca de 30% das causas de abandono prematuro da profissão, sendo que a maioria dos quadros descritos pode ser enquadrada entre as DORT.

Miranda e cols.15 concordam que, por mais que os movimentos repetitivos leves estejam entre as principais causas da DORT, o esforço músculo-esquelético da postura estática, às vezes imperceptível, porém permanente, é exigido pelos membros superiores, obrigados a se manterem contraídos enquanto o trabalho é realizado nas posições sentada ou de pé, explicaria a multiplicidade das partes e segmentos atingidos e o comprometimento freqüente desses membros de ambos os lados.

Segundo Zilli16, a GL pode gerar vários benefícios fisiológicos, tais como: aumento da circulação sangüínea e da oxigenação muscular; melhora da amplitude articular e da flexibilidade; melhora da postura; redução das tensões musculares; prevenção de lesões musculotendinosas e ligamentares; melhora do ânimo e disposição para o trabalho; correção de vícios posturais; relaxamento da musculatura após o trabalho; melhora da respiração diafragmática; desenvolvimento da consciência corporal; entre outros.

Pinto 17 realizou um estudo com CD e esses profissionais relataram que a GL proporcionou alguns benefícios importantes para o desenvolvimento de suas atividades, tais como: maior consciência de hábitos posturais ergonômicos durante o trabalho; melhora no rendimento profissional; importância da realização da ginástica laboral entre um atendimento e outro, sendo favoráveis a sua continuidade; mais disposição para o trabalho; capacidade para identificar as postura que mais sobrecarregam os músculos e articulações e, dessa forma, evitá-las; importância de realizar trocas de postura durante os atendimentos, buscando evitar o posicionamento estático e, conseqüentemente, a fadiga muscular.

Pinto17 relata em seu estudo que após a 14ª sessão, três dos quatro participantes referiram diminuição do desconforto físico, fadiga muscular, redução da dor, melhora da postura e principalmente, conscientização corporal após a implantação da ginástica laboral em cirurgiões-dentistas da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.

A ergonomia quando aplicada a odontologia tem por objetivo a racionalização do atendimento, permitindo que o profissional produza melhor, evitando a fadiga e o desgaste desnecessários e, ao mesmo tempo, oferecendo segurança e conforto ao paciente18.

DISCUSSÃO

As definições LER e as DORT são usadas para caracterizar alterações musculoesqueléticas do pescoço, dorso e membros superiores. Suas causas estão intimamente ligadas à realização de tarefas ocupacionais e às condições de trabalho. Os sinais e sintomas atingem músculos, tendões, ligamentos, vasos, nervos e articulações. As regiões que podem ser acometidas são: dedos, punhos, antebraços, cotovelos, braços, ombros, pescoço e dorso. Entretanto, a denominação pode ser utilizada somente quando a causa está relacionada às condições de trabalho19.

Para Trindade20, o uso excessivo e inadequado dos membros superiores é a maior causa de lesões nos ombros e nas mãos. O desenvolvimento de dores e distúrbios inflamatórios nesses membros associa-se, constantemente, a posição dos punhos e das mãos, fixação de posturas por longo tempo de forma isométrica, desvios de punho, realização de movimento em pinça com os dedos, elevação dos ombros, braços tensionados, além da combinação da aplicação de forças elevadas e alta repetitividade.

Para Kuorinka8 os fatores de risco são frio, vibração e pressão mecânicas, postura inadequada, cargas estática e musculoesquelética, exigência de tarefas, fatores organizacionais e psicossociais.
Moreira21 mostrou em um estudo caso-controle que os fatores de risco são: divisão de tarefas insatisfatórias, concentração de atividade excessiva, acúmulo de divisão de tarefas, atividades de crescimento profissional e ocupação total de carga horária durante a jornada de trabalho. Medeiros22 completa que os fatores de proteção são: pausas durante o trabalho, compatibilidade entre o cargo e o maior nível de formação, retorno da chefia quanto ao desempenho e realização profissional.

Aplicada de forma diversificada, criativa e principalmente, conduzida por profissionais competentes, a GL. é uma forma eficaz, e até divertida, de levar os trabalhadores à conscientização da importância da prática da atividade física, além de bons hábitos de saúde, tanto no lazer quanto no trabalho. O atendimento para pessoas portadoras de LER/DORT é imprescindível nas empresas que enfrentam tais problemas. A informação contínua, através de jornais internos, cartazes, e-mail, entre outros meios de comunicação dentro da empresa, é de fundamental importância para a mudança de comportamento dos trabalhadores e valorização da GL23. Também se pode trabalhar o relacionamento inter e intra pessoal e social avançando um pouco mais, despertando no homem valores que estão sendo deixados de lado, como a importância da espiritualidade, independente da religião adotada para este fim11.

A atividade física durante a jornada de trabalho tem a importante tarefa de prevenção das doenças ocupacionais, assim como do sedentarismo. O bom estado físico do trabalhador garante eficiência na sua profissão, além de reduzir os riscos de invalidez decorrente do oficio ou de se aposentarem precocemente em razão das doenças degenerativas e incapacitantes24.

A significatividade das patologias agrupadas como LER/DORT atinge cerca de 25% da população trabalhadora nas estatísticas oficiais e a possibilidade de construção de propostas para as doenças ocupacionais, ensejam a prioridade conferida a estas patologias25. Ulbrich26 relata que é de fundamental importância a posição do dentista em relação ao paciente, devendo estar numa posição horizontal, para que o CD possa obter uma visibilidade ideal do campo operatório, adotando uma postura que propicie maior rendimento e menor desgaste físico. Nesta situação, a altura da cadeira do paciente deve ser ajustada de acordo com a estatura do profissional, de tal forma que a distância entre os olhos do dentista e a boca do paciente seja em torno de 30 a 40 cm, a coluna vertebral esteja centralizada sobre a base do mocho e a cabeça ligeiramente inclinada para baixo e para frente.

Para Castro & Figlioli27 é de fundamental importância o conhecimento ergonômico e a aplicação da GL em CD, quanto ao risco de adquirir doenças profissionais, devido às más posturas, para se obter a simplificação do trabalho, a prevenção da fadiga e o maior conforto, tanto para a equipe quanto para o paciente, ou seja, poder proporcionar uma odontologia de melhor qualidade.

Melhorias no desempenho, na motivação e na satisfação da equipe prestadora de atendimento odontológico podem ser obtidas com a aplicação de princípios de ergonomia dos equipamentos e do consultório odontológico como um todo28-29. Quando a ergonomia é aplicada nos consultórios dentários, o profissional tem maior probabilidade de estar satisfeito e motivado para exercer suas atividades, pois este obterá maior produtividade com menos tensão e menor desgaste e, conseqüentemente, ter mais rendimento no seu trabalho30 -31.

Entretanto, para Oliveira32 o conceito de movimentos repetitivos ou posturas prolongadas que causam lesões não tem suporte científico. Os sintomas dolorosos e sensitivos apresentados pelos pacientes são melhor explicados como um fenômeno psicológico e psicossocial, como infelicidade, insatisfação e desadaptação no trabalho e desejo e pressão de se obter benefícios. O conceito de lesões por esforços repetitivos é iatrogênico e de custo elevado para a sociedade, devendo ser abandonado.

CONCLUSÃO

Há algumas décadas atrás, os dentistas ficavam na posição de pé para atender seus pacientes. Passavam longas horas desta maneira sem se preocupar com o seu próprio bem estar. Com a modernidade, esses profissionais ganharam novos equipamentos para ter mais conforto em seus atendimentos. Porém, os cirurgiões-dentistas acabaram se tornando vítimas das LER/DORT por permanecerem por longo tempo na mesma posição para melhor visualizar o seu paciente causando, desta forma, má postura, tensões musculares e inflamações articulares. A ginástica laboral e a ergonomia, desde quando foram implantadas no Brasil, vem trazendo muitos benefícios aos trabalhadores quando inseridas em seu local de trabalho. As pausas entre um paciente e outro tornam-se eficazes para a prevenção das patologias relacionadas ao grupo das LER/DORT. Estando estes profissionais motivados e satisfeitos, estarão também desenvolvendo o seu trabalho com mais qualidade, fechando o círculo de satisfação completa com a carreira escolhida. 

REFERÊNCIAS

1. ROCHA, L. E.; FERREIRA JUNIOR, M. Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. In: JUNIOR, M. F. Saúde e Trabalho: temas básicos para o profissional que cuida da saúde dos trabalhadores. São Paulo: Roca,. cap. 11, p. 286-319, 2000.

2. GARBIN, A. J. I.; GARBIN, C. A. S.; Ferreira, N. F.; SALIBA, M. T. A.  Ergonomia e o cirurgião-dentista: uma avaliação do atendimento clínico usando análise de filmagem. Revista de odontologia e ciência. v. 23, n. 2, 130-133, 2008.

3. SAQUY, P.C., CRUZ FILHO, A.M., SOUSA NETO, M.D., PÉCORA, J.D. A ergonomia e as doenças ocupacionais do cirurgião dentista. Parte 2 - a ergonomia e os agentes mecânicos. ROBRAC. v. 2, 14-19, 1996.

4. COUTO, H. A. Ergonomia aplicada ao trabalho: manual técnico da máquina humana. Belo Horizonte. ERGO. v. 1, p. 353, 1995.

5. CARNEIRO, J.A.O.; SOUZA, L.M.; MUNARO, H.L.R. Predominância de desvios posturais em estudantes de educação física da universidade estadual do sudoeste da Bahia. Revista Saúde.com. v. 1, n. 2, 118-123, 2005.

6. OLIVEIRA, J.R.G. A importância da ginástica laboral na prevenção de doenças ocupacionais. Revista de Educação Física.  Sorriso-MT. v.139, 40-49, 2007.

7. MERLO, A. R. C.; JACQUES, M. F. C.; HOEFEL, M. G .L., Trabalho de grupo com portadores de LER/DORT: Relato de Experiência. Psicologia: Reflexão e Crítica., v. 14, n. 1, 253-258, 2001.

8. KUORINKA, I.; FORCIER, L. Work related musculoskeletal disorders: a reference book for prevention. London: Taylor & Francis,. Cap. 5. p. 213-245, 1995.

9. OLIVEIRA, J. R. G. A Prática da Ginástica Laboral. 1a ed., Rio de Janeiro: Sprint, 2002.

10. RÉGIS FILHO, G. I. Lesões por Esforços Repetitivos em Cirurgiões-Dentistas: Aspectos Epidemiológicos, Biomecânicos e Clínicos - Uma Abordagem Ergonômica. Doutorado em Empreendedorismo. Florianópolis: UFSC, 2000.

11. ALVAREZ, B. R. O papel da ginástica laboral nos programas de promoção de saúde. In: Congresso Brasileiro de Atividade Física. Florianópolis. UFSC, 17-18, 2001.

12. BAÚ, L. M. S. Fisioterapia do Trabalho: Ergonomia - Legislação - Reabilitação. 1a ed. Curitiba: Clã do Silva, 2002.

13. MARTINS, C. O.; DUARTE, M. F. S. Efeitos da ginástica laboral em servidores da reitoria da UFSC. Revista Brasileira Ciência e Movimento. Brasília. v. 8, n. 4, 07-13, 2000.

14. SANTOS FILHO, S. B. & BARRETO, S. M. Atividade Ocupacional e Prevalência de Dor Osteomuscular em Cirurgiões-Dentistas de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: contribuição ao debate sobre os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Caderno de Saúde Pública, v. 17, n. 1, Rio de Janeiro, jan/fev, 2001.

15. MIRANDA, T. E. C., FREITAS, V. R. P., PEREIRA, E. R. Equipamento de Apoio para Membros Superiores – Uma nova proposta Ergonômica. Revista Brasileira de Odontologia. v. 59, n. 5, set/out., 2002.

16. ZILLI, C. M. Manual de Cinesioterapia/Ginástica Laboral – Uma Tarefa Interdisciplinar com Ação Multiprofissional. 1a ed. São Paulo: Lovise, 2002.

17. PINTO, A. C. C. S. Ginástica laboral aplicada à saúde do cirurgião-dentista: um estudo de caso na Secretaria Municipal de Saúde de Santa Catarina. Dissertação de mestrado em Engenharia da Produção – Programa de Pós Graduação em Engenharia da Produção, Universidade Federal de Florianópolis, 2003.

18. RIO, L.M., RIO, R.P. Manual de ergonomia odontológica. Belo Horizonte: Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais; 2000.

19. SANTANA, E. J. B., ROCHA, L. E. F. L., CALMON, T. R. V., ALVES, I. L. Estudo Epidemiológico de Lesões por Esforços Repetitivos em Cirurgiões-Dentistas em Salvador-Bahia. Revista da Faculdade de Odontologia da UFBA, v.17, 59-63, 1998.

20. TRINDADE, J. L. A. Biossegurança e os Riscos Ergonômicos em Relação à Mecânica Corporal do Profissional da Saúde. Textura, Revista da Universidade Luterana do Brasil. Canoas: ULBRA, nº4, 2001.

21. MOREIRA, A.M.R, Mendes R. Fatores de risco dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho de enfermagem. Revista de Enfermagem da UERJ. v. 13, n. 1, 19-26, 2005.

22. MEDEIROS, U. V.; RIUL, F. Riscos ocupacionais do cirurgião-dentista e sua prevenção. Revista Paulista de Odontologia, v. 16, n. 6, 34-43, 1994.

23. OLIVEIRA, J. R. G. A importância da ginástica laboral na prevenção de doenças ocupacionais. Revista de Educação Física. v. 139, 40-49, 2007.

24. SHARKEY, B. J. Condicionamento físico e saúde. Porto Alegre, Artes Médicas Sul Ltda. 1998.

25. FEUERSTEIN, M. Multidisciplinary rehabilitation of chronic work-related upper extremity disorders. Journal of Occupational Medicine. v. 35, n. 4, 396-403, 1993.

26. ULBRICHT, C. Considerações Ergonômicas Sobre a Atividade de Trabalho de um Cirurgião-Dentista: Um Enfoque Sobre as LER/DORT. Dissertação de Mestrado em Ergonomia. Florianópolis: UFSC, 2000.

27. CASTRO, S. L., FIGLIOLI, M. D. Ergonomia aplicada à dentística: avaliação da postura e posições de trabalho do cirurgião-dentista destro e da auxiliar odontológica em procedimentos restauradores. Jornal Brasileiro de Clínica & Estética em Odontologia. v.3, n. 14, 1999.

28. VASCOCELLOS, I.C. Estresse profissional. Revista Brasileira de Odontologia. v. 59, 6-7, 2002.

29. FOX, J.G.; JONES, J.M. Occupational stress in dental practice. Br Dental Journal.; v. 123, 465-473, 1997.

30. BARRETO, H.J. Como prevenir as lesões mais comuns do cirurgião-dentista. Revista Brasileira de Odontologia. v. 58, 6-7, 2001.

31. MEDEIROS, U. V.; SOUZA, M. I. C.; BASTOS, L. F.. Odontologia do trabalho: riscos ocupacionais do cirurgião-dentista. Revista Brasileira de Odontologia. v. 60, n. 4, 277-280, 2003.

32. OLIVEIRA, J. T. LER - LESÃO por esforços repetitivos. Um conceito falho e prejudicial. Arquivo de Neuropsiquiatria. v. 57, n. 1, 126-131, 1999.


TITULO ORIGINAL: A LER e DORT em Cirurgiões Dentistas e a Importância da Ginástica Laboral para esses Profissionais
Autor(es): Lívia Lodi Rodrigues

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Através deste vídeo desejo que de forma bem humorada possam compreender um pouco sobre seus direitos e que visualizem o que redige a NR17...

Video: Normas Regulamentadoras (Saúde e segurança no trabalho)


Através deste vídeo desejo que de forma bem humorada possam compreender um pouco sobre seus direitos e que visualizem o que redige a NR17 que é uma norma que especifica quais são as condições mínimas de conforto físico e mental que uma empresa deve oferecer para não prejudicar a saúde do seu funcionário.

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No âmbito do trabalho, o relacionamento com outras pessoas é uma fonte de estresse; e neste sentido, aparece em meados da década de 70 o...

Artigo: Abordagem da Ergonomia na Síndrome de Burnout



No âmbito do trabalho, o relacionamento com outras pessoas é uma fonte de estresse; e neste sentido, aparece em meados da década de 70 o termo Burnout, que no sentido literal significa "estar esgotado" ou "queimado" (PEREIRA, 2002).

Dessa forma, a Síndrome de Burnout (SB) e o estresse são fenômenos que expressam sua relevância na saúde do indivíduo e do ambiente de trabalho (MUROFUSE. et a.l., 2005)

Apesar de divulgada desde a década de 70, a doença é pouco conhecida no Brasil e há poucos trabalhos realizados sobre essa doença, a mesma se instala de maneira silenciosa e progressiva (GARCIA, 2003). Conforme Odorizzi (1995) e Matamoros (1997), os principais sintomas da SB são os comprometimentos físicos, psíquicos, emocionais e comportamentais, cujos fatores desencadeantes dessa síndrome são os fatores: extrínsecos os que contribuem para a geração de sentimentos de descontentamento no trabalho e nas razões externas em que se incluem salários, relações interpessoais; e nos fatores intrínsecos como realização, reconhecimento, o trabalho em si, responsabilidade, progressão na carreira e possibilidade de desenvolver os fatores inerentes ao conteúdo do trabalho (CARVALHO, 2002; RAMÍREZ, 2001).

Quando o ambiente de trabalho favorece o aparecimento da SB, observa-se maior rotatividade de funcionários dentro das empresas, absenteísmo, queda da qualidade e produtividade, incremento de licenças por problemas de saúde, baixa moral dos trabalhadores, o "desligamento psicológico", dentre outras incidências (GARCIA,  2003).

Em face disso, a intervenção ergonômica proporciona a prevenção e tratamento da SB, abordando os aspectos do trabalho, relacionamento do homem com seu ambiente de trabalho e sua humanização; sendo obtida pela adaptação das condições laborais através de medidas antropométricas e técnicas que trabalham o relaxamento dinâmico por meio da reeducação da postura global (BARREIRA, 1989). }

O presente trabalho tem como propósito investigar acerca da intervenção da ergonomia, pode contribuir um maior embasamento científico sobre essa patologia.

MÉTODOS


O presente trabalho foi desenvolvido a partir de teses de doutorado, dissertações de mestrado e artigos científicos indexados, coletados em bibliotecas virtuais (BIREME/ MEDLINE/ LILACS/ SCIELO), periódicos e revistas científicas. Foi realizada uma busca refinada com a finalidade de selecionar artigos indexados relacionados à saúde do trabalhador mediante a presença dos descritores de ergonomia e Síndrome de Burnout nas palavras chave do registro.

ASPECTOS GERAIS E PSICOSSOCIAIS DA SÍNDROME DE BURNOUT NA SAÚDE DO TRABALHADOR


Burnoutconsiste em uma expressão inglesa para designar aquilo que deixou de funcionar por exaustão de energia e foi utilizada inicialmente por Brandley em 1969, mas tornou-se mundialmente conhecida a partir dos estudos de Freudenberger em 1974, que define a SB como um estado relacionado com experiência de esgotamento, decepção e perda do interesse pela atividade do trabalho que surge em profissionais que trabalham em contato direto com pessoas na prestação de serviços como uma conseqüência deste contato freqüente no trabalho (ALBALADEJO, 2004; BORGES, 2002; SILVA & CARLOTTO, 2003; JIMENEZ & PUENTE,  2002). Os profissionais cujo serviço exige um contato direto com outras pessoas apresentam maior propensão a SB; cuja definição dessa síndrome surgiu para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações. (VOLPATO, 2003).Amorim. et. al. (1998) acrescentam ainda, que alguns pesquisadores realizaram propostas de delimitação conceitual e assim estabeleceram procedimentos e critérios para o diagnóstico diferencial. Pines. et al. (1981), correlacionaram a fadiga emocional, física e mental, sentimentos de impotência e inutilidade, falta de entusiasmo pelo trabalho, pela vida em geral e baixa auto-estima a estados que combinam com esta síndrome.

A definição mais aceita do Burnouté a fundamentada na perspectiva social-psicológica de Maslach e colaboradores, sendo esta constituída de três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho (CARLOTTO, 2002; MARTINEZ, 1997;  MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
 

A SB constitui-se num fenômeno multidimensional caracterizado pelas seguintes dimensões:

a) Exaustão emocional: pode ser entendida pela situação na qual os trabalhadores sentem que não podem se entregar mais é uma situação de esgotamento da energia dos recursos emocionais próprios, uma experiência de estar emocionalmente desgastado devido ao contato diário com pessoas com as quais necessitam se relacionar em função de seu trabalho.

b) Despersonalização: defini-se como o desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de distanciamento para as pessoas destinatárias do trabalho.

c) Baixa realização profissional: faz com que os trabalhadores se sintam descontentes consigo mesmos e insatisfeitos com os resultados de seu trabalho (PEREIRA, 2002; SILVA, 2003).

Maslach e Jackson (1981) ressaltam que a SB está estritamente ligada aos profissionais de saúde, que perdiam então, o interesse, empatia e o próprio respeito por seus pacientes (PEREIRA, 2002).

Vale salientar, que a SB é uma experiência subjetiva, que agrupa sentimentos e atitudes implicando alterações, problemas e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para o ambiente de trabalho, sendo que esta afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo (AMORIM & TURBAY, 1998). Por isso, é necessário um estudo também filosófico onde se explicita a natureza humana e, principalmente, as dinâmicas interpessoais que possam interferir no desempenho e produtividade no trabalho (PEREIRA, 2002).

No plano das relações interpessoais, quando estas são tensas, conturbadas e prolongadas, tem-se a tendência de aumentar os sintomas da SB (AMORIM & TURBAY, 1998).

Assim, mesmo com a falta de apoio no trabalho por parte dos companheiros e supervisores, da direção, ou da administração e os conflitos interpessoais com as pessoas que se atende ou seus familiares, são fenômenos característicos destas profissões que aumentam também os sintomas (PEREIRA, 2002).

Os fatores que desencadeantes do estresse no ambiente de trabalho são: ruído, iluminação, temperatura, higiene, intoxicação, clima, disposição do espaço físico para o trabalho, o trabalho noturno, a sobrecarga de trabalho, a exposição a riscos e perigos, os principais sintomas da SB são os fatores: físicos (sensação de fadiga constante e progressiva, distúrbios do sono, dores musculares, no pescoço, ombro e dorso, perturbações gastrointestinais, baixa resistência imunológica, astenia, cansaço intenso, cefaléias, transtornos cardiovasculares), psíquicos (diminuição da memória, falta de atenção e concentração, diminuição da capacidade de tomar decisões, fixações de idéias e obsessão por determinados problemas, idéias fantasiosa ou delírios de perseguição, sentimento de alienação e impotência, labilidade emocional, impaciência), emocionais (desânimo, perda de entusiasmo e alegria, ansiedade, depressão, irritação, pessimismo, baixa alta estima) e comportamentais (isolamento, perda de interesse pelo trabalho ou lazer, comportamento menos flexível, perda de iniciativa, lentidão no desempenho das funções, absenteísmo, aumento do consumo de bebidas alcoólicas, fumo e até mesmo drogas, incremento da agressividade). No entanto, é importante ressaltar que nem todos estes sintomas estão necessariamente presentes em todos os casos, pois esta configuração dependerá de fatores individuais e ambientais (ODORIZZI, 1995; MATAMOROS, 1997).

Estes sintomas podem se desenvolver em indivíduos que estejam relacionados com qualquer tipo de atividade no trabalho, no entanto, deve ser entendida como uma resposta ao estresse laboral que aparece quando falham as estratégias funcionais de enfrentamento que o sujeito pode empregar e se comporta como variável mediadora entre o estresse percebido e suas conseqüências (JIMÉNEZ & PUENTE., 1995). Esse enfrentamento é definido por França e Rodrigues (1997), como sendo o conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades.

Assim, esta síndrome é considerada um passo intermediário na relação estresse-conseqüências do estresse de forma que, permanece durante um longo tempo, o estresse laboral terá conseqüências nocivas para o indivíduo, sob a forma de enfermidade, falta de saúde com alterações psicossomáticas (alterações cardiorespiratórias, gastrite e úlcera, dificuldade para dormir, náuseas) e para organização (deterioração do rendimento ou da qualidade de trabalho (SILVA, 2003).

No entanto, é preciso considerar a síndrome como processo, cujos momentos não são estabelecidos de forma clara e distinta entre uma etapa ou outra, ou de um momento ao outro.

Os valores de saúde e doença são construídos, na empresa, sob o foco da produtividade, sob os princípios que se adota de responsabilidade social e o valor que se dá à preservação das pessoas, das histórias de acidentes de trabalho e da própria cultura da organização (LIPP & MALAGRIS, 1995).

Alguns estudos evidenciam muitas variáveis organizacionais, que contribuem para situações provocadoras de reações psicológicas e psicossomáticas; cujas desordens psicológicas no trabalho constituem uma das dez freqüentes categorias de "doença" ocupacional (JACQUES, 1996).

A relação do homem com o ambiente de trabalho é origem da carga psíquica da ocupação quando o rearranjo da organização do trabalho não é mais possível, sendo a relação do trabalhador com a organização bloqueada e se inicia o sofrimento (DEJOURS, 1994).

De acordo com Aguayo (1997), ao tratar da SB em professores, relaciona seu aparecimento a uma pressão intensa e constante no trabalho, e acrescenta como medidas de prevenção, um programa preventivo baseado em grupos de apoios entre profissionais para se discutir temas relacionados, como também recomendações tais como exercícios físicos, dietas, manejo de estresse e promoção da saúde.

A partir de um estudo dos principais instrumentos de medida, Fayos, et al. (1994), concluíram em sua pesquisa que a evolução da síndrome ocupa um dos lugares mais importantes dentro de trabalhos onde se relacionam com outras pessoas; o esgotamento emocional é a dimensão mais consistente e melhor definida dentro dos quadros observados.

INTERVENÇÃO DA ERGONOMIA NA SÍNDROME DE BURNOUT

De acordo com o Ergonomics Research Society (Sociedade de Pesquisa Ergonômica), a ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos no ambiente laboral (GIRLING & BIRNBAUM, 1988).Ao longo dos anos a SB tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico integrado, por atitudes e sentimentos negativos; contudo não há uma definição unânime sobre a doença, mas existe um consenso em considerar que aparece no indivíduo como uma resposta ao estresse laboral; tratando-se de uma experiência subjetiva interna que agrupa sentimentos e atitudes que representam uma resposta negativa para o indivíduo, dado que implica alterações, problemas ergonômicos e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para o ambiente de trabalho (SCHWARTZMANN, 2004). Para enfrentar esse problema, inúmeros estudiosos sugerem a utilização da ergonomia como uma das estratégias fundamentais de prevenção, pois o ambiente laboral torna-se mais saudável quando se realiza um melhoramento dos instrumentos, equipamentos e métodos de trabalho (GIRLING & BIRNBAUM, 1988; BARREIRA, 1989; RANIERE, 1989; WICK, 1989; GROSS, FUCHS, 1990).

A prevenção da SB se dá através do aumento a variedade de rotinas, evitar a monotonia; prevenir o excesso de horas extras; dar melhor suporte social às pessoas; melhorar as condições sociais e físicas de trabalho; e investir no aperfeiçoamento profissional e pessoal dos trabalhadores (FRANÇA & RODRIGUES, 1997).

Já Phillips (1984) diz que a primeira medida para evitar a SB é conhecer suas manifestações; porém há outras formas de prevenção tais como as estratégicas individuais, as estratégias individuais referem-se à formação e capacitação profissional, ou seja, tornar-se sempre competente no trabalho, estabelecer parâmetros, objetivos, participar de programas de combate ao stress, entre outros; as estratégias grupais consistem em buscar o apoio grupal; e finalmente as estratégias organizacionais referem-se em relacionar as estratégias individuais e grupais para que estas sejam eficazes no contexto organizacional (GIRLING & BIRNBAUM, 1998).

A SB pode causar sérios prejuízos para as empresas, pois refletem diretamente na produtividade através de faltas, horas de trabalho perdidas, desperdício de material de trabalho e custos elevados em assistência médica e, além disso, pode prejudicar a imagem da empresa (PEREIRA, 2002). Assim, o interesse atual pelos efeitos e conseqüências da SB no contexto de trabalho responde a várias razões, mas principalmente aos custos econômicos derivados, tanto para os indivíduos como para as organizações (GARCÍA, 2003).

Estudos vêm sendo desenvolvidos para investigar a contribuição de variáveis de ordem física, ergonômica e psicossocial no desenvolvimento das doenças do trabalho. (LEINO, 1989; WESTGAARD, 1985)

Nesse sentido a ergonomia através de uma intervenção no ambiente de trabalho proporciona vantagens diante dos programas preventivos. Estes benefícios são: a diminuição da fadiga, do gasto energético, do estresse emocional e a redução da incidência de doenças ocupacionais (WESTGAARD, 1985).            

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos entender que a SB é o produto de uma interação negativa entre o local, a equipe de trabalho e os clientes.  De fato, a Organização Internacional do Trabalho reconhece que o estresse e a SB não são fenômenos isolados, mas ambos foram convertidos em um risco ocupacional significativo.

Portanto, ao considerar qualidade de vida no trabalho, de forma a englobar aspectos de bem-estar e saúde biopsicossocial, deve-se tomar medidas de prevenção e tratamento para que esses estados não afetem ao ambiente de trabalho de maneira a prejudicar a produtividade da empresa e a qualidade de vida do trabalhador.

Fica evidente a importância da ergonomia na prevenção da SB, pois a doença está diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas no trabalho. O bem-estar do indivíduo, no ambiente de trabalho é também expresso através de condições favoráveis para a execução das atividades laborais. Neste contexto, vale salientar que a falta de mobiliários ergonomicamente corretos, assim como um ambiente de trabalho desagradável (ruídos, estresse, temperatura acima e abaixo dos limites ergonômicos, iluminações precárias) são fatores que favorecem o surgimento da SB.

Ausência da ergonomia no ambiente de trabalho não é visto apenas como um fator prejudicial à saúde do trabalhador, mas principalmente à empresa que despende altos custos em absenteísmo, acidentes, doenças, conflitos, abandono e desinteresse, verificado em todos os níveis de trabalho.

A qualidade de vida é uma compreensão abrangente e comprometida nas condições de vida laboral, que inclui aspectos de bem-estar, garantia da saúde e segurança física, mental e social e capacitação para realizar tarefas com segurança e bom uso de energia pessoal. Dependendo simultaneamente do indivíduo e da empresa, e é este o desafio que abrange o indivíduo e a empresa.

Como foi discutido neste trabalho, esta síndrome é um desgaste, tanto físico como mental, em que o indivíduo pode tornar-se exausto, em função de um excessivo esforço que faz para responder às constantes solicitações de energia, força ou recursos, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo e, conseqüentemente, do trabalho.

O profissional fisioterapeuta pode atuar na SB através de várias medidas, sejam elas de prevenção ou de tratamento, é preciso conhecer os conceitos de tais estados na sua essência, para que não ocorram distorções como comumente acontece, referindo-se a esta síndrome como um sinônimo de estresse, quando na verdade é uma resposta do organismo a um estresse crônico. A ergonomia é uma ferramenta utilizada pelos profissionais fisioterapeutas na prevenção e combate da SB. Vale salientar que pode-se obter a prevenção e tratamento da Síndrome de Burnout através da ergonomia por processos da adaptação das condições laborais, intervindo nas medidas antropométricas e técnicas que trabalham o relaxamento dinâmico por meio de reeducação da postura global e do estresse no trabalho.  

REFERÊNCIAS

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WICK, J. L. The role of ergonomics in the elimination and prevention of work – related musculoskeletal problems. Orthop Nurs, v. 08, n. 01, p. 41-2, 1989.


Autor(a): Andrezza Pimentel Santana
                 Maria Dulce Gonçalves Lorena
                 Maria Goretti Fernandes


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ASSUNTO: Uso da expressão e o exercício da GINÁSTICA LABORAL por fisioterapeutas e educadores físicos, uma vez que o Conselho Federal d...

Uso do Termo Ginástica Laboral pelo Fisioterapeuta



ASSUNTO:
Uso da expressão e o exercício da GINÁSTICA LABORAL por fisioterapeutas e educadores físicos, uma vez que o Conselho Federal de Educação Física CONFEF o considera como prática exclusiva do profissional de Educação Física.
 

PARECER CONSULTIVO

I - Consulta-nos o Presidente do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - COFFITO, acerca da utilização da GINÁSTICA LABORAL como pratica profissional por parte de fisioterapeutas.

II - Sobre o assunto, cumpre-nos transcrever, inicialmente, a legislação pertinente e as normas regulamentadoras baixadas por este COFFITO que fazem alusão a matéria:

- Decreto Lei 938 de 13 de outubro de 1969, que provê sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, e dá outras providências e que cita em seu artigo 3º:

" É atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas fisioterápicos com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente. "

- A Lei 6.316 de 17 de dezembro de 1975 , que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e dá outras providências que em seu artigo 5º inciso II, descreve como competência do Conselho Federal:

" II - exercer função normativa, baixar atos necessários à interpretação e execução do disposto nesta Lei e à fiscalização do exercício profissional, adotando providências indispensáveis à realização dos objetivos institucionais; "

- Resolução COFFITO-8 de 20 de fevereiro de 1978, que aprova as normas para habilitação ao exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional e dá outras providências e que em seu artigo 3 º, Inciso II alíneas "a, b e c" refere:

"Art. 3º. Constituem atos privativos do fisioterapeuta prescrever, ministrar e supervisionar terapia física, que objetive preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade de órgão, sistema ou função do corpo humano, por meio de:

II - utilização, com o emprego ou não de aparelho, de exercício respiratório, cárdio-respiratório, cárdio-vascular, de educação ou reeducação neuro-muscular, de regeneração muscular, de relaxamento muscular, de locomoção, de regeneração osteo-articular, de correção de vício postural, de adaptação ao uso de ortese ou prótese e de adaptação dos meios e materiais disponíveis, pessoais ou ambientais, para o desempenho físico do cliente, determinando:

a) o objetivo da terapia e a programação para atingi-lo;

b) o segmento do corpo do cliente a ser submetido ao exercício;

c) a modalidade do exercício a ser aplicado e a respectiva intensidade;"

- Resolução COFFITO-80, de 9 de maio de 1987, que baixa atos complementares à Resolução COFFITO-08, relativa ao exercício profissional do FISIOTERAPEUTA, e à Resolução COFFITO-37, relativa ao registro de empresas nos Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, e dá outras providências e em seu artigo 1o, prevê o seguinte:

"Art.1º - É competência do FISIOTERAPEUTA, elaborar o diagnóstico fisioterapêutico compreendido como avaliação físico-funcional, sendo esta, um processo pelo qual, através de metodologias e técnicas fisioterapêuticas, são analisados e estudados os desvios físico-funcionais intercorrentes, na sua estrutura e no seu funcionamento, com a finalidade de detectar e parametrar as alterações apresentadas, considerados os desvios dos graus de normalidade para os de anormalidade; prescrever, baseado no constatado na avaliação físico-funcional as técnicas próprias da Fisioterapia, qualificando-as e quantificando-as; dar ordenação ao processo terapêutico baseando-se nas técnicas fisioterapêuticas indicadas; induzir o processo terapêutico no paciente; dar altas nos serviços de Fisioterapia, utilizando o critério de reavaliações sucessivas que demonstrem não haver alterações que indiquem necessidade de continuidade destas práticas terapêuticas."

- Resolução COFFITO 158 de 29 de novembro de 1994, que proíbe o Fisioterapeuta e o Terapeuta Ocupacional, de utilizar para fins de identificação profissional, titulações outras, que não sejam aquelas próprias da Lei regulamentadora das respectivas profissões, ou omitir sua titulação profissional sempre que se anunciar em eventos científicos-culturais, anúncio profissional e outros, e dá outras providências, cujo artigo 3 º destacamos:

"Art. 3º - A indicação e a utilização das metodologias e das técnicas da Cinesioterapia é prática terapêutica própria, privativa e exclusiva do profissional Fisioterapeuta."

- Resolução COFFITO 259 de 18 de dezembro de 2003, que dispõe sobre a Fisioterapia do Trabalho e dá outras providências, que considera a grande demanda de Fisioterapeutas atuando em empresas e/ou organizações detentoras de postos de trabalho, intervindo preventivamente e/ou terapeuticamente de maneira importante para a redução dos índices de doenças ocupacionais; e que, o Fisioterapeuta é qualificado e legalmente habilitado para contribuir com suas ações para a prevenção, promoção e restauração da saúde do trabalhador; ressaltamos o artigo 1 º e seus incisos:

"Art. 1º - São atribuições do Fisioterapeuta que presta assistência à saúde do trabalhador, independentemente do local em que atue:

I – Promover ações profissionais, de alcance individual e/ou coletivo, preventivas a intercorrência de processos cinesiopatológicos;

II – Prescrever a prática de procedimentos cinesiológicos compensatórios as atividades laborais e do cotidiano, sempre que diagnosticar sua necessidade;

III – Identificar, avaliar e observar os fatores ambientais que possam constituir risco à saúde funcional do trabalhador, em qualquer fase do processo produtivo, alertando a empresa sobre sua existência e possíveis conseqüências;

IV – Realizar a análise biomecânica da atividade produtiva do trabalhador, considerando as diferentes exigências das tarefas nos seus esforços estáticos e dinâmicos, avaliando os seguintes aspectos:

a) No Esforço Dinâmico - frequência, duração, amplitude e torque (força) exigido.

b) No Esforço Estático – postura exigida, estimativa de duração da atividade específica e sua freqüência.

V – Realizar, interpretar e elaborar laudos de exames biofotogramétricos, quando indicados para fins diagnósticos;

VI – Analisar e qualificar as demandas observadas através de estudos ergonômicos aplicados, para assegurar a melhor interação entre o trabalhador e a sua atividade, considerando a capacidade humana e suas limitações, fundamentado na observação das condições biomecânicas, fisiológicas e cinesiológicas funcionais;

VII – Elaborar relatório de análise ergonômica, estabelecer nexo causal para os distúrbios cinesiológicos funcionais e construir parecer técnico especializado em ergonomia."

III – Cumpri-nos ainda fazer referência à RESOLUÇÃO CNE/CES Nº 4, de 19 de Fevereiro de 2002, que instituiu as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação em Fisioterapia, para ressaltar a formação deste profissional que estuda o movimento humano e que está capacitado a atuar nos níveis de atenção primário, secundário e terceário, descrita aqui por meio de seu artigo 3º, in verbis:

"Art. 3º O Curso de Graduação em Fisioterapia tem como perfil do formando egresso/profissional o Fisioterapeuta, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com base no rigor científico e intelectual. Detém visão ampla e global, respeitando os princípios éticos/bioéticos, e culturais do indivíduo e da coletividade. Capaz de ter como objeto de estudo o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades, quer nas alterações patológicas, cinético-funcionais, quer nas suas repercussões psíquicas e orgânicas, objetivando a preservar, desenvolver, restaurar a integridade de órgãos, sistemas e funções, desde a elaboração do diagnóstico físico e funcional, eleição e execução dos procedimentos fisioterapêuticos pertinentes a cada situação."

IV – Descrição da denominação e atividades exercidas pelo profissional fisioterapeuta descrita na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO.

- A Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), editada em 2002, identifica o fisioterapeuta como Cinesiólogo Fisioterapeuta e descreve ainda que este profissional atende pacientes e clientes para prevenção, habilitação e reabilitação, realiza diagnóstico específico, desenvolve programas de prevenção, promoção de saúde e qualidade de vida.

V – Dentre todos os procedimentos fisioterapêuticos aquele que se relaciona diretamente à situação que se nos apresenta é a Cinesioterapia.

- Etmologicamente a palavra Cinesioterapia é grega, sendo Kinésia (movimento) e Thérapéia (tratamento). Em 1847, August Georgii define cinesioterapia como o "tratamento das doenças através do movimento" (GENOT, 1989). Essa definição simplista e restritiva reflete o que antigamente era denominada "ginástica médica" (grifo nosso).

- A evolução nos conhecimentos de fisiologia, os atuais conceitos neuro-musculares, neuro-sensitivo-motores e suas repercussões no movimento determinaram o abandono da definição de cinesioterapia proposto em 1847, e a consolidação da cinesioterapia como arte, ciência. Atualmente, preconiza-se a definição de Doris Bolto : "a cinesioterapia não é o tratamento através do movimento, mas o tratamento do movimento" (BOLTO, 1996).

- Assim o objeto da Fisioterapia, é a patologia do movimento, ou ainda a patologia cuja prevenção e cura pode se dar mediante o movimento. O movimento, então, é o objeto de estudo e de intervenção da Fisioterapia (REBELATO, 1999).

- Sendo o movimento o objeto de estudo e de intervenção do fisioterapeuta, a Cinesioterapia (oriunda da expressão " ginástica médica"), então, é própria da Fisioterapia.

VI- Com a finalidade de consubstanciar e fundamentar tecnicamente ainda mais esta consulta, remetemo-nos ainda a trechos in verbis do parecer emitido pela Sociedade Brasileira de Fisioterapia do Trabalho – SOBRAFIT (www.sobrafit.com.br), sobre o assunto em pauta:

 

1. "HISTÓRICO DA GINÁSTICA LABORAL"

 

- Existem registros deste tipo de atividade, desde 1925 na Polônia, Bulgária, Alemanha Oriental, Holanda e Rússia, quando então era chamada de Ginástica de Pausa (CAÑETE, psicóloga, UFRGS, 1996). Na mesma época, impulsionada pela cultura e tradição oriental, a GL teve seu grande enraizamento no Japão.

- Inicialmente era destinada a algumas atividades ocupacionais, mas após a Segunda Guerra Mundial foi difundida por todo o país. A grande propagação da GL na cultura empresarial japonesa é atribuída à veiculação de um programa da Rádio Taissô, que envolve uma tradicional ginástica rítmica, com exercícios específicos acompanhados por música própria.

- Atividade que acontece todas as manhãs, sendo transmitida pela rádio, por pessoas especialmente treinadas e é praticada não somente nas fábricas ou ambientes de trabalho no início do expediente, mas também nas ruas e residências.

- Dentro do contexto brasileiro, alguns indícios da influência japonesa mostram um pouco da evolução histórica da cultura da realização da GL no país. A Federação de Rádio Taissô no Brasil, coordena mais de 5.000 praticantes ligados a 30 entidades em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul. Desde 14 de março de 1996, passou a vigorar a Lei Estadual nº 9.345, em São Paulo, promulgada pelo governador Mário Covas, instituindo o dia da Rádio Taissô, comemorado em 18 de junho. (POLITO; BERGAMASCHI, 2002). No início da década de 70, com a chegada de executivos japoneses no Brasil, houve um estímulo para a adoção desta prática em algumas empresas.

- Segundo Schimitz (1981), em 1978 a Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo - RS (FEEVALE) e a Associação Pró -Ensino Superior em Novo Hamburgo (ASPEUR), juntamente com o SESI, implantaram um projeto denominado "Ginástica Laboral Compensatória", que teve início em 23 de novembro de 1978, envolvendo cinco empresas do Vale dos Sinos.

- Após algumas experiências isoladas no país envolvendo a GL até o final dos anos 70, houve um período em que sua aplicação caiu no esquecimento. Para Polito e Bergamaschi (2002), isto pode ser atribuído à carência de resultados que servissem de base para a disseminação da GL.

- A partir da metade da década de 80 houve uma retoma na utilização deste método. Na mesma época em 1987, acontecia o reconhecimento da tenossinovite como doença profissional através da portaria nº 4.602 do Ministério da Previdência e Assistência Social. Este fato exigiu maiores medidas de enfrentamento social a cerca da ameaça das lesões, principalmente por parte do empresariado. Na mesma época, era iniciada a ênfase à qualidade de vida no trabalho.

- Desta forma, o ressurgimento da GL na segunda metade da década de 80, utilizada como medida de promoção da saúde do trabalhador, acompanhou o próprio desenrolar histórico do fenômeno LER/DORT, iniciado pelo reconhecimento oficial da então chamada doença dos digitadores.

- Nos anos 90, a GL teve sua grande explosão no Brasil, sendo que inúmeras empresas passaram a introduzir em suas rotinas laborativas a execução de exercícios. Os propósitos são diversificados, mas na maioria dos casos é atribuída à prevenção de LER/DORT. Um grande incentivador e promotor da GL no país é o Serviço Social da Indústria (SESI), coordenando vários programas e ações nesta área, porém com uma durabilidade pequena dos programas que eram fracassados por não terem um gerenciamento interligado a ergonomia. Tendo então que buscar na formação da ergonomia a eficácia dos programas quando inseridos no processo ergonômico.

- Segundo Kooling (1980), a GL é chamada de Ginástica Laboral Compensatória (GLC), devendo atuar sobre as sinergias musculares antagônicas às que se encontram ativas durante o trabalho. Este tipo de atividade visa proporcionar a compensação e o equilíbrio funcional, assim como também atuar com a recuperação ativa, de forma a aproveitar as pausas regulares durante a jornada de trabalho para exercitar os músculos correspondentes e relaxar os grupos musculares que estão em contração durante o trabalho, com o objetivo de prevenir a fadiga.

- Já para Targa (1973), a GL Compensatória é a ginástica que tenta impedir que se instalem vícios posturais durante as atividades habituais, principalmente as do ambiente de trabalho. Utiliza exercícios que atuam sobre musculaturas pouco solicitadas e relaxam aquelas que trabalham em demasia. Afirma ainda, que nesse tipo de GL obtém-se melhores resultados iniciando-se pelo relaxamento dos segmentos periféricos e aos poucos atingindo os centrais ou ainda, alongamento muscular seguido de movimentos ativos simples executados durante pausas de 7 a 10 minutos, em cada período de 3 a 4 horas de trabalho.

- A GL, para Dias (1994), é definida como Ginástica Laboral Preparatória (GLP) e visa a realização de exercícios específicos dentro do local de trabalho, atuando de forma preventiva e terapêutica. Esta definição baseia-se em um projeto de ginástica em uma empresa realizado em 1989, que foi desenvolvido com exercícios preventivos e terapêuticos realizados no ambiente de trabalho, proposto sobretudo, como mecanismo de prevenção de doenças por traumas cumulativos. A GLP definida por Targa (1973), consiste de uma série de exercícios que prepara o indivíduo para o trabalho de velocidade, força ou resistência. Visa o aquecimento da musculatura e das articulações que serão utilizadas. Astrand e Rodahl apud Pimentel (1999), referem-se à GL como sendo a inclusão de alguma atividade física no trabalho diário, a fim de proporcionar a oportunidade para uso diversificado do sistema locomotor e para selecionar uma relação apropriada entre o trabalho e o repouso, permitindo uma boa recuperação durante o trabalho.

- De forma geral as bases teóricas existentes sobre GL a classificam em três tipos(TARGA apud CAÑETE, 1996; MARTINS, 2001; TARGA, 1973; DIAS, 1994; ALVES; VALE, 1999): Ginástica Preparatória (GP), Compensatória (GC) e Corretiva (GCT) Há referência também a um quarto tipo de GL chamada Ginástica de Manutenção ou Conservação (GM), embora seja pouco utilizado (LEITE, 1999).
 

2. "OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DA GINÁSTICA":

 

- A Ginástica (palavra derivada do grego Gymnos que significa desnudo) nasceu na antiga Grécia há aproximadamente 3.000 anos como um meio de integrar do corpo e a mente. Para isto, os antigos helenos criaram os ginásios, que eram o centro de toda a atividade física e cultural em cada comunidade. Na China, Índia e Pérsia também foram desenvolvidas disciplinas ginásticas como treinamento básico para os pretendentes a postos militares (http://www.estadao.com.br/ext/esportes/olimpiadas/sydney/ modalidades/origem/ginastica.htm).

1. GINÁSTICAS DE CONDICIONAMENTO FÍSICO: englobam todas as modalidades que têm por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo normal e/ou do atleta.

2. GINÁSTICAS DE COMPETIÇÃO: reúnem todas as modalidades competitivas.

3. GINÁSTICAS FISIOTERÁPICAS: responsáveis pela utilização do exercício físico na prevenção ou tratamento de doenças.

4. GINÁSTICAS DE CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL: reúnem as Novas propostas de abordagem do corpo, também conhecidas por Técnicas alternativas ou Ginásticas Suaves (Souza, 1992), e que foram introduzidas no Brasil a partir da década de 70, tendo como pioneira a Anti-Ginástica. A grande maioria destes trabalhos teve origem na busca da solução de problemas físicos e posturais.

5. GINÁSTICAS DE DEMONSTRAÇÃO: é representante deste grupo a Ginástica Geral, cuja principal característica é a não-competitividade, tendo como função principal a interação social isto é, a formação integral do indivíduo nos seus aspectos: motor, cognitivo, afetivo e social. "

Inteiro teor em : http://www.ginasticaolimpica.hpg.ig.com.br/historia.html.

- A SOBRAFIT julga de extrema importância a repercussão deste Parecer para todos os fisioterapeutas atuantes nesta área, correndo o risco de descrédito em todas as instituições que oferecem a Pós-graduação em Fisioterapia do Trabalho (CBES – Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos no PR/SP/RS; Faculdades Salesianas de Lins/SP; Unisa/SP; IPA/POA/RS; Faculdades do Rio de Janeiro e de Minas Gerais), no caso se o termo Ginástica Laboral não pudesse ser usado pelo fisioterapeuta estaríamos excluídos de licitações e tomadas de preços e proposta de prevenção, promoção ou resgate da saúde do trabalhador onde esteja inserida a modalidade da ginástica laboral, e também teríamos uma grande quantidade de demissões de empresas onde fisioterapeutas atuam na ginástica laboram.

- Além de sermos o maior percentual profissional cursando as Pós-Graduações em Ergonomia dos cursos recomendados e reconhecidos pela ABERGO - Associação Brasileira de Ergonomia. Sem contar nas pós-graduações em Fisioterapia do Trabalho reconhecidas pelo COFFITO. No entanto, em relação a ginástica laboral, não existem estudos epidemiológicos que comprovem seus resultados enquanto método de prevenção, ficando os indicadores de redução de queixas e doenças do trabalho por conta não só da ginástica, mas das ações ergonômicas, das orientações posturais e dos postos de trabalho, bem como dos treinamentos de modo operatório, tudo isso muitas vezes associados a ginástica laboral ficando difícil desmembrar.

- Para podermos dispor deste termo, que é comercial, já tendo um marketing criado encima dele (o ressurgimento da Ginástica Laboral está atrelado à prevenção de LER/DORT), fazendo com que tenhamos que descrever de forma justa os limites de atuação dos educadores físicos e fisioterapeutas nesta modalidade de intervenção, além de outros profissionais que o fazem como os psicólogos nos casos de ambientes com alta exigência mental.

- A abordagem dos fisioterapeutas está relacionada a prevenção de DORT/LER, o que passa pelo conhecimento prévio das patologias e recursos terapêuticos e, nos casos da ginástica compensatória para prevenção de fadiga, dor e/ou lesões músculo-ligamentares.

- Já os educadores atuam na motivação, recreação, integração e performance física. Devendo assim ambos atuarem em conjunto, sendo que em alguns ambientes de trabalho aplica-se mediante diagnóstico ergonômico modalidades distintas e, a partir deste diagnóstico é recrutado ou um ou outro profissional.

- Na Lei de Educação Física Título Nº 9.696, de 1º de setembro de 1998, que dispõe sobre a regulamentação da Profissão de Educação Física e cria os respectivos Conselho Federal e Conselhos Regionais de Educação Física, temos:

- "Art. 3º Compete ao Profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas de atividades físicas e do desporto".

- Em nenhum momento da Lei há o ítem que atuam na reabilitação da saúde, como é colocada em várias resoluções do CONFEF posteriores a Lei.

O CONFEF coloca em sua Resolução nº 046/2002, que dispõe sobre a Intervenção do Profissional de Educação Física e respectivas competências e define os seus campos de atuação profissional:

"Art. 1º - O Profissional de Educação Física é especialista em atividades físicas, nas suas diversas manifestações - ginásticas, exercícios físicos, desportos, jogos, lutas, capoeira, artes marciais, danças, atividades rítmicas, expressivas e acrobáticas, musculação, lazer, recreação, reabilitação, ergonomia, relaxamento corporal, ioga, exercícios compensatórios à atividade laboral e do cotidiano e outras práticas corporais -, tendo como propósito prestar serviços que favoreçam o desenvolvimento da educação e da saúde, contribuindo para a capacitação e/ou restabelecimento de níveis adequados de desempenho e condicionamento fisiocorporal dos seus beneficiários, visando à consecução do bem-estar e da qualidade de vida, da consciência, da expressão e estética do movimento, da prevenção de doenças, de acidentes, de problemas posturais, da compensação de distúrbios funcionais, contribuindo ainda, para consecução da autonomia, da auto-estima, da cooperação, da solidariedade, da integração, da cidadania, das relações sociais e a preservação do meio ambiente, observados os preceitos de responsabilidade, segurança, qualidade técnica e ética no atendimento individual e coletivo."

- A Resolução CONFEF nº 073/2004 que dispõe sobre a Ginástica Laboral e dá outras providências:

"Art. 2º - No desempenho das atribuições do Profissional de Educação Física, no âmbito da Ginástica Laboral, incluem-se:
I - ações profissionais, de alcance individual e/ou coletivo, de promoção da capacidade de movimento e prevenção a intercorrência de processos cinesiopatológicos;
II - prescrever, orientar, ministrar, dinamizar e avaliar procedimentos e a prática de exercícios ginásticos preparatórios e compensatórios às atividades laborais e do cotidiano;
III - identificar, avaliar, observar e realizar análise biomecânica dos movimentos e testes de esforço relacionados às tarefas decorrentes das variadas funções que o trabalho na empresa requer, considerando suas diferentes exigências em qualquer fase do processo produtivo, propondo atividades físicas, exercícios ginásticos, atividades esportivas e recreativas que contribuam para a manutenção e prevenção da saúde e bem estar do trabalhador;
IV - propor, realizar, interpretar e elaborar laudos de testes cineantropométricos e de análise biomecânica de movimentos funcionais, quando indicados para fins diagnósticos;
V - elaborar relatório de análise da dimensão sócio cultural e comportamental do movimento corporal do trabalhador e estabelecer nexo causal de distúrbios biodinâmicos funcionais."

- Como podem dar diagnóstico de nexo causal se não atuam em doenças e nas suas terapêuticas ?

- Portanto, com tantas divergências por falta de esclarecimento em que tipos de reabilitação atuam, que tipo de diagnóstico para nexo causal de doença do trabalho fazem, e não podendo deixar de mencionar o fato de praticarmos a ginástica corretiva ou ginástica terapêutica, ou a ginástica postural, além de relatar os mais variados tipos de ginástica em outras profissões/atuação (psicologia, pedagogia, cirurgias, etc).

- Neste caso temos problemas de interpretação da tradução da palavra "ginástica", o que se formos buscar a origem das palavras nós provavelmente não trabalharíamos sabendo que a origem/tradução da palavra é trabalho = tri palho (instrumento de tortura).

- O que temos aqui é a tentativa de domínio de mercado, quando sabe-se que nenhum profissional de saúde está habilitado a diagnosticar, implantar e executar a ginástica laboral se não tiverem o conhecimento prévio da ergonomia, disciplina esta inserida recentemente em muitas instituições de ensino nos cursos de graduação de Fisioterapia, assim como a disciplina de Fisioterapia do Trabalho, onde existe esta abordagem da ergonomia e da ginástica laboral, que algumas instituições inseriram na sua grade curricular.

- Portanto, fica esclarecido que o conceito tem sido manipulado, na intenção de reserva de mercado, gerando prejuízos a nossa classe profissional e, sobretudo ao trabalhador brasileiro.

VI – Conclusão.

Baseado no exposto acima, conclui-se que a "Ginástica Laboral" é a expressão que descreve uma das modalidades de intervenção do fisioterapeuta na área da saúde do trabalhador, uma vez que a concepção de prevenção de doenças e agravos à saúde, bem como a assistência à saúde perpassa pelos conceitos e pelas práticas multiprofisionais integralizadas, multi e interdiscisplinares, sendo totalmente adequado o uso da expressão e a prática da mesma por fisioterapeutas que prestam assistência em empresas por meio da ergonomia.

A intervenção fisioterapêutica na área da saúde do trabalhador junto às empresas é objeto e campo de atuação deste profissional, portanto, o uso da expressão "Ginástica Laboral", como também de outras tais, como Cinesioterapia, Exercícios Terapêuticos Exercícios Corretivos, acrescidos ou não da palavra Laboral, caracterizando de modo fidedigno e legal, uma prática própria do fisioterapeuta na área da saúde do trabalhador.

É O PARECER, s.m.e.

 

Em 27 de outubro de 2005.

ANA CRISTHINA DE OLIVEIRA BRASIL

VICE-PRESIDENTE



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A asma ocupacional é um distúrbio respiratório diretamente relacionado à inalação de fumaças, gases, vapores ou poeiras, no ambiente d...

A asma ocupacional e suas causas



A asma ocupacional é um distúrbio respiratório diretamente relacionado à inalação de fumaças, gases, vapores ou poeiras, no ambiente de trabalho. Devido a essa exposição, pode-se desenvolver uma asma pela primeira vez em um trabalhador sadio, ou pode haver um agravamento de uma asma pré-existente. Os sintomas da asma incluem chiados no peito (sibilos), falta de ar e tosse. Outros sintomas podem ser hiper-secreção nasal, nariz entupido e irritação nos olhos. A causa pode ser alérgica ou não. Um sintoma importante da exposição ocupacional é que a doença pode persistir por um longo período em alguns trabalhadores, mesmo que não estejam mais se expondo aos irritantes a causaram. Vários trabalhadores com sintomas persistentes de asma já foram incorretamente diagnosticados como tendo bronquite crônica.

É bom lembrar que pessoas que vivam em áreas residenciais próximas a essas fábricas estão também frequentemente expostas a estas exalações e podem sofrer os mesmos problemas

Em muitos casos, uma história familiar prévia de alergia deixará a pessoa mais predisposta a sofrer de asma ocupacional. No entanto, muitos que não possuem essa história vão desenvolver a doença se expostos a condições que a desencadeiem. Os fumantes têm maior risco de desenvolver asma ocupacional pela exposição a certos fatores. O período de exposição ocupacional que desencadeia a asma varia de meses a anos, até que surjam os primeiros sintomas.


Prevalência

A asma ocupacional se tornou a doença pulmonar (relacionada ao trabalho) mais prevalente nos países desenvolvidos. No entanto, a proporção exata de novos casos diagnosticados com asma devida a exposição ocupacional, em adultos, é desconhecida. Os pesquisadores estimam que 15% de todos os casos de asma em homens no Japão resultam da exposição a vapores, poeiras, gases e fumaças industriais. Até 15% dos casos de asma nos EUA podem ter origens no ambiente de trabalho.

A incidência de asma ocupacional varia de acordo com o tipo de indústria. Por exemplo, na indústria de detergentes, a inalação de uma determinada enzima usada para produzir sabão em pó levou ao desenvolvimento de sintomas respiratórios em cerca de 25% dos trabalhadores expostos. Na indústria gráfica, 25-50% dos empregados experimentam sintomas respiratórios devidos a "gum acacia", usada na impressão a cores para a separação de folhas impressas, evitando manchas. Os isocianatos são substâncias químicas que são amplamente usadas em várias indústrias, incluindo a pintura por "sprays", instalação de isolantes, e na manufatura de plásticos, borracha e isopor. Eles podem determinar a asma em até 10% dos trabalhadores expostos.


Causas

A asma ocupacional pode ser causada por irritantes diretos, desencadeantes alérgicos e fatores farmacológicos.

Os irritantes que provocam asma ocupacional incluem o ácido hidroclórico, o dióxido de enxofre ou a amônia, nas indústrias química ou petroquímica. Esses episódios de asma geralmente ocorrem logo após a exposição à substância, e uma sensibilização alérgica não está envolvida. Os trabalhadores que já têm asma ou outro problema respiratório são particularmente afetados por esse tipo de exposição.

Os fatores alérgicos participam em vários casos de asma ocupacional. Este tipo de asma frequentemente requer um longo período de exposição à substância antes que a sensibilização alérgica ocorra. Alguns exemplos desse tipo de asma ocupacional de cunho alérgico são a exposição às enzimasda bactéria "bacillus subtilis" na indústria de sabão em pó, a exposição a grãos de café verde, mamona e papaína na indústria de processamento de alimentos. Outras formas alérgicas de asma ocupacional podem ocorrer nos trabalhadores das indústrias de plásticos, borracha e resinas, após a exposição a pequenas moléculas de substâncias químicas no ar. Além disso, veterinários, pescadores e pessoal de laboratório que lidam com animais podem desenvolver reações alérgicas a proteínas animais. Membros da equipe de saúde podem desenvolver asma a partir de proteínas sob forma de aerosol provenientes de luvas de látex ou pela manipulação de medicações em forma de pó.

Alguns fatores farmacológicos incluem a inalação de pó ou líquido. Estas substâncias não levam a uma sensibilização alérgica, mas levam diretamente a uma liberação de substâncias (que normalmente já existem), como a histamina, para dentro do pulmão, o que por sua vez determinará asma.


Prevenção

Uma vez a causa sendo identificada, os níveis de exposição devem ser reduzidos (o trabalhador pode ser transferido para outra atividade na mesma fábrica, por exemplo).

Os empregadores poderiam considerar fazer uma triagem preliminar de potenciais empregados através de provas de função pulmonar e, depois, continuar a testá-los após períodos determinados na atividade, uma vez tendo sido contratados.

Os locais de trabalho deveriam ser cuidadosamente monitorados para que a exposição a substâncias causadoras de asma fossem mantidas nos menores níveis possíveis.

Em alguns casos poderia ser útil que um alergista propusesse um pré-tratamento com medicações específicas que combateriam certos efeitos dessas substâncias.

AGENTES QUE COMUMENTE CAUSAM ASMA ACUPACIONAL

Agente

Trabalhadores sob Risco

Acilato

Manipuladores de adesivos

Aminas

Soldadores, manipuladores de goma-laca e verniz

Anidridos

Usuários de plásticos e resinas de epoxi

Alergenos derivados de animais

Pessoas que lidam com animais

Cereais

Padeiros, moleiros

Cloramina-T

Faxineiros, pessoal de limpeza

Drogas

Trabalhadores farmacêuticos, profissionais da saúde

Corantes

Trabalhadores da indústria têxtil

Enzimas

Usuários de detergentes, trabalhadores farmacêuticos, padeiros

Formaldeído, glutaradeído

Pessoal de hospital

Gomas e resinas

Fabricantes de tapetes, trabalhadores farmacêuticos

Isocianatos

Pintores de "spray", instaladores de isolamento, fabricantes de plásticos, borracha e espuma de borracha

Látex

Profissionais de saúde

Metais

Soldadores, refinadores

Persulfato

Cabeleireiros

Frutos do mar

Processadores de frutos do mar

Pó de madeira (serragem)

Carpinteiros, marceneiros, trabalhadores em florestas

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Quem pratica atividade física diariamente já sabe:  alongar é fundamental para proteger os músculos. Mas se você acha que os alongamentos se...

Alongamento no posto de trabalho


Quem pratica atividade física diariamente já sabe: alongar é fundamental para proteger os músculos. Mas se você acha que os alongamentos servem apenas para essas pessoas, pode começar a mudar de opinião.Alongamento refere-se ao processo de aumentar o comprimento muscular.Os exercícios de alongamento podem ser realizados de várias maneiras, dependendo dos objetivos.

O alongamento é um dos exercícios fundamentais para o nosso corpo. Feitos bem no início da jornada de trabalho, ao esticar a musculatura, os alongamentos deixam o corpo preparado para o trabalho, evitando dores musculares, articular e tendões, a conhecida LER (lesões por esforço repetitivo) e DORT (doença osteoarticular relacionada ao trabalho).O alongamento traz benefícios como redução de tensões musculares, relaxamento, melhora a coordenação pois os movimentos se tornam mais soltos, prevenção de lesões, desenvolve consciência corporal à medida que a pessoa se concentra na parte do corpo que esta sendo alongada, ativa a circulação, auxilia no bom alinhamento postural .

Em todas as nossas atividades, em todos os nossos movimentos, estamos sempre usando os músculos e as articulações para realizá-los.Assim devemos sempre ter em mente a necessidade de trabalhar os músculos, alongando-os e fortalencendo-os para que possam responder de forma correta e sem prejuízo de alguma lesão, todas as vezes que necessitamos dos músculos.Por isso o alongamento é importante para todas as pessoas indiscriminadamente.O exercício de alongamento precisa de paciência porque o resultado aparece de forma mais lenta do que os demais exercícios. A flexibilidade só aparece depois de 4 a 6 semanas, porém os benefícios para o seu corpo e saúde são enormes.Os alongamentos devem ser feitos por qualquer pessoa, em qualquer idade, a qualquer hora e não requer equipamento especial nem treinamento prévio.
DICAS:

·        Sempre respirar corretamente de forma suave.

·        Alongar de forma lenta em torno de 10 a 30 segundos.

·        Manter boa postura.



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Resumo Por que as chamadas dores lombares acometem mais aqueles que trabalham na posição ...

A importância da manutenção de bons níveis de flexibilidade nos trabalhadores que executam suas atividades laborais sentados



Resumo

Por que as chamadas dores lombares acometem mais aqueles que trabalham na posição sentada? Pesquisadores suspeitam que esse mal tenha uma estreita relação com o encurtamento gradual da musculatura posterior da coxa - os isquiotibiais, que acabam por imobilizarem a articulação do quadril e, como conseqüência, inclinam para frente o segmento lombar da coluna vertebral, imposto pelo uso excessivo da cadeira. Nesse sentido, este trabalho se propôs a avaliar a influência de um Programa de Ginática Laboral específico, poderia trazer para amenizar esse constrangimento de ordem postural.

Este estudo de caso contou com a participação de 10 costureiras da Indústria Têxtil do Município de Dois Vizinhos - Pr. Foram realizados testes de flexibilidade, do tipo sentar e alcançar, antes e após 6 meses do inicio do referido programa. Os resultados comparados estatisticamente (Teste t) mostraram uma significante melhoria na flexibilidade do quadril. Este fato foi reforçado pela diminuição expressiva das queixas de dores lombares, que passaram de 100% para 10%; da mesma forma, verificou-se que o número de atestados médicos com afastamentos caiu de 6 para 2, entre os participantes, após a adoção da Ginástica Laboral pela indústria.

PALAVRAS CHAVES: Postura Sentada Flexibilidade – Ginástica Laboral


Autores: Pedro Ferreira Reis, Antonio Renato Pereira Moro, Leila Amaral Contijo

Texto completo: ARTIGO

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