Há alguns anos, o projeto da obrigatoriedade da ginástica laboral nas empresas entrou em trâmite na Comissão e Justiça de Cidadania, porém n...

Legislação / Obrigatoriedade da Ginástica Laboral




Há alguns anos, o projeto da obrigatoriedade da ginástica laboral nas empresas entrou em trâmite na Comissão e Justiça de Cidadania, porém nada ainda foi feito.

O projeto baseava-se em depoimentos de empregados que por desconhecimento e falta de preparo acabaram prejudicados e lesionados em seus trabalhos.

Dados da Secretaria de Educação de São Paulo apontam que 60% dos professores da instituição apresentam alterações vocais, tais como: rouquidão, perda da voz, pigarro e cansaço para falar.

Se procurarmos em qualquer repartição pública ou até mesmo em empresas privadas encontraremos funcionários que irão reclamar de uma dor na coluna, devido a má informação sobre como sentar-se adequadamente ou até outros funcionários que estejam cansados, estressados e não estejam produzindo tão bem por estarem debilitados, fisicamente e psicologicamente.

O projeto de lei 1128/03, do deputado Carlos Abicalil (PT-MT), é voltado mais para a área de educação, mas já existem conversas sobre como transformar essa lei em obrigatoriedade em todas as empresas.

Alguns especialistas, médicos, doutores pregam que a ginástica não deve ser obrigatória, porque a intenção é ser voluntária e a partir do momento em que você sanciona uma lei para que seja uma obrigatoriedade, transforma uma prática de lazer em obrigação e logo não haverá motivação para a realização de atividades.

Qualquer um pode realizar a atividade de ginástica laboral nas empresas

Não, não se pode realizar tal atividade sem um curso específico e sem formação adequada na área de fisioterapia ou educação física. Vários são os motivos para que seja obrigatório um profissional e não pessoa sem qualificação mínima.

Uma atividade física por mais simples que pareça, um alongamento, uma massagem, pode trazer sérios prejuízos para sua saúde e para o seu corpo, se mal feita.

Estiramentos, lesões musculares, traumas ósseos entre outros problemas são comuns em uma atividade sem a supervisão de um profissional e sem as informações adequadas para a atividade.

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INTRODUÇÃO A saúde do trabalhador, definida no Brasil como uma área da saúde pública e de responsabilidade do Sistema ...

Riscos biomecânicos posturais em trabalhadores de uma serraria


INTRODUÇÃO

A saúde do trabalhador, definida no Brasil como uma área da saúde pública e de responsabilidade do Sistema Único de Saúde, tem como missão o estudo, a prevenção, a assistência e a vigilância aos agravos à saúde relacionados ao trabalho1.

Atualmente, por parte de empresas, há uma preocupação com o desenvolvimento de doenças ocupacionais, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, bem como com o controle dos acidentes de trabalho. O governo vem também tomando medidas importantes na área, a exemplo da Política Nacional de Saúde do Trabalhador, em vigor desde 2004. A medida tem como foco a redução e controle de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho1.

Dentre o vasto universo de atividades ocupacionais, encontram-se as realizadas em serrarias e marcenarias. As máquinas e ferramentas utilizadas nesses locais propiciam a realização de atividades com sobrecargas físicas e riscos biomecânicos2-5. Associado a esse aspecto, existe um baixo grau de instrução do trabalhador, que desconhece os riscos à sua saúde, contribuindo para a ocorrência de doenças e acidentes de trabalho6. Há ainda outros fatores ambientais que interagem com os trabalhadores, a citar o conforto térmico e a iluminância4.

É importante destacar que boas condições de trabalho são associadas não apenas ao cumprimento de normas trabalhistas e à luta contra as doenças ocupacionais, mas também à promoção de melhores condições de vida no ambiente de trabalho, tendo em vista que o homem despende, constitucionalmente, cerca de 8 horas diárias no trabalho, equivalendo a um terço de seu tempo7.

Tendo em vista a influência dos fatores pessoais, biomecânicos, organizacionais e psicossociais relacionados ao trabalho, a avaliação desses fatores é necessária para o estabelecimento da associação entre estes e a possibilidade de surgir e/ou agravar um quadro de sinais e sintomas no trabalhador8. Com base na identificação dos fatores de risco e de suas características moduladoras, podem ser tomadas medidas e intervenções ergonômicas e preventivas para a preservação da saúde desses indivíduos9, para melhor adaptar o trabalho ao homem10. Do ponto de vista biomecânico, os riscos caracterizam-se pelo levantamento de cargas, frequência e intensidade de execução das tarefas, repetitividade, uso excessivo de força, vibrações, compressões mecânicas, geralmente associadas com posturas inadequadas11.

Um fator importante na avaliação de uma atividade executada é a investigação das posturas adotadas pelos trabalhadores. Estas, caso inadequadas, podem trazer conseqüências e sequelas incapacitantes para o funcionário. Pela avaliação postural, más posturas eventualmente detectadas podem ser minimizadas por meio de treinamentos direcionados à adoção de posturas corretas, seguras e confortáveis3.

Uma forma de fazer essa avaliação é pelo método de avaliação rápida do corpo inteiro (rapid entire body assessment, REBA). Esse método foi desenvolvido por Hignett e McAtamney12 como uma ferramenta de avaliação de posturas dinâmicas e estáticas, para identificar riscos biomecânicos, a existência de mudanças bruscas posturais ou posturas instáveis adotadas durante a atividade realizada. Essa avaliação envolve os membros superiores e inferiores, tronco e pescoço, considerando os fatores carga ou força manuseada e tipo de garra, indicando a necessidade de implantação de medidas corretivas e a urgência de intervenção12.

De acordo com os autores, o método REBA foi desenvolvido a partir de outras técnicas - como a proposta pelo National Institute for Occupational Safety and Health dos Estados Unidos, o sistema de análise de posturas ocupacionais (working postures analyzing system, OWAS), a avaliação rápida dos membros superiores (rapid upper limb assessment, RULA) e a pesquisa de desconforto em partes do corpo (body part discomfort survey) - no sentido de estabelecer as amplitudes dos segmentos do corpo com base no diagrama da RULA. Pela associação de várias posturas e interação com cargas foram estabelecidos critérios de classificação do nível de risco e grau de intervenção necessária. Sua aplicação classifica o risco de lesões musculoesqueléticas associado a uma postura em: desprezível (1 ponto), baixo (2-3 pontos), médio (4-7 pontos), alto (8-10 pontos) e muito alto (11-15 pontos). O método propõe quatro graus de intervenção, que se relacionam ao nível de risco, a saber: não necessária; pode ser necessária, necessária, necessária o quanto antes e imediata, respectivamente12. Trata-se, portanto, de uma ferramenta útil e de fácil aplicação para prevenção de riscos, indicando condições de trabalho inadequadas. O programa do método encontra-se disponível on-line: www.ergonautas.upv.es/metodos/reba/ reba-ayuda.php13.

As atividades ocupacionais realizadas em serrarias e madeireiras apresentam risco ocupacional grau 3, de acordo com a classificação nacional de atividades econômicas e o nível de risco de acidente do trabalho associado14. No setor de serraria, percebe-se uma escassez de estudos acerca dos riscos biomecânicos posturais adotados no exercício das atividades, aos quais estão sujeitos os trabalhadores.

Assim, este artigo busca avaliar as posturas adotadas pelos trabalhadores de uma serraria, mediante a utilização do método REBA, com o objetivo de detectar possíveis riscos biomecânicos à saúde do trabalhador.

 

METODOLOGIA

O estudo foi realizado com 15 trabalhadores do sexo masculino envolvidos exclusivamente no setor de produção de uma serraria em João Pessoa, PB, que exerciam funções variadas em razão do posto de trabalho e adotavam posturas diferenciadas, de acordo com a atividade executada. Foram excluídos aqueles que exerciam outras atividades não-relacionadas à produção, como trabalhador do setor administrativo, motorista e auxiliar de serviços gerais. Os aptos a integrar a pesquisa foram informados sobre os objetivos, a metodologia e quanto à aceitação de participação. Todos concordaram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal da Paraíba.

As posturas adotadas pelos trabalhadores foram registradas por uma máquina fotográfica digital (modelo A502 - Samsung). As queixas musculoesqueléticas foram assinaladas no diagrama corporal de Corlett15. A análise dos níveis de risco das posturas selecionadas foi realizada pela ferramenta de análise postural REBA. Os dados referentes ao ambiente de trabalho, aos funcionários, à linha de produção, função e tempo na função foram coletados por meio de um questionário semi-estruturado.

A pesquisa foi realizada pela abordagem in loco no decorrer de cinco visitas, durante o horário normal de expediente e sem interrupção do processo de produção. Inicialmente foi feita a coleta dos dados pelo questionário semi-estruturado, envolvendo idade, grau de escolaridade, tipo de atividade, jornada de trabalho, tempo nas funções exercidas na linha de produção e tipos de equipamentos e máquinas utilizadas no setor. Os trabalhadores ainda foram indagados acerca do ambiente de trabalho, quanto a nível de ruído (muito barulhento, barulhento, agradável e silencioso), temperatura (muito quente, quente, agradável, frio e muito frio) e iluminação (agradável, muito claro com reflexão de luz, e escuro). A seguir, procedeu-se ao registro da indicação dos locais das queixas musculoesqueléticas utilizando o diagrama corporal de Corlett e, posteriormente, foram capturadas imagens das posturas adotadas por eles durante a atividade nos postos de trabalho.

A seleção das posturas a serem analisadas foi baseada na freqüência das respostas à pergunta: "Das posturas que você adota no trabalho, qual(is) a(s) que mais incomoda(m)?" Foram relatadas e selecionadas para registro fotográfico as seguintes posturas: flexão anterior do tronco com semiflexão dos joelhos com carregamento de carga; agachamento profundo; flexão ântero-lateral do tronco; e uso do corpo estendido como apoio (Figura 1).

 

 

Os dados coletados pelo questionário semi-estruturado e pelo diagrama corporal de Corlett foram analisados descritivamente; a avaliação biomecânica das posturas citadas como mais incômodas foi realizada pela aplicação do software REBA, que indica o grau de risco biomecânico e a necessidade de intervenção de acordo com a pontuação apresentada no programa.

 

RESULTADOS

Os trabalhadores da serraria estudada apresentaram idade variando entre 29 e 65 anos (média=44±10,9 anos) e tempo médio na função de 14,9±8,5 anos. O nível de escolaridade foi muito baixo: 92,3% tinham ensino fundamental incompleto e 7,7% eram analfabetos.

As principais atividades executadas pelos trabalhadores são: serrar, furar, lixar e montar os produtos comercializados, como portas, janelas, esquadrias e deques em madeira. Também foi observado que, nos postos de trabalho, os trabalhadores fazem muito levantamento de carga, ao transportar e manipular os produtos fabricados. Os equipamentos utilizados com freqüência são: aparadora, coladeira de bordas, desengrossadeira, esquadrejadeira, furadeira, lixadeira de cinta, desempenadeira, prensa, serra circular, seccionadora, serra de fita, torno manual e tupia. Todos (100%) os trabalhadores queixaram-se do esforço físico para operá-los e da intensidade de vibração em várias regiões do corpo, principalmente nos membros superiores.

O início das atividades começa com toras de madeira que serão cortadas e separadas para os mais diversos fins em uma jornada de trabalho de 8 horas/dia. Essas atividades são distribuídas entre os funcionários, que ficam responsáveis por cada etapa da linha de produção, conforme a Tabela 1.

 

 

Quanto aos dados ambientais sobre temperatura, ruído e iluminância, 80% informaram ambiente quente, 40% relataram como barulhento e 20% alegaram ser escuro.

As posturas adotadas que apresentaram mais incômodos foram: 40,0% flexão anterior do tronco com semiflexão dos joelhos com carregamento de carga; 13,3% agachamento profundo; 13,3% flexão ântero-lateral do tronco; 13,3% corpo estendido como apoio; e 20,0% não relataram nenhuma postura desconfortável. Os trabalhadores, pelo diagrama corporal de Corlett, referiram presença de desconforto em várias regiões corporais, principalmente na coluna vertebral (73,3%) - dos quais 46,7% na região lombar - e na região dos ombros (26,7%).

As quatro posturas submetidas à análise pelo método REBA receberam uma classificação variada quando relacionadas ao nível de risco biomecânico à saúde do trabalhador (Tabela 2). A aplicação do método REBA permitiu constatar o nível de risco biomecânico e a necessidade de intervenção. Na flexão anterior do tronco com semiflexão dos joelhos com levantamento de carga, o risco é muito alto, exigindo intervenção imediata; as demais posturas estudadas, com risco alto, também requerem intervenção.

 

DISCUSSÃO

A problemática central do estudo são os riscos biomecânicos das posturas adotadas pelos trabalhadores de uma serraria durante a execução de suas tarefas.

O uso do método REBA mostrou que existem riscos biomecânicos nas posturas estudadas e necessidade de intervenção. Esses dados assemelham-se aos de um estudo desenvolvido em marcenarias, usando a ferramenta OWAS, que identificou riscos biomecânicos em operadores de diferentes máquinas, demonstrando a necessidade de intervenções4. Além disso, foram evidenciadas em outros estudos sobrecargas físicas em trabalhadores desses ambientes2,3,5.

Em quase todo o processo de produção da serraria associado às posturas inadequadas ocorre o manuseio e levantamento de carga, que pode contribuir para o surgimento de desconforto e risco biomecânico, principalmente na coluna lombar, devido ao estresse biomecânico produzido, pois os movimentos do tronco parecem ser combinados com movimento da coluna gerado pela massa do objeto16. Essas atividades não sobrecarregam apenas a coluna vertebral: os membros superiores são igualmente exigidos para manter, transportar e levantar essas cargas. Essa sobrecarga é produzida por mudanças na configuração postural e utilização de força excessiva17.

O método REBA evidenciou que a postura mais crítica foi a flexão anterior do tronco. Essa postura induz o trabalhador a adotar uma postura da cabeça que produz aumento da lordose cervical para melhorar sua acuidade visual, além de aumentar a cifose torácica e a retroversão pélvica, com retificação da lordose lombar, interferindo na função fisiológica dos músculos do tronco e contribuindo para o processo de produção de forças sobre os discos intervertebrais, causando lombalgias. Estas se caracterizam por um distúrbio doloroso que gera transtorno à saúde e alta incidência de absenteísmo relacionado ao trabalho, nas ocupações que exigem esforço físico pesado, repetitivo ou contínuo. Recomenda-se que se evite essa posição durante atividades por tempo prolongado18, principalmente porque a lesão tecidual pode ocorrer em resposta às forças externas, mesmo em níveis baixos e modulados, com freqüência excessiva19.

No presente estudo, como evidenciam os resultados, essa postura é a que produz mais incômodo (40,0%) ou desconforto, sendo os trabalhadores mais acometidos por dores na coluna vertebral, em especial a região lombar, ratificando a presença de risco biomecânico evidenciado pelo método REBA com exigência de intervenção imediata.

O agachamento profundo foi outra postura avaliada, citada por 13,3% dos trabalhadores como provocando desconforto. Nesta, a linha de gravidade se desloca posteriormente ao eixo do joelho, aumentando o torque flexor20,21. Os isquiotibiais promovem estabilização no joelho mediante uma tração posterior na tíbia, para contrapor a força anterior imposta pelo quadríceps22. Se a amplitude de flexão do joelho ficar acima de 50º, haverá aumento das forças de cisalhamento anterior na articulação tibiofemoral. Se essa postura é adotada com a utilização de cargas externas, as forças de cisalhamento tendem a aumentar23. A permanência por um longo período de tempo e repetitivo poderá promover lesões articulares ou miotendíneas, síndromes por uso excessivo24, que podem se tornar crônicas e mesmo levar à incapacidade funcional.

Outra postura freqüente relatada como incômoda foi a flexão ântero-lateral do tronco. Esta é muito fatigante, pois exige trabalho estático da musculatura de membros inferiores e do tronco para sua manutenção. Mantê-la exige contrações contínuas e prolongadas da musculatura envolvida, o que afeta o fluxo sanguíneo muscular e, conseqüentemente, o transporte de oxigênio e nutrientes, bem como a remoção dos resíduos do metabolismo local que, ao serem acumulados, causam dor aguda e fadiga muscular10. Para manter a postura ereta, a principal carga que atua na coluna vertebral é a axial, requerendo o sinergismo dos músculos do tronco para sua manutenção. Tendo em vista que os braços de força dos músculos extensores do tronco são relativamente pequenos em relação às articulações vertebrais, esses músculos devem gerar grandes forças para neutralizar os torques produzidos ao redor da coluna, pelos pesos dos segmentos corporais e das cargas externas. Durante a flexão lateral e torção axial do tronco, são necessárias ativações mais complexas dos seus músculos para realizarem os movimentos de flexão e extensão da coluna vertebral, gerando forças de compressão discal25. Essas forças aumentam com o acréscimo do peso do corpo acima do disco vertebral (membros superiores, tronco e cabeça)24. Os movimentos de flexão anterior e torção axial repetidos ou em excesso, especialmente com carga, aumentam a probabilidade de incidência de hérnias de disco, ocasionando sintomas de dor. As duas posturas relacionadas à flexão do tronco ratificam nossos dados, de que 73,3% dos trabalhadores se queixam de algias na coluna.

Finalmente, em uma postura adotada para facilitar a execução de uma tarefa, o trabalhador usa o corpo para mover a alavanca de uma prensa da madeira. Conforme a postura adotada, o indivíduo usa seu próprio peso para puxar a prensa, com apoio anterior dos membros inferiores em semiflexão do quadril e joelho bilateralmente, com membros superiores estendidos sustentando a prensa próximo à linha dos ombros ou 90º de flexão, adotando um momento extensor do corpo. A capacidade do indivíduo de empurrar e puxar objetos depende do peso de seu corpo, da postura usada, da freqüência, duração da atividade, da força exercida, da estabilidade dos pés e da habilidade em transferir energia do corpo para o objeto. A força para puxar é dirigida posteriormente e aumenta consideravelmente o momento extensor e a força dos músculos eretores da coluna, devido ao curto braço de alavanca desse grupo muscular. Dessa forma, a carga sobre o disco intervertebral também é aumentada26.

Um recente estudo epidemiológico mostrou que o ato de empurrar e puxar carga são fatores de risco para desconforto musculoesquelético, principalmente para queixas na coluna lombar e ombros. Porém tornam-se necessários mais estudos para reconhecê-los como fatores de risco para as lombalgias e artralgias no ombro27. A freqüência e a severidade do desconforto agudo e crônico no ombro podem estar relacionados à tensão postural na qual está exposto durante o trabalho com uso de ferramentas pesadas e em ambiente de trabalho que não oferece condições biomecânicas ou ergonômicas adequadas28. Os distúrbios de ombro podem propiciar a saída precoce do trabalho devido a seu quadro clínico disfuncional e têm alto impacto na utilização dos serviços de atenção primária e secundária da saúde29.

A gravidade dos riscos biomecânicos inerente às posturas adotadas por esses trabalhadores foi indicada pelos escores do REBA, apontando para a necessidade de intervenção. Esses distúrbios podem ocasionar diferentes graus de incapacidade, sendo também responsáveis por gastos com afastamentos, indenizações, tratamentos e processos de reinclusão no trabalho. O trabalho não deve ter ênfase apenas na produtividade e no lucro da empresa, mas também na saúde daquele que executa a tarefa.

Embora o objetivo deste trabalho tenha sido cumprido, reconhecem-se algumas limitações. A principal está relacionada à ausência de uma avaliação, por instrumentos, das condições ambientais (temperatura, ruído e iluminância); outra diz respeito à limitação da pesquisa à localização da região de desconforto musculoesquelético, não investigando seu grau de intensidade, frequência e fatores que agravam ou melhoram a dor relatada. Estudos por meio de medidas diretas são necessários para quantificar o grau de risco biomecânico e melhor fundamentar os processos de intervenção preventiva e ergonômica.

 

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos, de que 100% das posturas selecionadas e avaliadas pelo método REBA apontam para riscos biomecânicos, indicam a necessidade de se fazerem intervenções ergonômicas e preventivas nas atividades executadas pelos trabalhadores da serraria, direcionando-os para uma correta adoção de posturas que favoreçam o melhor desenvolvimento de suas funções, com menor risco à sua saúde.

 

REFERÊNCIAS

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Autores

André Gustavo Soares de OliveiraI; Hanne Alves BakkeII; Jerônimo Farias de AlencarIII

IFisioterapeuta Especialista
IIFisioterapeuta Ms
IIIProf. Dr. do Depto. de Fisioterapia do CCS/UFPB


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Introdução O trabalho em larga escala com a utilização docomputador, no Brasil, teve início nos últimos 30 anos, alterando defini...

Análise da carga de trabalho de analistas de sistemas e dos distúrbios osteomusculares


Introdução

O trabalho em larga escala com a utilização docomputador, no Brasil, teve início nos últimos 30 anos, alterando definitivamente as relações do homem com o seu trabalho. Atualmente, muitos trabalhadores utilizam a informática em grande parte da sua jornada de trabalho, como é o caso dos analistas de sistemas, que são o objeto desta pesquisa.

Dessa forma, observa-se que as exigências dotrabalho informatizado são, principalmente, de atividades que envolvam os processos e as operações cognitivas, tais como monitoração, interpretação, tratamento de informações, resolução de problemas e memória (1, 2).

Algumas das várias causas do estresse são a alta exigência mental da tarefa, as grandes responsabilidades assumidas, os conflitos com a chefia, a insatisfação com o trabalho e os fatores organizacionais (3). Nessa perspectiva, em pesquisas de Gredilla e Gonzáles (4), Kawakami et al. (5) e Rocha e Ribeiro (6), os sintomas de estresse foram um fator importante encontrado em analistas de sistemas.

Assim, verifica-se a importância da avaliação da carga mental de trabalho desses profissionais. Tal avaliação é voltada para a medida da carga colocada sobre as habilidades cognitivas do operador (7). De uma forma geral, as técnicas subjetivas são as menos invasivas e possuem alta sensibilidade, tornando-se as mais importantes, e dentre elas destacam-se as ferramentas NASA-TLX e SWAT. A literatura vem apresentando pesquisas cujo enfoque é a mensuração de cargas mentais de trabalho, destacando sua importância nas taxas de produtividade, nos acidentes, no absenteísmo e na qualidade de vida no trabalho (8, 9).

Além dos problemas relacionados ao estresse, os trabalhadores que utilizam o computador durante grande parte da jornada de trabalho estão sujeitos aos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho (10-17).

No Brasil, os primeiros casos de LER/DORT surgiram com os digitadores na década de 80 e, a partir daí, a ocorrência desse grupo de doenças vem aumentado. No início da década de 90, as LER/DORT,juntamente com a surdez, tornaram-se as doenças do trabalho mais notificadas pelo INSS e as que mais demandaram serviços de saúde ao trabalhador (18). Segundo dados da Previdência Social, observa-seque, em 2002, foram registrados aproximadamente 22 mil casos de LER/DORT; em 2003, 23 mil; e em 2004 em torno de 27 mil casos. Ainda segundo o Ministério da Previdência Social, os gastos em 2005 com o pagamento de benefícios decorrentes de acidentes de trabalho atingiram a quantia de R$ 9,8 bilhões. Ainda assim, verifica-se que é consensual a opinião dos que atuam na área de que há uma subnotificação de cerca de 80% dos acidentes do trabalho, sendo boa parte destes contabilizados entre os segurados da Previdência Social que recebem benefícios não acidentários (19).

Graças ao alto custo no tratamento das LER/DORT e ao grande número de subnotificações, o Decreto n. 6.042 da Previdência Social entrou em vigor em abril de 2007 e regulamentou as mudanças na caracterização das doenças e acidentes relacionados ao trabalho, pelo novo sistema de nexo técnico epidemiológico (NTEP). Assim, as doenças ocupacionais passaram a ser caracterizadas tecnicamente pelaperícia médica do INSS mediante a identificação do nexo causal entre o trabalho e a doença, quando se verifica a relação entre a atividade da empresa - identificada pela Classificação Nacional de Atividade Empresarial (CNAE), e a doença ou sequela que motivou a incapacidade - identificada pelo Código Internacional de Doenças (CID).

A partir desse momento, a tendência é um grande aumento do número de notificações de casos de LER/DORT entre os trabalhadores, em razão da grande quantidade de casos que anteriormente eram subnotificados e também pela notificação de casos nos quais existe a relação do CNAE da empresa com o CID do distúrbio musculoesquelético do trabalhador, mesmo ele não exercendo atividade que poderia causar a lesão. Em corroboração, dados do INSS de 2007 mostram que houve aumento de 148%, em relação ao ano anterior, na concessão de auxílios doença de natureza acidentária, de que fazem parteas LER/DORT (20).

Os fatores causadores ou agravantes das LER/DORT têm sido bem discutidos e podem ser agrupados da seguinte forma: fatores físicos e biomecânicos, como posturas inadequadas, repetitividade de movimentos, velocidade exercida durante a tarefa, iluminação, ruídos e outros; fatores organizacionais, como pausas, ritmos, sazonalidade da produção, estruturas de horários, métodos impróprios de trabalho, forma da produção e outros; fatores individuais, como gravidez, doenças crônicas como artrite e diabetes, sexo, hereditariedade, prática de esportes, entre outros; e, por fim, fatores psicossociais, tais como satisfação no trabalho, relacionamento com os colegas, ansiedade e expectativa individual (21).

O trabalho informatizado impõe ao corpo posturas paradoxais: enquanto alguns segmentos corporais permanecem estáticos por longos períodos de tempo, como a coluna vertebral, outros segmentos, como os membros superiores, precisam realizar movimentos altamente repetitivos, impedindo igualmente a recuperação dos tecidos e das estruturas fisiológicas envolvidas nessa manutenção postural (22). Quando esse trabalho é realizado diariamente, ao longo de várias horas da jornada laboral, predispõe ao trabalhador o aparecimento de lesões. Dessa forma, verifica-se a necessidade de mudanças posturaisno decorrer da jornada de trabalho, como, por exemplo, a adoção de posturas como: ficar em pé, sentado,flexionado para frente e reclinado para trás.

O mobiliário de trabalho é um fator importante para promover o conforto, a segurança e a eficiênciados trabalhadores, no caso dos analistas de sistemas que realizam praticamente todas as suas atividades de trabalho utilizando o computador. Torna-se, assim, ainda mais importante um mobiliário adequado às características dos usuários, das tarefas e dos fatores organizacionais. Assim, os critérios para adefinição dos parâmetros do mobiliário dos postos de trabalho são selecionados a partir de observação do modo de execução da atividade, identificação das características físicas do ambiente e exigências relacionadas à organização do trabalho (23).

É importante observar que a aquisição de mobiliário ergonomicamente correto não é garantia suficiente para a solução dos problemas físico-posturais do trabalho (24, 25), sendo de muita importância os aspectos relacionados à organização deste. Dessaforma, quando o trabalho é conflituoso e desorganizado, propicia um acúmulo de tensão que pode ter repercussões sobre o corpo (26).

O fato de a automação e a informatização no mundo do trabalho trazerem consigo tarefas cujas exigências são de natureza predominantemente cognitivas solicita da ergonomia o desenvolvimento denovas abordagens teórico-metodológicas para apreender o funcionamento do homem de forma situada (2, 27, 28).

Assim, diante desse importante problema de saúde ocupacional, verifica-se a importância de avaliar as condições de trabalho dessa classe de trabalhadores, a fim de conhecer os fatores geradores de sobrecargas físicas e cognitivas e suas repercussões sobre os trabalhadores e propor melhorias para a diminuição dessas sobrecargas.

 

Métodos

O método de avaliação ergonômica utilizado foi o SHTM, descrito por Moraes e Mont'Alvão (29), o qualcompreende cinco fases: apreciação ergonômica; diagnose ergonômica; projetação ergonômica; avaliação e validação ergonômica; e detalhamento ergonômico e otimização. A proposta de intervenção ergonomizadora pode compreender apenas a 1ª etapa ou a continuação, em sequência, de todas as etapas, o que dependerá das necessidades e objetivos do projeto em questão. A presente pesquisa englobou as fases de apreciação e diagnose ergonômica.

A apreciação ergonômica é uma fase exploratória que compreende o mapeamento dos problemas ergonômicos da empresa. Consiste na sistematização do sistema homem-tarefa-máquina e na delimitação dos problemas ergonômicos. São realizadas observações assistemáticas no local de trabalho, entrevistas com os funcionários e registros fotográficos da tarefa. É nesta fase que se identifica a provável causa do problema a ser enfocado na diagnose. Todos esses procedimentos foram realizados em momentos convenientes para a empresa e para os trabalhadores sem provocar qualquer alteração ou perturbação na rotina de trabalho destes.

A diagnose ergonômica permite aprofundar os problemas priorizados na apreciação e termina comas recomendações ergonômicas aos postos de trabalho avaliados. Os instrumentos de diagnose utilizados foram: questionário para a avaliação do mobiliário, descrito por Couto (30); diagrama de desconforto corporal, sugerido por Corlett e Bishop (31); e avaliação de carga mental de trabalho por meio do NASA-TLX (Task Load Index), desenvolvido por Hart e Staveland, (32).

O NASA-TLX, como método multidimensional, demonstrou grande eficiência e praticidade quando comparado a outros métodos unidimensionais precedentes a ele (33). O NASA-TLX é um procedimento multidimensional que fornece uma avaliação quantitativa global da carga mental de trabalho, baseada na média ponderada da avaliação de seis dimensões dessa carga: exigência mental; exigência física; exigência temporal; nível de realização; nível de esforço; e nível de frustração. Esses conceitos são apresentados ao sujeito antes da aplicação do instrumento.

Destaca-se que o NASA-TLX apresenta a particularidade de ponderar as dimensões da carga mentalde trabalho, de acordo com a importância subjetiva (peso) atribuída pelo sujeito, multiplicada pela taxa aferida para cada dimensão da carga, visto que asdimensões da carga de trabalho variam de acordo com as tarefas/atividades e a forma como o sujeito as percebe. O grau com que cada uma das dimensões contribui para essa carga mental pode ser determinado pelo valor das taxas. Cada taxa é determinada a partir de um valor numérico aferido em uma folha que contém as seis dimensões em escalas graduadas sem valores numéricos. O sujeito assinala como ele percebe em que magnitude determinada dimensão contribuiu para a formação da carga mental de trabalho na tarefa, e o examinador posteriormente identifica o valor numérico vinculado ao nível assinalado pelo sujeito. Cada escala apresenta uma linha de 15 cm, dividida em 20 partes iguais ancoradas em descrições bipolares (baixa e alta).

O peso com que cada dimensão contribui para a carga mental de trabalho é aferido por meio de um conjunto de confrontos das dimensões dessa carga, em que são apresentados 15 pares das dimensões combinadas (todas as combinações possíveis). O sujeito deve escolher a dimensão que mais contribui para a carga mental de trabalho que ele percebe durante a execução da tarefa. Desse modo, cada dimensão pode ser selecionada desde nenhuma vez até cinco vezes. As taxas e os pesos de cada dimensão são obtidos após o sujeito ter efetuado a tarefa ou parte dela. As dimensões que apresentam maiorpeso na origem da carga mental de trabalho apresentarão maior peso na pontuação da carga de trabalho global, dando, dessa forma, um implemento em sensibilidade para a escala. Ao final do procedimento, é calculada a taxa global ponderada da carga mental de trabalho do sujeito. Essa taxa global ponderada é obtida por meio do somatório de todos os pesos multiplicados pelas taxas de todas as dimensões e esse valor é dividido por 15, oferecendo o valor final.

A amostra do estudo foi composta por 45 analistas de sistemas de um escritório de informática na cidade de Recife. Os dados foram coletados, tabulados, processados e analisados no software Microsoft® Excel 2003. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (CEP/CCS/UFPE), registro n. 030/07, e encontra-se de acordo com as normas vigentes.

 

Resultados

Apreciação ergonômica

O estudo foi realizado numa empresa pública federal de desenvolvimento de software, sediada na cidade de Recife, PE, composta por 128 analistas de sistemas. A amostra estudada foi escolhida aleatoriamente e formada por 45 analistas de sistemas com idade média de 31 anos, distribuídos em 30 homens e 15 mulheres. A jornada diária de trabalho é de 8 horas de segunda a sexta-feira, inicia-se às 8 horas da manhã e termina às 17 horas com intervalo para o almoço de 60 minutos. A empresa possui pausas para realização de ginástica laboral nos turnos da manhã e da tarde, de segunda a sexta-feira, para todos os funcionários, com duração média de 20 minutos.

Os analistas de sistemas da empresa pesquisada realizam as atividades de desenvolvimento, avaliação, teste e implementação de software por meio de pequenos grupos com cerca de quatro trabalhadores cada. Para realizar as atividades de trabalho, é necessário o uso do computador na maior parte do tempo. As reuniões ocorrem com frequência entre as equipes, para a definição de metas e procedimentos e a avaliação do andamento do trabalho. Assim, verifica-se que há uma frequente exigência mental no desenvolvimento das atividades de trabalho.

Problemas identificados

Os problemas foram identificados por meio de observação direta dos pesquisadores, durante as visitas ao local, de fotografias, de filmagens e de entrevistas informais com os trabalhadores e supervisores.

Foram encontrados problemas posturais durante a realização das atividades de trabalho, em que os trabalhadores pesquisados adotavam posturas sentadas inadequadas como, por exemplo, sentado inclinado para frente (Figura 1) e sentado sem apoiar as costas no apoio da cadeira. Outras posturas incorretas para a realização de trabalhos em terminal de vídeo foram observadas, como a flexão cervical acentuada durante a visualização do monitor e braços não apoiados na bancada de trabalho durante o uso do teclado e do mouse.

 

 

Em relação ao mobiliário de trabalho, verificou-se que muitos monitores estavam baixos (Figura 2), ou seja, posicionados abaixo do recomendado por diversos autores (altura da linha dos olhos do usuário) (34-36). Foi encontrada em alguns postos de trabalho, a ausência de espaço para apoio dos braços durante o manuseio do teclado e do mouse. As bancadas de trabalho não apresentavam regulagens de altura, não se adequando aos trabalhadores com elevada e baixa estatura. Não foram encontrados problemas relacionados à cadeira, pois as que são usadas pelos analistas de sistemas pesquisados são de boa qualidade e apresentam as regulagens necessárias para a adoção de uma boa postura de trabalho.

 

 

Verificou-se a ausência de apoio para os pés dos funcionários de baixa estatura, uma vez que a bancada de trabalho não apresenta regulagem de altura, o trabalhador necessita regular a cadeira na altura máxima para o uso do teclado e do mouse e, assim, não alcança o chão com os pés. Essa situação pode provocar compressão na região posterior da coxa, dificultando a circulação sanguínea nos membros inferiores (36, 37).

Em relação aos fatores organizacionais do trabalho, vários trabalhadores em entrevistas informais afirmaram que os prazos para a execução do trabalho eram curtos e que era frequente a realização de horas extras à noite e nos fins de semana. Apesar de esses fatores não terem sido mensurados nesta pesquisa, é importante verificar a sua importância, visto que a alta frequência de estresse nos analistas de sistemas é causada principalmente por prazos curtos para desenvolvimento das tarefas e sobrecarga de trabalho, principalmente sobrecarga mental (6, 38).

Após o levantamento inicial dos problemas encontrados pelos pesquisadores, iniciou-se a diagnose ergonômica, na qual, por meio dos questionários, procurou-se aprofundar e confirmar os problemas encontrados na apreciação.

Diagnose ergonômica

Análise dos questionários

A partir da análise dos questionários referentes às dores sentidas atualmente em regiões do corpo pelos entrevistados, foi possível obter o Gráfico 1, que aparece na sequência. A região do corpo onde a maioria dos entrevistados (n = 45) afirmou sentir dor foi a região da coluna lombar (71%), seguida pela coluna cervical (64%). Esses resultados são semelhantes aos encontrados por Rocha e Ribeiro (6) em analistas de sistemas que tinham maior prevalência de dor nas regiões da coluna lombar (57%) e cervical/ombros (55%) nos homens, e, nas mulheres, de 74% nas regiões cervical/ombros e 72% na coluna lombar. Campos (39) também encontrou resultados semelhantes com trabalhadores do setor de informática, em que as regiões com maior frequência de dor foram: coluna lombar (43,67%), ombro (37,34%) e coluna cervical (34,81%).

 

 

Na avaliação do mobiliário de trabalho quanto aoconforto e à posição dos itens analisados, obteve-se o Gráfico 2. Em relação à cadeira, 35% dos entrevistados afirmaram que ela é boa, 40% relataram que é regular e 25% classificaram como ruim. Aproximadamente 55% dos participantes apontaram como boa a bancada de trabalho, 30% como regular e 15% como ruim. A posição do teclado foi avaliada como boa em 40% dos casos, 35% como regular e 25% como ruim. Com relação ao posicionamento do mouse, 35% dos entrevistados afirmaram que é bom, 40% que é regular e 25% que é ruim. A posição do monitor foi classificada como boa por 29% dos entrevistados, 38% como regular e 33% como ruim.

 

 

Assim, percebe-se que o posicionamento do monitor foi o item que mais incomodou os usuários. A partir desses dados e com a ocorrência de vários monitores posicionados abaixo da linha dos olhos dos trabalhadores, o que foi observado na fase de apreciação, existe a possibilidade de se relacionar isso com a importante prevalência de dor encontrada na coluna cervical. Esses dados corroboram com Chaffin e Anderson (36), os quais concluíram que a tela do monitor, estando abaixo da linha dos olhos, aumenta a flexão da coluna cervical, causando aumento da exigência dos músculos extensores do pescoço para suportar o peso da cabeça.

A cadeira não foi um dos itens mais citados pelos entrevistados como um fator de desconforto, porém, por meio do questionário de dor, foi encontrada prevalência de dor na região lombar em 71% dos entrevistados. Isso pode estar relacionado com a postura ao sentar e com a permanência prolongada na posição "sentado". Os distúrbios lombares, em decorrência da postura sentada, podem ser justificados pelo fato de a compressão dos discos intervertebrais ser 40% maior na posição "sentado" que na posição "em pé", porém, tais problemas não são apenas decorrentes das cargas que atuam sobre a coluna vertebral, mas principalmente da manutenção da postura estática (30, 40).

A adoção de postura adequada ao sentar é muito importante para reduzir a sobrecarga na coluna lombar e, para isso, é necessário manter um bom ângulo entre o tronco e as coxas, que deve ser necessariamente maior que 90º e menor que 110º (23, 30, 40-42).

A avaliação da carga mental de trabalho por meiodo NASA-TLX pode ser evidenciada nos Gráficos 3 e 4. Verifica-se no Gráfico 3 que a demanda que apresenta a maior área no gráfico - ou seja, a que mais contribui para a formação da carga mental global - foi a demanda mental, com 67,95, e a menor contribuição ficou por conta da física, com 0,66. A cargamental global média dos trabalhadores foi de 13,23,como está evidenciado no Gráfico 4.

 

 

 

 

Assim, a partir dos resultados obtidos após a aplicação do NASA-TLX, percebe-se que a demanda mental é o fator mais exigido no trabalho dos analistas de sistemas, sendo o que mais contribuiu para a formação da carga mental global. Esses dados estão de acordo com os resultados encontrados por Rocha e Ribeiro (6), que em pesquisa com analistas de sistemas da região metropolitana de São Paulo encontraram a frequência de 59,1% e 76,4% para a fadiga mental em homens e mulheres, respectivamente.

Essa importante carga mental encontrada pode ser causada pela característica do trabalho, por ser uma tarefa de grande exigência de concentração, raciocínio, tomada de decisão e memória. Os principais fatores de incômodo e fadiga relatados por analistas de sistemas foram: prazos curtos, uso constante da mente e alto grau de responsabilidade (6).

É importante salientar que há uma constatação frequente: a de que os trabalhadores que desempenham tarefas com carga mental predominante queixam-se de perturbações físicas, tais como dores nas costas e no pescoço, corroborando os resultados encontrados nesta pesquisa (29).

 

Recomendações

Os benefícios da intervenção ergonômica em postos de trabalho informatizados se dão, principalmente, pela diminuição dos desconfortos musculoesqueléticos dos trabalhadores e por tornar o ambiente mais confortável e adequado para o trabalho (14, 16, 34, 43-47). Para isso, é necessário disponibilizar suporte de altura regulável para monitor no qual a sua borda superior fique na mesma altura dos olhos do usuário. Assim, evita-se a manutenção da flexão cervical durante a visualização do terminal de vídeo, diminuindo a exigência dos músculos extensores do pescoço para suportar o peso da cabeça. Verifica-se a importância de trocar as bancadas de trabalho, tendo em vista que as atuais não apresentam regulagens de altura, possibilitando, assim, que os usuários possam regular a altura da mesa de trabalho a suas dimensões corporais, levando ao maior conforto durante a execução das atividades. É necessário fornecer apoio apropriado para os pés, com regulagens de altura e inclinação, aos funcionários de baixa estatura, para dessa forma evitar que haja compressão da cadeira sobre a região posterior da coxa, dificultando a circulação sanguínea nos membros inferiores. É importante também realizar um estudo de avaliação dos prazos para a execução das tarefas para se verificar se estão de acordo com as capacidades dos trabalhadores para, dessa forma, diminuir a sobrecarga mental do trabalho, evitando o surgimento do estresse.

 

Considerações finais

Muitos dos problemas relatados até aqui, referentes aos constrangimentos posturais e à própria organização do trabalho, podem ser decorrentes da desinformação dos funcionários e da própria administração. Esses problemas poderiam ser minimizados com um trabalho de orientação sobre organização do trabalho e um treinamento para o uso correto do mobiliário.

Contudo, é importante ressaltar que somente o fornecimento de mobiliário adequado e a adoção de posturas corretas não são suficientes para eliminar a presença dos distúrbios músculo-esqueléticos relacionados ao trabalho, no caso de os funcionários estarem sujeitos a altas exigências cognitivas. As sobrecargas mentais que foram encontradas nos sujeitos desta pesquisa, como, por exemplo, a necessidade de concentração, de raciocínio, de tomada de decisão e memória, para o desenvolvimento das atividades de trabalho, em associação à pressão temporal podem levar ao estresse.

Atualmente, o estresse é um fator amplamente discutido e pesquisado por diversos cientistas aoredor do mundo. Sabe-se que uma das repercussões do estresse no corpo humano é sobre o sistema músculo-esquelético, que, graças à liberação de substâncias químicas pelo organismo na corrente sanguínea, pode provocar o aumento da tensão muscular. Esseaumento ocorre principalmente na região do pescoço e/ou da coluna lombar, podendo levar a alterações na circulação sanguínea da região e dos membros superiores e inferiores, predispondo o surgimento de distúrbios musculoesqueléticos e as LER/DORT.

Assim, pode-se concluir, por meio dos resultados encontrados e da literatura pesquisada, que a alta prevalência de dor musculoesquelética, principalmente na coluna lombar e cervical, entre os analistas de sistemas, pode ser causada pela presença de mobiliário inadequado, pela adoção de posturas incorretas e pela alta exigência mental das atividades desenvolvidas.

 

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 Autores:

Bruno Maia de GuimarãesI; Laura Bezerra MartinsII; Leonardo Soares de AzevedoIII; Maria do Amparo AndradeIV

IEspecialista, Mestre em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE - Brasil, email: bmguimaraes@hotmail.com
IIDoutora, professora da Pós-Graduação em Design da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), Recife, PE - Brasil, email: laurabm@folha.rec.br
IIIEspecialista, coordenador da Especialização em Fisioterapia do Trabalho da Faculdade Redentor, Recife, PE - Brasil, email: leoaz@uol.com.br
IVDoutora, professora do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE - Brasil, email: mamparoandrade@yahoo.com


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Ginástica laboral ajuda a diminuir faltas e a aumentar lucros



Uma parada de pouco mais de dez minutos para que os funcionários façam exercícios de alongamento e relaxamento pode ajudar as empresas a aumentarem seus lucros. Cresce no Brasil o número de pequenas empresas que apostam nas atividades físicas e terapias como forma de melhorar a concentração e aumentar a produtividade dos colaboradores.

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"Agora nós estamos passando por uma fase muito positiva, as empresas estão procurando prestadores de serviços mais organizados, para atender essa demanda do mercado, mas de forma organizada de forma profissional", diz Valquíria de Lima, da Associação Brasileira de Ginástica Laboral.

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A empresária Sílvia Marques, que também é professora de educação física, entrou nesse segmento em 2007, com investimento inicial praticamente nulo. Ela montou um escritório na própria casa e usou a estrutura e o computador que já tinha. Para ela, o capital humano é primordial nessa atividade.

"A gente tem que buscar os profissionais no mercado capacitados ou não. Se não estão capacitados, a gente vai capacitá-los para que possam estar atuando com qualidade dentro da empresa", revela.

O preço varia de R$ 800 a mais de R$ 10 mil por mês, conforme a quantidade de professores e o número aulas.

"Os programas de ginástica laboral são contratos anuais com renovações automáticas e isso dá certa segurança, não só pra gente como empresa, mas também para o próprio contratante, para que ele tenha a noção do que está tendo de resultado, porque um contrato pequeno ele não vai conseguir ver o resultado do programa", diz Sílvia.

O professor Rodrigo Ferreira vai duas vezes por semana a uma empresa de informática fazer exercícios com a equipe de trabalho. Uma de suas funções é fazer a correção da postura dos funcionários.

Ele orienta, por exemplo, as mulheres a evitarem sentar com a perna cruzada. "A gente pede também para afastar [as pernas], até pra facilitar o processo de circulação", diz o professor. Na sequência, vêm os exercícios. A sessão dura 12 minutos e os funcionários trabalham a região do pesçoco, mãos, pernas e, principalmente, coluna.

"A gente fica bastante sentado, então acaba sentindo dor sim. [Com os exercícios] melhora bastante", diz Andrea Oliveira, uma das funcionárias da empresa. Para Álvaro Machado, outra colaborador da empresa de informática, a pessoa trabalha mais disposta. "É isso que faz a diferença."

Arteterapia
Caso algum funcionário não queira ou não possa participar da ginástica laboral, a empresa de Silvia Marques também oferece a arteterapia. Trata-se de um trabalho diferente, que pode complementar a ginástica laboral ou ser feito como atividade única.

"O objetivo da arteterapia é fazer com que o colaborador sinta mais auto estima. Melhora sua auto confiança, estimula a criatividade, faz com que ele realmente perceba do que é capaz e isso reverte para o trabalho dele", explica a empresária.

Depois de um rápido aquecimento, os funcionários vão trabalhar com argila e, enquanto criam formas, vão relaxando.

"No começo tinha um preconceito grande com relação a perder tempo, milhões de e-mails pra responder, mas é uma ideia muito legal. Acho que o objetivo de desestressar é alcançado quando a gente faz alguma coisa do tipo", fala o funcionário Michel Marotti.

A colega Ana Lúcia Batata também é uma entusiasta da atividade. "Acaba somando com a parte de trabalho né, fica uma coisa mais legal pra gente trabalhar também", diz.

A aula de artes pós-expediente resulta em esculturas variadas e funcionários mais relaxados para o dia seguinte. A aula de arteterapia é feita duas vezes por semana e cada sessão dura 50 minutos. A empresa cobra R$ 1.200 por mês pelo serviço.

Para a gerente de Recursos Humanos da empresa de informática, Denise Camargo, as aulas não podem ser consideradas despesas, mas sim investimento, com retorno garantido. Depois de um ano de ginástica e arte na empresa, as faltas diminuíram e a produtividade dos funcionários aumentou.

"A empresa ganha profissionais mais felizes, mais descontraídos, com mais qualidade de vida e eu acho que o retorno é garantido", diz Denise.

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Produtividade pode aumentar em até 20% por meio das práticas ergonômicas. Call centers e outras empresas de telemarketing têm se beneficia...

Práticas ergonômicas melhoram produtividade




Produtividade pode aumentar em até 20% por meio das práticas ergonômicas. Call centers e outras empresas de telemarketing têm se beneficiado dos resultados de trabalhos de ergonomia. Profissionais da área apontam que a prática de atividades como ginástica laboral, massagens e orientações posturais garantem melhor produtividade e satisfação do funcionário.

Outro ponto positivo se refere à visibilidade no mercado. Algumas grandes companhias contratam serviços de telemarketing apenas de empresas que desenvolvem atividades de ergonomia.

No ano de 2007, foi aprovado o anexo II da NR 17 (Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho N° 17), que estabelece medidas de saúde e segurança no trabalho para a atividade de telemarketing.

Segundo a fisioterapeuta e proprietária da Fisiolíder – Gestão em Ergonomia, Carolita Vasconcelos, as instruções previstas pela norma, como horários de intervalo, capacitação e tipo de equipamentos a serem usados, passaram a contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. "Em média, o aumento na produtividade é de 20%, nas empresas que cumprem as mínimas exigências da norma, afinal um funcionário bem orientado e cuidado rende mais", afirmou.

De acordo com o diretor operacional de uma empresa de cobranças de Uberlândia, Luciano José da Silva, a principal melhoria percebida ao longo de dois anos, tempo no qual são desenvolvidos os trabalhos ergonômicos em sua empresa, foi em relação ao número de afastamentos. "Diminuiu muito o número de funcionários com licenças por questões de saúde como LER e outros problemas", disse. A empresa em que Luciano trabalha possui atualmente 215 funcionários, desses, 193 são operadores de telemarketing.

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