Foi encerrada no início da tarde desta quinta-feira, 28 de novembro, a audiência pública a respeito da inclusão do fisioterapeuta do tra...

Inclusão do fisioterapeuta do trabalho nas empresas foi tema de audiência pública no Senado


Foi encerrada no início da tarde desta quinta-feira, 28 de novembro, a audiência pública a respeito da inclusão do fisioterapeuta do trabalho no quadro de profissionais atuantes no SESMT - Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho

As equipes de profissionais de saúde ocupacional que compõem o SESMT são definidas pela Norma Regulamentadora nº 4 (NR-4), do Ministério do Trabalho, que dimensiona, de acordo com grau de risco da atividade desempenhada e do número de trabalhadores, qual a composição mínima das equipes. Atualmente a NR-4 contempla a presença de engenheiros e técnicos de segurança do trabalho, médicos e enfermeiros do trabalho, além de auxiliares de enfermagem do trabalho.

A audiência pública, convocada pelo senador Waldemir Moka (PMDB-MS), presidente da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, contou com a participação de representantes da Fisioterapia, dos setores empregadores e do Ministério do Trabalho.

Representando os especialistas em Fisioterapia do Trabalho, o presidente da ABRAFIT (Associação Brasileira de Fisioterapeutas do Trabalho), Arquimedes Penha, apresentou ao público presente à audiência um resgate histórico da atuação do fisioterapeuta em saúde ocupacional e ressaltou o foco preventivo da atuação desse profissional. "Nosso olhar é o de adequar o trabalho ao trabalhador, e não o contrário". Ele ressaltou, ainda, que já existem no Brasil cerca de 4 mil fisioterapeutas especialistas na área, atuando nos mais diversos segmentos. "Nossa atuação no local de trabalho nos permite mostrar ao trabalhador, estando ao lado dele, a melhor forma de trabalhar", defendeu Penha.

A fisioterapeuta Patrícia Rossafa Branco, representante do COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) apresentou dados que comprovam as vantagens da atuação dos fisioterapeutas nas empresas, "garantindo que o movimento humano aconteça sempre dentro de limites que devem ser respeitados".

Setor empregador é contra obrigatoriedade

Na qualidade de representante do setor empregador, José Luís Barros, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentou argumentos contrários à incorporação do fisioterapeuta do trabalho como membro das equipes do SESMT, pois compreende que a composição atual já atende às necessidades de saúde ocupacional nos locais de trabalho. "Quando é necessária a atuação de profissionais que não estão previstos pela NR-4, contratam-se serviços externos, para apoio às ações desenvolvidas pelas equipes internas", defende. Barros esclareceu, no entanto, que não é contra a atuação do fisioterapeuta do trabalho, mas sim à possibilidade de sua contratação pelas empresas ser compulsória. "Não faz sentido que o SESMT tenha todos os ramos do saber para desenvolver suas atribuições". Ao final de sua manifestação, expressou ainda sua preocupação a respeito da existência em número suficiente de fisioterapeutas especialistas na área ocupacional, caso a sua admissão pelas empresas se torne obrigatória.

Também convidado para compor a mesa de debates na qualidade de representante do setor empregador, o representante da FEBRABAN (Federação Brasileira dos Bancos), Nicolino Eugênio da Silva Junior, manifestou-se solidário aos argumentos do representante da CNI. "Quando necessário, o atendimento pelo fisioterapeuta pode ser realizado fora da empresa. Ele não precisa estar vinculado ao empregador", argumentou. E concluiu, ao afirmar que as empresas "não podem devem estruturar um centro médico".

Ministério do trabalho defende atuação multiprofissional

Rinaldo Marinho, Diretor do departamento de segurança e medicina do trabalho do Ministério do Trabalho, apresentou informações a respeito do contexto em que surgiu o SESMT, quando o Brasil era campeão mundial de acidentes de trabalho, principalmente acidentes que resultavam em mortes. Em seguida apresentou os dados mais recentes a respeito de segurança e saúde do trabalhador, que conta com o registro de 700 mil acidentes de trabalho anuais, sendo três mil destes com mortes. "Do total de acidentes, a maior parte dos casos envolve os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), além de distúrbios mentais e comportamentais".

Para Marinho, os resultados mostram que o cenário das questões de segurança e de saúde do trabalhador não é mais o mesmo que era há 30 anos. "Não somos mais o país campeão em mortes. Por isso, acredito que o modelo do SESMT precisa ser repensado". Ele afirmou que o Ministério do Trabalho defende que a saúde do trabalhador se faz com equipe multiprofissional e propõe uma revisão para a NR-4, de forma que as empresas possam dimensionar as equipes do SESMT. "A composição da equipe deve ser desenhada de acordo com a realidade e as necessidades de cada empresa", concluiu.

Fonte: Crefito-8

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Muitos trabalhadores costumam se estressar durante as tarefas, se preocupar se são bons o suficiente para o c...

Veja dicas para amenizar o estresse no trabalho



Globo News - estresse (Foto: Globo News)

Muitos trabalhadores costumam se estressar durante as tarefas, se preocupar se são bons o suficiente para o cargo e sofrer de ansiedade sobre questões relacionadas ao trabalho. Mas mudar a perspectiva de vida pode fazer uma enorme diferença, segundo três dicas do site de carreiras PayScale. Veja abaixo.

Psicologia positiva
Muitas formas de terapia encorajam as pessoas a focar nos problemas. Ao falar sobre eles, é possível trabalhá-los, resolvê-los e, assim, sentir-se melhor na vida. Porém, Martin Seligman, pai da "psicologia positiva", acreditava que pensar sobre o negativo era prejudicial, e que o caminho para a felicidade era prestar atenção às coisas que nos faziam felizes, e não às coisas que nos deixavam deprimidos.

Pesquisas da área de psicologia revelam que algumas empresas utilizam técnicas de psicologia positiva como ferramentas de gestão. E os trabalhadores podem encontrar nisso alívio para o estresse e a ansiedade, além de incentivo para executar melhor suas tarefas.

Concentre-se em habilidades, não nos pontos fracos
Talvez você seja hábil em organização, mas não em direcionar pessoas. Em vez de enfatizar sobre como você faz para dizer aos integrantes do grupo o que eles têm de fazer, reconheça que você é a melhor pessoa no escritório para organizar os funcionários em cada função no projeto. Encontre confiança em suas habilidades organizacionais, e peça ajuda para fazer discursos e dirigir os outros.

Ao concentrar-se no que você é bom, você vai construir a confiança em si mesmo que vai ser notada pelos outros. Você também vai se sentir melhor sobre si mesmo, e, provavelmente, vai executar melhor seu trabalho.

Concentre-se no lado positivo no outro
Reconhecer e valorizar o que os outros têm para oferecer é outro aspecto da psicologia positiva, que é especialmente útil no trabalho. Em vez de competir com colegas de trabalho, ou sentir-se inferior, reconheça que suas habilidades e talentos são valiosos. Por exemplo, o colega que fala alto no escritório pode ser uma boa pessoa para ajudá-lo a direcionar os demais do grupo no projeto que você está organizando.

Em qualquer caso, apreciar o lado bom dos outros tende a incentivar as boas relações de trabalho e um ambiente de trabalho menos estressante.

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A saúde do trabalhador encontra-se diretamente relacionada a fatores econômicos, sociais, tecnológicos e organizacionais engrenados ao perfi...

O lugar ocupado pela assistência fisioterapêutica: representações sociais de trabalhadores com DORT




A saúde do trabalhador encontra-se diretamente relacionada a fatores econômicos, sociais, tecnológicos e organizacionais engrenados ao perfil de produção e consumo, além dos fatores de risco de natureza física, química, biológica, mecânica e ergonômica presentes nos processos laborais produtivos. Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) articulam-se diretamente à realização de atividades ocupacionais e às condições de trabalho (1).

Os trabalhadores com DORT deparam-se com várias dificuldades diariamente, como: dor; limitações físicas; desrespeito e desconfiança por parte dos empregadores; humilhação e menosprezo observados na relação com médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); incompreensão da família; perda da capacidade laboral, dentre outs situações.

Os DORT são considerados uma epidemia mundial, de tratamento clínico e fisioterapêutico com difícil resolução, em virtude de sua gênese patológica multifatorial (3). Ikari et al. (4) referenciam que há poucos estudos sobre prevenção e intervenções na área da fisioterapia, havendo evidências de melhora dos sintomas na maioria dos estudos; porém, não há homogeneidade quanto aos tipos de intervenção. Assim sendo, os trabalhadores ficam a mercê de um diagnóstico incerto e de exaustivos tratamentos ineficazes.



Como consequência, esses indivíduos tornam-se incapacitados para a atividade laboral, repercutindo em estados e sentimentos de tristeza, angústia, depressão e impotência diante desse problema e da impossibilidade de ascensão social (4).



Os trabalhadores portadores de DORT, afastados pelo INSS, oneram com diagnósticos e tratamentos que não consideram a questão primordial dos diferentes aspectos da saúde desses trabalhadores adoecidos. Consequentemente, sobrecarregam as instituições previdenciárias com aposentadorias e indenizações, gerando grande impacto social e financeiro (5).



O conceito de representação social emerge como importante ferramenta nesse campo, uma vez que possibilita a integração de aspectos implícitos e explícitos do comportamento dos indivíduos, resultantes da interação social, o que nos leva à compreensão da realidade e dos fenômenos humanos a partir de uma perspectiva coletiva, sem perder o olhar da individualidade (6, 7).



Lançar mão da teoria da representação social para a compreensão do universo que abarca a saúde do trabalhador e as representações dos trabalhadores com DORT acerca da assistência fisioterapêutica configura-se como elo entre as interfaces do processo saúde-adoecimento e os serviços de saúde destinados a essa parcela da população.



Tendo em vista o exposto, acreditamos que o estudo das representações sociais da assistência fisioterapêutica fornece-nos um campo fértil para a aquisição de conhecimento, interpretação e reflexão de diferentes olhares, valores, interesses, posições e práticas que circulam entre os trabalhadores portadores desse agravo.



Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo analisar as representações sociais da assistência fisioterapêutica entre os trabalhadores portadores de DORT na cidade de Juiz de Fora (MG) e macrorregião.







Materiais e métodos



O presente estudo foi desenvolvido numa abordagem qualitativa, utilizando-se como referencial teórico a teoria das representações sociais (8), que busca conhecer e trabalhar aspectos particulares do universo dos significados, valores e atitudes, que compreendem o espaço das relações e fenômenos desses trabalhadores (9).



Realizamos a coleta de dados por meio de entrevista semiestruturada, que combinou a condução da abordagem à liberdade do trabalhador entrevistado em expor seus pensamentos, garantindo a espontaneidade das falas. Novas perguntas puderam ser incorporadas quando havia a necessidade de aprofundar determinado assunto ou de reajustar uma linha de pensamento. Cada entrevista foi realizada de forma individual com o trabalhador participante, e registradas por um microgravador.



A pesquisa foi realizada com trabalhadores afastados, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), inseridos no Programa de Reabilitação Física do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), pelo Departamento de Saúde do Trabalhador (DSAT), Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, Secretaria de Saúde do município de Juiz de Fora (MG). Para serem inseridos nesse programa, os trabalhadores devem ter uma renda mensal de até três salários mínimos, não havendo a obrigatoriedade de vínculo empregatício. Uma vez inseridos, esses indivíduos recebem mensalmente auxílio para transporte, dentro de uma trajetória de intervenções feita pelo DSAT.



Os entrevistados foram escolhidos a partir de um estudo quantitativo previamente realizado entre os trabalhadores inseridos no Programa de Reabilitação Física do CEREST. Foram selecionados para o estudo trabalhadores com nexo ocupacional de DORT, cadastrados e frequentes no referido programa desde o ano de 2006, que estavam em tratamento fisioterapêutico.



Segundo Turato (10), o número de participantes deve buscar, propositalmente, indivíduos que vivenciam o problema em foco e/ou têm conhecimento sobre ele. Foram entrevistadas 12 trabalhadoras, cuja idade variou entre 29 e 55 anos; caracterizadas de maneira que o anonimato permanecesse preservado, identificadas por suas iniciais. Desempenhavam diversas categorias profissionais, com renda mensal em torno de um salário mínimo: costureiras (três), domésticas (duas), serviços gerais (duas), auxiliar de fisioterapia, faxineira, operadora de caixa, secretária de digitação e enroladeira de papel higiênico. Verificamos que as trabalhadoras iniciaram suas vidas profissionais precocemente – a idade mínima descrita foi de 6 anos, e a máxima, 14 anos de idade, ambas consideradas como trabalho infantil.



O número de entrevistas encerrou quando as informações alcançadas foram consideradas suficientes e atingiram a chamada saturação, exaustão ou ponto de redundância (11), isto é, quando os temas e/ou argumentos começaram a se repetir, lembrando, conforme Minayo (9), que grandes números só seriam necessários para controle estatístico das variáveis.



Os participantes receberam informações sobre a pesquisa e, após concordarem em participar, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), sob o parecer n. 326/2007.



Seguimos como referência as três etapas cronológicas sugeridas por Bardin (12), para a organização da análise dos discursos: pré-análise, descrição analítica e interpretação inferencial. Após sua realização, as entrevistas foram transcritas em sua íntegra, analisadas em profundidade, com a definição de blocos temáticos. Inicialmente, os aspectos abordados pelos trabalhadores foram analisados, buscando as reincidências das informações e os temas nomeados.



Uma vez categorizadas as falas dos trabalhadores entrevistados, mediante os objetivos propostos, foram feitas as inferências necessárias com base na literatura científica, visando alcançar o objetivo deste estudo.



Os resultados da análise das representações sociais da Fisioterapia entre trabalhadores com DORT serão apresentados com os depoimentos apresentados em blocos temáticos.







Resultados e discussão



Seguindo as proposições para análise e interpretação dos dados, foram construídos e nomeados os blocos temáticos abaixo descritos de forma a expressar o conteúdo presente nas representações sociais das trabalhadoras envolvidas. No primeiro, abordamos a assistência fisioterapêutica representada pelas entrevistadas, destacando a satisfação e a insatisfação das trabalhadoras perante a assistência recebida; e no segundo, apresentamos o atendimento e o acesso aos serviços de atenção à saúde do trabalhador.



Bloco temático 1 – A representação da assistência fisioterapêutica



A literatura tem incluído a análise da satisfação dos usuários do SUS como um potencial indicador da qualidade da atenção à saúde. Entretanto, os aspectos de satisfação do paciente e sua opinião ainda encontram espaço a ser investigado no meio científico, contemplando mais a qualidade técnica das especialidades clínicas (13).



A assistência fisioterapêutica representada nas falas demonstra características que podem influenciar a satisfação recebida pelas usuárias. Nos discursos, algumas participantes referem melhora com a assistência fisioterapêutica recebida, outras referem benefício passageiro, relatando dependência do tratamento e uma critica o pouco tempo de aplicação dos recursos, admitindo-os insuficientes para o benefício duradouro, como retratam os recortes das entrevistas:




[...] Quando eu faço fisioterapia melhora bem a dor, eu estou fazendo a fisioterapia [...] passei dois meses sem fazer, foi quando a dor voltou, tinha melhorado bem. [...] Aí não posso ficar sem fazer [...] (DRL);
[...] Assim... eu sinto uma melhora. Ah! Eu me sinto bem, ela passa o ultrassom, aí eu me sinto bem. Ainda falei com ela que quando eu saio, chega lá fora, volta a doer, mas não é assim... é que eu me sinto dependente. Na verdade, eu me sinto dependente da fisioterapia [...] (JSA).

[...] Quando estou fazendo, eu sinto uma melhora, mas parou de fazer, começa a doer tudo de novo. Lá onde que eu faço, eles colocam muito pouco tempo. Eles falam que colocam dez minutos, mas não são dez minutos: são cinco minutos de ondas curtas, cinco minutos de choquinho, ultrassom não é nem dois minutos. Passa o gel, passa o ultrassom, acabou... Umas três rodadas, e acabou. A sessão mesmo não dura nem 15 minutos... é muito rápido, é muito rápido, estou sendo sincera (ARR).



A satisfação dos usuários com os serviços de fisioterapia pode ser considerada, já que essa especialidade reabilita as alterações ocasionadas pelos distúrbios cinético-funcionais, levando a sintomas traumato-ortopédicos, comumente encontrados em trabalhadores comprometidos com DORT (13).



Ikari (4) et al. apontaram grande variedade de intervenções fisioterapêuticas, dentre as quais se destacaram: fisioterapia convencional; treinamento de força, resistência e coordenação; programa individual de treinamento físico; alinhamento postural; diminuição da tensão neural; fortalecimento e alongamento; readequação ergonômica do ambiente de trabalho; grupos terapêuticos; orientações para exercícios; informações sobre DORT. Verificaram evidências de melhora dos sintomas, não havendo, no entanto, uma homogeneidade nos tipos de intervenção, levando-os a ressaltar a prevenção como a melhor opção para esses trabalhadores.



No que diz respeito ao tratamento do paciente portador de DORT, são evidentes os obstáculos encontrados pelos fisioterapeutas para executar essas atividades. A invisibilidade dos distúrbios, a evolução clínica imprevisível e a subjetividade da dor interferem drasticamente na definição de um plano de tratamento adequado (14).



As dificuldades advindas da assistência fisioterapêutica repercutem em períodos longos de tratamentos e na insatisfação dos resultados por parte das trabalhadoras com DORT, apesar de, ambiguamente, admitirem alívio dos sintomas, segundo depoimentos a seguir:




[...] Gostar, gostar, eu não gosto não... (risos) porque já estive até irritada, porque todo dia ter que sair de casa e fazer aquilo, durante uns 15 dias. Aquelas coisas que a gente faz lá, a gente faz até em casa. Botar a mão na água, fazer exercício [...]. O calor do abajur (risos) também... (LMBM).

[...] Você tem que fazer umas trinta sessões, até mais para você ter um resultado, um pouco de alívio da dor... um pouco de alívio. Até alivia aquele tempo ali, mas se você fica dois, três meses sem fazer, volta novamente. Eu vejo assim, eu tenho que viver para o resto da vida com a fisioterapia, entendeu? (EANL).

[...] Ah! eu já estou ficando cansada. Sinceramente, o tratamento em si é chato, o fato de você ter que se deslocar pra ir. Alivia um pouco... (MFE).



Encontramos, de modo quase equivalente, a menção da insatisfação quanto aos períodos longos de tratamento, evidenciando um problema advindo das características da doença, em função das limitações físicas, que afetam diretamente a qualidade de vida das trabalhadoras dentro de um contexto social.



Esse sentimento pode ser explicado pela visão reducionista do modelo biomédico adotado, por não considerar as dimensões sociais, psicológicas e comportamentais capazes de influenciar a doença (14).



As possibilidades de atuação do fisioterapeuta têm caminhado para maior adequação à política pública de saúde preconizada pelo SUS, na qual a valorização de prevenção e promoção da saúde e maior resolutividade dos atendimentos prestados representam um dos elementos norteadores das ações propostas (15).



Nas representações das participantes, percebemos certa reprodução da prática curativista, segmentada e pouco resolutiva, em que prevalece a utilização de equipamentos em detrimento das manobras corporais e holísticas:




[...] Acho que eles deveriam fazer exercício para poder esticar, entendeu? Porque eu sinto muita dor nas costas (ARL).

[...] Elas não dão atenção pra gente... elas ficam andando, você tem que ficar batendo na parede pra chamar alguém. Elas não ficam lá perto da gente. Exercício, eu não faço, tem que fazer sozinha, elas não ficam perto, aí dói para rodar a roldana. Eu não aguento, porque aí dói, entendeu? Tinha que ter uma pessoa para te orientar lá, né? Ajudar a rodar aquele "trem" lá... (AMS).

[...] É assim... nunca fiz massagem não, só os aparelhos que eu uso lá... ninguém nunca me pôs a mão. Era bom se tivesse uma pessoa que... fizesse massagem, alguma coisa assim, alguma coisa que... sei lá... Por exemplo, o braço, às vezes, quando está dormente, eu passo a mão e dá um alívio, passo a mão devagarzinho no ombro, aí eu me sinto bem... (EANL).



Para muitos usuários do serviço público, a qualidade no atendimento não está centrada em técnicas ou recursos físicos de alta tecnologia, mas na atenção desprendida ao ser humano (13).



As representações elaboradas pelos usuários mostram que a maneira como a assistência fisioterapêutica é operada ainda centra-se na resolução do problema de uma parte específica do corpo, e não numa valorização do sujeito integralmente.



O trabalhador portador de DORT deve ser visto de forma ampla, e não fragmentado em sintomas que reproduzem um modelo clínico reducionista, voltado somente para uma pequena parte do objeto: a doença e suas sequelas. Essa visão fragmentada reflete-se no perfil acadêmico do fisioterapeuta: muitos se voltam apenas para o processo de cura e reabilitação, com ênfase no modelo biomédico e individualista (16).



Augusto (14) et al. verificaram que a visão dos fisioterapeutas quanto à etiologia dos DORT encontra-se restrita, uma vez que desconsideram as atividades laborais como elemento importante dentro da multicausalidade do processo de adoecimento. Nessa perspectiva, é imprescindível considerar o indivíduo como um ser provido de aspirações, anseios e necessidades, inserido em um contexto social, ambiental, cultural e político. Assim, seguramente os resultados da assistência serão satisfatórios.



Alguns achados na literatura ressaltam a importância da reeducação postural e do reconhecimento dos próprios limites físicos, destacando a importância de uma rotina diária de exercícios físicos, que visa aumentar a flexibilidade, resistência e, consequentemente, melhora da capacidade funcional e residual do quadro álgico (17).



Percebemos, nos trechos a seguir, a ausência de tais atividades na assistência fisioterapêutica recebida pelas trabalhadoras e, até mesmo, um desconhecimento delas:




[...] Ah! um tipo de exercício! Um alongamento, outro para ver se mexe mais assim, para ver o que eu vou sentir... Um exercício mais confortável (MFE).

Olha... Uma coisa que eu gostaria muito de fazer (mas se fosse para fazer lá, eu não faria) é a hidroginástica. Porque o Sistema Único de Saúde, infelizmente, a gente vê que questão de higiene é zero (SMSR).

[...] Eu não sei se tem que fazer mais exercício. Eu faço lá o que elas passam, mas a gente fica sem orientação, né? Eu faço sozinha. Em casa, ponho só gelo (LAS).



Questões como o processo de educação em saúde, orientações domiciliares e incentivos da autonomia, como estratégias importantes para a promoção da saúde, não foram contempladas na prática desses profissionais. No estudo de Augusto (14) et al., foi verificada a relevância de fatores fundamentais para melhor qualidade de tratamento e prevenção dos DORT, segundo a percepção dos fisioterapeutas, destacando postura e posicionamento adequados no trabalho, bem como a prática de exercícios e alongamentos.



Intervenções fisioterapêuticas adequadas frequentemente demandam maior tempo de atendimento, envolvendo o contato físico com participação interativa entre paciente e terapeuta. Tais dimensões estão correlacionadas com a satisfação do paciente, e a comunicação configura-se como o principal elo que permeia os diversos aspectos do processo de assistência profissional (13).



Verificamos que a percepção da qualidade da assistência na reabilitação também é influenciada pelas manifestações de preocupação e atenção, por aspectos da relação interpessoal os quais ocorrem durante os atendimentos de fisioterapia (13), representando a satisfação entre as entrevistadas a seguir:




[...] As meninas são... elas têm paciência, elas são muito boas, pelo menos comigo, eu nunca tive problema com nenhuma fisioterapeuta. Eu faço a fisioterapia e alivia (EIPM).

[...] Então... Isso ajuda bastante na psicologia, na cabeça da gente. Você encontra com amigo, conversa um pouquinho, lá na fisioterapia mesmo a gente conversa bastante. É bom... eu gosto de fazer, faço lanche na rua (risos). A fisioterapia é boa (AMS).

[...] Então... Está sendo muito bom também. Eles (fisioterapeutas) conversam muito com a gente, explicam como deve fazer [...]. Eu melhorei bem, eu sentia uma dor insuportável aqui assim (na face), repuxava e qualquer esforço que eu fazia eu sentia essa dor (DRL).



Diante do relato dessas trabalhadoras, é possível verificar a necessidade de uma atenção capaz de responder à sua demanda por saúde. Nesse sentido, estudos alegam que humanizar a atenção e a gestão em saúde no SUS é uma forma de qualificar as práticas de saúde, como o acesso com acolhimento, a atenção integral e equânime com responsabilização e vínculo, além da valorização dos trabalhadores e usuários (18).



Uma característica muito comum entre os portadores de DORT é a dor crônica, difusa, presente em diferentes partes do corpo. Esse quadro é reconhecido como wind up (ventania), no qual existe um espalhamento da dor, ou seja, ela é transferida do local acometido para local saudável por meio de movimentos antálgicos e adoção de determinadas posturas (19). Esse é um aspecto valorizado pelos profissionais, conforme revelado pelas trabalhadoras entrevistadas, de acordo com os depoimentos:




[...] Eu quando falo de fisioterapia, o que eu penso é tipo um apoio. Porque elas variam também. Elas te perguntam se continua doendo, aí elas mudam que é para ver se ajuda também (EIPM).

[...] Aí eles vão mudando à medida que eu falo: "oh! Isso aí não está resolvendo não, estou saindo do mesmo jeito, não senti alívio nenhum". Aí eles vão mudando, e atualmente é o choquinho e o infra (SMSR).

[...] É igual o choquinho, eu sinto dor aqui, aqui... Aí eu falo com ela: "põe aqui pra mim". Às vezes ela põe aqui onde eu não sinto dor, entendeu? Tem que ficar falando. Ah! Na hora que eu estou fazendo o aparelho, como te falei, eu sinto uma melhora, mas é muito rápida (ARR).



Essa é uma prática bastante comum nos atendimentos fisioterapêuticos, conforme observado por Augusto (14) et al., como se o recurso físico aplicado fosse "correr" atrás da dor, impedindo sua distribuição para outras regiões. Para Driver (20), a intervenção fisioterapêutica requer um profissional apto a identificar e tratar um trabalhador com DORT de maneira holística, com conhecimento das implicações tanto no âmbito das disfunções mecânicas quanto nas questões psicossociais, incluindo satisfação no trabalho e mudanças do corpo em função da idade.



Nos relatos a seguir, podemos observar essas ponderações elencadas por Augusto (14) et al. e Driver (20):




[...] Isso já deve ter uns dois ou três anos. Ela me colocava na esteira, que ela falou que eu tava gorda, cheinha demais. Me colocava na bicicleta para não me dar dor no joelho. Quer dizer, o médico não pedia isso, mas ela falava: "vamos fazer isso para te ajudar... e te ajudar no seu tratamento. Porque quanto mais peso você tiver, mais vai forçar sua coluna". Aí, quer dizer, para mim aquele tempo era bom, só que depois trocou a fisioterapeuta aí... não voltou... (EIPM).

[...] Eu acho assim... Depois que eu fiz 40, a idade está aumentando e a dor está sendo pior (EANL).



É imprescindível pensarmos no desenvolvimento de recursos adaptativos para o resgate da autonomia dos trabalhadores portadores de DORT, por meio da atenção integral, que ultrapasse o modelo clínico individual, reconhecendo as limitações em outras dimensões, como a social e a emocional.



O resgate da autonomia desses profissionais é elemento essencial para as práticas de promoção da saúde e para edificação e construção do SUS (21).



A falta de contratações por meio de concursos públicos na esfera municipal pública altera a composição das equipes que poderiam responder às necessidades de uma demanda crescente de adoecidos no SUS. O número de fisioterapeutas para atuar em serviços próprios é insuficiente, implicando em demora nos atendimentos, além dos problemas de infraestrutura e tempo de espera, o que corrobora com o estudo de Machado e Nogueira (22), conforme recorte abaixo:




[...] Eu acho que lá deveria ter mais aparelhos, porque a gente espera muito tempo. E o que desanima é o tempo que você fica parado lá, entendeu? Cada dia que eu vou lá, só lá dentro, eu devo ficar umas duas horas por aí... Esperando, esperando e fazendo. E ainda tem o ônibus que demora demais. Para ir e voltar, eu gasto umas quatro horas (EIPM).



É preciso também considerar que o efeito insuficiente da assistência fisioterapêutica recebida entre as trabalhadoras entrevistadas, pode associar-se ao grau de limitação proporcionado pela gravidade do próprio adoecimento, somado à falta de continuidade da assistência recebida.




[...] A fisioterapia, na verdade, para mim é tudo. Eu gostaria de fazer mais vezes. Porque eu tenho certeza que se eu fizesse o tratamento adequado, ali, todo mês direitinho, talvez eu já pudesse estar na minha vida normal há mais tempo e não estar assim desse jeito até hoje, né? Realmente cada pessoa tem um organismo... Então cada pessoa reage ao tratamento de uma forma. Eu saía de lá do mesmo jeito (SMSR).

[...] Alivia a dor um bocado, aí quando eu paro de fazer, tenho que ficar esperando, agendar o vale-transporte para poder pegar. Vamos supor assim... Se você marca a fisioterapia hoje, aí o vale sai só daqui um mês (MJBS).



É importante ressaltar que a atuação do fisioterapeuta pode ser desenvolvida nos diversos níveis de atenção à saúde, sobre os quais incorpora a abrangência da complexidade da atenção ao indivíduo e a importância dos diferentes conhecimentos no processo de reabilitação.



Diante da necessidade de atenção integral à saúde e de ampliação e qualificação das equipes multiprofissionais que atuam nos serviços públicos de saúde, o Ministério da Saúde, pela Portaria n. 145/GM, de 24 de janeiro de 2008, propõe a criação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) para atuarem de forma integrada com toda a rede de serviços de saúde do sistema público, por meio de mecanismos de referência e contrarreferência. A criação do NASF prevê a participação do fisioterapeuta nessas equipes de saúde (23).



A experiência, o sentimento e a história de cada trabalhadora são fatores que devem ser reconhecidos no desenvolvimento das estratégias de intervenção terapêutica, conciliados com a expressão subjetiva do paciente (14). Emerge-se a necessidade de uma revisão e análise crítica e reflexiva sobre as práticas fisioterapêuticas empregadas atualmente, almejando uma assistência humanizada, integral e equânime em conformidade com os princípios e as diretrizes do SUS, bem como as políticas públicas de saúde vigentes.



Bloco temático 2 - O atendimento e o acesso aos serviços de atenção à saúde do trabalhador



Nesta categoria, procuramos analisar como as representações sobre o atendimento e o acesso se articula com a busca pelos serviços de atenção à saúde do trabalhador. As trabalhadoras apontam dificuldades de acesso aos serviços assistenciais do SUS, o que causa o agravamento da doença em função de um diagnóstico tardio e contratempos nos tratamentos, além da insatisfação com os atendimentos médicos.




[...] As consultas no SUS, hum..., assim, problemáticas demais, demora muito até você ter uma consulta. Quando eu fico dois meses sem fazer fisioterapia, aí volta, fico atacada de novo, as dores começam a voltar, aquela dor intensa, entendeu? Uma fisioterapia direta teria às vezes um resultado melhor... (EANL)

[...] Entrei com exame do braço em 2005... Só em 2008 saiu para eu fazer o exame. Demorou três anos, aí quando eu levei no médico, ele olhou e falou: "isso aqui não vale mais nada". Eu me senti humilhada. Ele falou: "seu exame aqui não tem valor nenhum". Então, aquilo para mim foi uma humilhação! (MJBS).

[...] Infelizmente, os médicos do SUS atendem muito mal, muito mal mesmo!. Você sai dali e já está assim... Quando está sentindo as coisas, já está por baixo, quando faz isso com a gente, a gente vai para o chão... A gente fica sem chão, completamente sem chão... E são vários (médicos) que fazem isso (DRL).



Diante do exposto, podemos perceber o alto grau de desarticulação das práticas e serviços de saúde, contrapondo ao princípio da integralidade proposto pela Reforma Sanitária e pelo advento do SUS.



O princípio da integralidade é desrespeitado não só pela falta de uma atenção á saúde integral e contínua, mas também pela presença de práticas fragmentadas e reducionistas, nas quais não é verificada a busca pela compreensão holística do indivíduo e há ainda a presença de um modelo biomédico e individualista (24, 25).



Já vimos anteriormente que a assistência fisioterapêutica tem sido prestada às vezes de forma "equivocada" e com baixa resolutividade, o que gera descrédito por parte dos médicos quanto a esse tipo de assistência:




[...] Aí ele (médico) falou assim comigo: A fisioterapia não vai fazer efeito nunca, porque já não faz e você trabalhando é pior ainda..." (EIPM).



Dessa forma, entendendo a complexidade do processo de saúde-doença, devemos buscar o trabalho multidisciplinar, a autonomia de todos os profissionais de saúde e a troca constante de conhecimentos e saberes.



De acordo com dados da literatura científica, sabemos que existem inúmeros tratamentos fisioterapêuticos que permitem resultados positivos, como: redução do quadro álgico, melhora do estado geral e funções físicas, diminuição do absenteísmo, ganho de força muscular e resistência, melhora no controle motor, desempenho físico, diminuição do estresse ocupacional e aumento da produção. Cabe ressaltar, ainda, que a atuação de uma equipe multidisciplinar é essencial para a obtenção de resultados positivos (4).



Outro aspecto destacado pelas trabalhadoras foi em relação aos médicos peritos do INSS. A importância do reconhecimento da existência de doença e de sua repercussão foi descrito como fundamental numa boa relação profissional-paciente; a ausência desse aspecto é considerada por elas como um desrespeito:




[...] Eu não aguento fazer perícia, dá nervoso. Eu não sei, eu tenho medo toda vez que eu vou lá. Eu não gosto do perito. Eles puxam muito meu braço, apertam, puxam pra lá, puxam pra cá, mandam eu levantar meu braço. Eu não levanto o braço... Eu quase morro, incha tudo, isso nem cabe no meu braço (tipoia), incha tudo. O perito tortura muito a gente, demais, falta só perguntar o que você come. Eu tenho pavor de fazer perícia! (AMS).

[...] Igual ao perito... Falou que sugeria me reabilitar. Eu respondi pra ele, eu fui sincera e falei: "Doutor! O senhor vai me reabilitar em quê? As mãos nada valem... a cabeça, pior ainda, que reabilitação que o senhor pensa em me dar?". Porque eu preciso das mãos e da cabeça também, para pensar. Eu falei com ele: "Está tudo ruim, está tudo ruim, você entendeu?" (EIPM).



As representações das trabalhadoras acerca dos atos periciais revelam a ausência de uma atitude investigativa sobre o processo saúde-doença no ambiente de trabalho. Mostra, ainda, o desrespeito às queixas das trabalhadoras, característica do modelo biomédico que valoriza e se detém meramente aos aspectos físicos do adoecimento.



O significado desse adoecimento e da incapacidade laboral destaca uma lacuna extremamente dolorosa para o indivíduo: a destruição de projetos de vida. Esse fato culmina na perda significativa da identidade pessoal e profissional, já que elas deixaram de ser respondidas pelo meio social em função das transformações impostas pela doença (26, 27).



Segundo Melo e Assunção (28), a decisão pericial diz respeito à existência ou não de doença, incapacitante ou não, tendo em vista exigências específicas da atividade profissional do segurado, podendo resultar, ou não, no deferimento do benefício por incapacidade pleiteado, em conformidade com a legislação vigente.



Takahashi e Iguri (29) consideram que as práticas atuais de reabilitação estão atreladas à regulação econômica do sistema pela contenção de despesas com benefícios e distanciadas da proteção social dos trabalhadores. Na realidade, os trabalhores encontram-se desassistidos de reabilitação profissional, o que corrobora para o aumento da sua desvantagem social por ocasião do retorno do trabalho (30).







Considerações finais



A visão estritamente fisiopatológica dos DORT, baseada no modelo biomédico, não apresenta resultados satisfatórios e eficazes da assistência fisioterapêutica conforme representado pelas trabalhadoras entrevistadas. Essa abordagem adotada acarreta na não resolução dos quadros álgicos, períodos extensos de tratamento fisioterapêutico, sobrecargas dos serviços públicos de saúde e repercussões no âmbito emocional e socioeconômico dessas trabalhadoras.



Em virtude do pensamento reducionista na assistência ao tratamento dos trabalhadores com DORT, emerge a necessidade de equipes interdisciplinares aptas e devidamente qualificadas para atender esses trabalhadores. Dentro dessa perspectiva, a contribuição do fisioterapeuta pode ser elemento importante para a consolidação de tal construto, desde que sua prática seja permeada pelos princípios da integralidade e da equidade.



No entanto, o que observamos é que a prática desse profissional encontra-se fragmentada e desarticulada com os princípios e as diretrizes que norteiam o SUS, contrapondo a políticas públicas de promoção da saúde e humanização, e violando o direto à saúde, garantido constitucionalmente.



Configurados como síndromes complexas, vistos de maneira fragmentada dentro de uma concepção mecanicista do organismo humano, e caracterizados por seus sintomas subjetivos e pela ausência de sinais clínicos objetivos, os DORT representam na íntegra, do ponto de vista da saúde pública, um grave problema que demanda atenção e medidas de caráter emergencial.



É fundamental a transformação das práticas hegemônicas, baseadas em modelo biomédico e curativista, para a implementação de práticas que priorizem a visão holística e integrada do trabalhador portador de DORT, objetivando, assim, a garantia do bem-estar e da qualidade de vida desses indivíduos.







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Vanusa Caiafa CaetanoI; Danielle Teles da CruzII; Girlene Alves da SilvaIII; Isabel Cristina Gonçalves LeiteIV



IDoutora em Saúde pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), professora adjunta da Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG - Brasil, e-mail: vcaiafa@gmail.com
IIMestre em Saúde Coletiva, professora assistente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Câmpus Avançado de Governador Valadares, Governador Valadares, MG - Brasil, e-mail: danielle.teles@ufjf.edu.br
IIIDoutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP), professora adjunta da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG - Brasil, e-mail: girleneas@terra.com.br
IVDoutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública, professora adjunta da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG - Brasil, e-mail: isabel.leite@ufjf.edu.br

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Sentimentos ou pensamentos de depressão podem estar associados a lesões musculares ou articulares. Quando dor e sintomas depressivos oco...

Lesões relacionadas ao trabalho e sentimentos de depressão: o papel potencial da fisioterapia



Sentimentos ou pensamentos de depressão podem estar associados a lesões musculares ou articulares. Quando dor e sintomas depressivos ocorrem em conjunto, podem levar a problemas duradouros. Pode ser difícil saber se estes pensamentos e sentimentos são causados pela dor ou algum outro problema.
Os fisioterapeutas se concentram no tratamento dos problemas músculo-esqueléticos, no entanto, para alguns pacientes, sentimentos de depressão pode facilitar o tratamento projetado para diminuir a dor e melhorar a função.
Outros pacientes porém, podem necessitar de tratamento especializado para os sintomas de depressão, além de fisioterapia. Isto é especialmente verdadeiro quando os pensamentos depressivos e sentimentos persistem, a dor não é resolvida, e o indivíduo não conseguiu retornar ao trabalho. 

Novos insights
Num relatório com 106 pacientes com acidentes de trabalho envolvendo as costas ou pescoço foram estudadas durante a fisioterapia, após a fisioterapia, e um ano mais tarde. Curiosamente, os sentimentos e pensamentos de depressão diminuíram em aproximadamente 40% dos pacientes após a fisioterapia para tratar a dor e as limitações funcionais.
Os pacientes cujos sentimentos deprimidos melhoraram foram mais propensos a voltar ao trabalhar e referiam menor intensidade de dor um ano após o tratamento. Os que não melhoraram tinham menos probabilidade de ter retornado ao trabalho.
Estes resultados indicam que os sentimentos e pensamentos de depressão podem diminuir a  volta ao trabalho para certas pessoas quando recebem fisioterapia para tratar da lombalgia ou cericalgia.


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Em meados de 1998, um primeiro grupo de fisioterapeutas atuantes na saúde do trabalhador se mobiliza para criar a Associação Nacional de Fis...

O reconhecimento da especialidade em fisioterapia do trabalho pelo COFFITO e Ministério do Trabalho/CBO




Em meados de 1998, um primeiro grupo de fisioterapeutas atuantes na saúde do trabalhador se mobiliza para criar a Associação Nacional de Fisioterapia do Trabalho, com o objetivo de organizar e normatizar essa área em grande crescimento no Brasil. Em 2003, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) publicou a Resolução 259/03 que reconhece a área de atuação da Fisioterapia do Trabalho, dando referência aos procedimentos em saúde do trabalhador do profissional fisioterapeuta. A partir daí, mais grupos se reuniram em prol desse objetivo, culminando em 2006, durante o II Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho (Fisiotrab) em Curitiba/PR, com a criação da Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho (ABRAFIT) entidade única existente hoje no Brasil a representar essa especialidade, instituída sob a égide de união e reconhecimento, focada nos objetivos de fortalecer a união dos grupos até então existentes e visando, no decorrer da sua existência, o reconhecimento do profissional fisioterapeuta do trabalho.

Com o aumento de profissionais atuando em fisioterapia do trabalho, somando esforços, a grande luta da ABRAFIT, por meio de seus Conselheiros atuantes em diferentes Estados brasileiros, buscou-se o reconhecimento da especialidade pelo COFFITO e a divulgação às empresas desse profissional, sua importância, diferencial e competências, o que frutificou, em 13 de junho de 2008, na aprovação da Resolução 351/08 pelo COFFITO, que reconhece a especialidade em fisioterapia do trabalho. Com essa importante conquista, a etapa seguinte foi a de que o Ministério do Trabalho (MTE), por meio da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), descrevesse para o mercado brasileiro quem é esse especialista, especificando e detalhando suas práticas comprovadas nessa área, distinguindo áreas de atividade, competências pessoais e recursos de trabalho, o que aconteceu nos meses de junho e julho de 2008, quando o MTE/CBO nos convidou a participarmos dessa descrição por estarmos no mercado há muitos anos atuando na fisioterapia do trabalho especificamente. Essa descrição foi realizada pelo Sistema DACUM, onde um passo-a-passo em etapas é descrito e desmembrado em subitens.

A descrição emitida pelo MTE/CBO destaca que o especialista fisioterapeuta do trabalho executa: avaliação a clientes e pacientes (funções musculoesqueléticas; avaliação ergonômica; qualidade de vida no trabalho); estabelece o diagnóstico fisioterapêutico (coleta dados; solicita exames complementares; interpreta exames; estabelece prognóstico; prescreve a terapêutica; estabelece nexo de causa cinesiológica funcional ergonômica); planeja estratégias de intervenção (define: objetivos, condutas e procedimentos, frequência e tempo de intervenção; indicadores epidemiológicos de acidentes e incidentes; programas de atividades físicas funcionais; participa na elaboração de programas de qualidade de vida); implementa ações de intervenção (interpreta indicadores epidemiológicos de acidentes e incidentes; implementa ações de conscientização, correção e concepção; analisa fluxo de trabalho; presta assessoria; adequa as condições de trabalho às habilidades do trabalhador; adequa fluxo, ambiente e posto de trabalho; implanta programas de pausas compensatórias; organiza rodízios de tarefas; promove a melhora de performance morfo-funcional; reintegra trabalhador ao trabalho; aplica a ginástica laboral); educa em saúde (propõe mudanças de hábito de vida; orienta clientes, pacientes, familiares e cuidadores; ensina e corrige modo operatório; implementa a cultura ergonômica; desenvolve programas preventivos e de promoção de saúde); gerencia serviços de saúde (elabora critérios de elegibilidade; elabora projetos; elabora e avalia processos seletivos; supervisiona estágios; analisa custos); executa atividades técnico-científicas; trabalha com segurança; comunica-se (registra procedimentos e evolução de clientes e pacientes; orienta profissionais da equipe de trabalho; emite relatórios, pareceres técnicos, atestados, laudos de nexo de causa laboral).

Essa descrição desenvolvida pelo MTE/CBO recebeu o código número 2236-60, como sendo do especialista fisioterapeuta do trabalho, e, a partir de agora, as empresas poderão realizar seus contratos de trabalho direcionados a especialidade/especialista.

Com todas essas conquistas, a partir de agora, a ABRAFIT está providenciando junto ao COFFITO e à Associação dos Fisioterapeutas do Brasil (AFB) o convênio para realizar as titulações de especialistas fisioterapeutas do trabalho. Os critérios para titulação estão descritos e aguardam aprovação do convênio para serem formalizados. Dessa maneira, durante o ABRAFIT-2009, primeiro Congresso Brasileiro da entidade, que acontecerá de 26 a 28 de agosto deste ano, serão realizadas as avaliações para titulação de especialistas, e, neste primeiro momento, serão titulados profissionais comprovadamente com experiência, especialização em fisioterapia do trabalho e com especializações em áreas correlatas. Os demais critérios serão divulgados no site da entidade: www.abrafit.fst.br.

Essa é uma área em franca expansão não apenas no Brasil, mas em vários países e que tem sido gratificante para os fisioterapeutas que a escolheram. É uma realidade diferente das outras áreas da fisioterapia, pois esse profissional se relaciona contratualmente com pessoas jurídicas, necessita de uma visão empresarial, raciocínio estratégico bem estruturado, grande conhecimento da ergonomia, biomecânica ocupacional, legislação trabalhista e previdenciária, além das habilidades conquistadas na graduação.

Temos ainda muito a percorrer nesse caminho, em que a união de profissionais atuantes na fisioterapia do trabalho, que organizadamente se prontificam a continuar buscando o reconhecimento legal e técnico-científico, faz com que, cada vez mais, essa área de atuação receba o merecido reconhecimento pelas empresas, governo, sociedade e, principalmente, pelos trabalhadores, foco da nossa atuação.

Lucy Mara Baú
Coordenadora de Relacionamento Institucional da Abrafit

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As interações entre o trabalho e o homem são bases de pesquisas da biomecânica ocupacional na qual se a nalisam, essencialmente, a ...

Artigo: Aspectos da biomecânica ocupacional na abordagem fisioterapêutica preventiva


As interações entre o trabalho e o homem são bases de pesquisas da biomecânica ocupacional na qual se analisam, essencialmente, a aplicação de forças e tensões a que os grupos musculares são mantidos durante uma determinada postura no desempenho das atividades laborais. Esse comportamento postural adotado pelos trabalhadores, resumidamente, é influenciado pelas características da tarefa e pelo meio ambiente de trabalho, estes fatores

 podem desenvolver sobrecargas e aumento do gasto energético com conseqüente produção de tensões nos músculos, ligamentos e articulações resultando em desconfortos e dores, que são precedentes de doenças ocupacionais.

A abordagem da fisioterapia cresce a cada dia principalmente pela descoberta da importância do investimento em ações preventivas no combate aos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. É interessante inicia essas ações com a desmistificação do processo patológico e o estímulo da consciência postural do funcionário perante os utensílios de trabalho, inclui-se também campanhas educacionais, implantação dos princípios ergonômicos no ambiente de trabalho e desenvolvimento de técnicas de alongamento e relaxamento através de exercícios laborais.

O objetivo desta pesquisa engaja-se tanto nos constituintes dos aspectos biomecânicos ocupacionais quanto nas ações preventivas no âmbito da fisioterapia do trabalho. Trata-se de um tema com estimado interesse social, pretendendo elucidar as características do processo saúde/doença das atividades laborais visando uma melhoria das condições profissionais e conseqüentemente poder contribuir para uma boa qualidade de vida no trabalho.

 

METODOLOGIA

 

Esta pesquisa foi realizada a partir do levantamento bibliográfico sobre o tema, foram consultados diversos artigos em português, obtidos durante o período de 1990 a 2005. Parte da consulta foi conseguida em dados científicos disponibilizados nas páginas eletrônicas da Internet, como:

Bireme/OPAS/WHOLIS/OMS – Sistema Integrado de Informações do Centro Latino-Americano de Informações;

www.eps.ufsc.br – Página de base de dados da Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina;

www.usp.br – Página de bases de dados de Pós-graduação da Universidade de São Paulo.

www.scielo.br/scielo.php – Página de dados em página eletrônica.

O restante foi pesquisado em livros, periódicos e publicações de tese de doutorado e dissertações de mestrado.

As palavras chaves utilizadas na pesquisa foram: biomecânica ocupacional, fisioterapia preventiva, doenças ocupacionais, LER/DORT e ergonomia.

 

DESENVOLVIMENTO

ERGONOMIA

 

Os avanços tecnológicos e a necessidade de competir no mercado acabaram por determinar transformações constantes no ambiente de trabalho e nos processos de produção1. Tais avanços evidenciam um novo paradigma de organização das relações econômicas, sociais e políticas e se apóiam na conjugação de abertura de mercados e no desenvolvimento acelerado da tecnologia microeletrônica. Nesse sentido, a evolução tecnológica presente em todas as esferas da produção provocam alterações na dinâmica laboral desenvolvidas nas empresas e indústrias, interferindo sistematicamente na organização do trabalho e na ampliação dos fatores que podem provocar agravos à saúde dos trabalhadores como aqueles relacionados às DORTs – Distúrbios Osteomusculoligamentares Relacionados ao Trabalho2.

Na realidade, o homem no seu processo evolutivo sempre buscou aprimorar suas ferramentas de trabalho com o intuito de transformar tarefas árduas em atividades práticas e menos agressivas à sua constituição fisiológica3. Lima (2003) confirma que a influência dos processos de globalização, a competitividade desenfreada do mercado financeiro, a quebra progressiva dos vínculos trabalhistas, a busca de resultados considerados inatingíveis, as novas tecnologias exigindo dos profissionais uma constante reciclagem e o excesso de oferta de trabalho, para as empresas, têm provocado mudanças estruturais na sua organização do trabalho, influenciando diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores4. Com esta perspectiva, coloca-se em análise a adaptação das ferramentas e do ambiente de trabalho ao homem, constituindo o enfoque de estudo da ergonomia.

Em uma abordagem concisa conceitua-se a ergonomia como uma ciência que estuda o relacionamento entre o homem e seu ambiente de trabalho, reunindo os conhecimentos da antropometria, fisiologia e psicologia, e das ciências vizinhas aplicadas ao trabalho humano, na perspectiva de uma melhor adaptação dos métodos, meios e ambientes de trabalho ao homem5. A ergonomia também é relatada como sendo a ciência da configuração de trabalho adaptado ao homem6. A partir dessa perspectiva, diversos autores evidenciaram a importância de se considerar as questões psicofisiológicas e biomecânicas ocupacionais, bem como seu modo organizacional.

A ressalva da ergonomia se dá pelo comprometimento ético com o ser humano visando ao funcionamento harmônico e seguro dos sistemas homem-máquina7. Essa contribuição é incomensurável e as conseqüências sobre a abordagem do fator humano ainda não foram assumidas8. O que torna vivo o descaso por parte dos empresários relativo à saúde e a qualidade de vida do trabalhador no ambiente laboral.

As contribuições da ergonomia no âmbito das melhorias nas condições de trabalho se dão pela busca da compreensão as atividades dos indivíduos em diferentes circunstâncias de trabalho com vista à sua transformação9. A área de trabalho, os equipamentos e as ferramentas devem ser bem projetadas para que sejam evitadas solicitações excessivas e desnecessárias da atividade muscular, adaptando-as às características psico-fisiológicas-antropométricas e biomecânicas humanas10. Deste modo, enfoca-se a situação de trabalho inserida em um contexto sociotécnico, a fim de configurar as lógicas de funcionamento e suas repercussões, tanto para a qualidade de vida no trabalho, quanto para o desempenho da produção.

A imposição dos ritmos de trabalho intensos e jornadas prolongadas, atreladas a posturas incorretas e ambientes ergonomicamente inadequados ao trabalhador são interpretadas como causa do comprometimento da sua saúde e da sua destreza nas tarefas habituais, predispondo-o ao desenvolvimento de doenças ocupacionais11. A etiologia das LER/DORTs retrata várias casuísticas interligadas, como fatores psicológicos, biológicos e sociológicos envolvidos na gênese desses distúrbios12. No início eram decorrentes preponderantemente das condições de trabalho, mas com o aumento explosivo da incidência entre várias categorias profissionais, surgiram novas correntes explicativas que se deparam em busca de uma compreensão quanto o aspecto etiológico, diversos pesquisadores convergem para uma etiologia multifatorial, com clinicas variadas, o que torna mais difícil a sua identificação.

Em meio a esta casuística surge no Brasil, a Norma Regulamentadora - NR17 de 23/11/90, da Portaria n. 3.214/78 da Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalhador, do Ministério do Trabalho e Emprego, que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e eficiência das atividades desempenhadas13.

 

DOENÇAS OCUPACIONAIS

 

O primeiro termo a surgir no Brasil, na tentativa de definir as afecções musculoesqueléticas decorrentes do trabalho, foi LER (Lesões por Esforços Repetitivos), baseado na tradução da sigla australiana RSI (Repetitive Strain Injury). Através de estudos e verificações constatou-se que esse termo estava sendo insuficiente para designar as formas clínicas que começaram a aparecer por conseqüência de atividades ocupacionais, por traduzir um mecanismo de lesão único e abrangente. Adotou-se então, a partir da década de 90, o termo DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) que permitiu ampliar os mecanismos de lesões, não só restritos aos movimentos repetitivos14.

Desta forma, diversos pesquisadores investigam as doenças ocupacionais através de dois ângulos observacionais: o primeiro de acordo com a escola anglo-saxônica que ampara a causa da biomecânica como responsável pelo surgimento dos sintomas relacionados aos mecanismos, tentando esclarecer a sua origem através de movimentos com emprego de força, repetitividade, compressão mecânica e posturas inadequadas, ambos agravados pela diminuição das pausas e pela velocidade elevada das atividades laborais4.

A outra Escola preconiza os fatores psicossociais como causas dos sintomas osteomusculares ligado aos membros superiores. Auxiliada pelas escolas francesas e belgas, para as quais os elementos relacionados ao sistema organizacional e ao método de trabalho se devem pela progressiva marginalização dos trabalhadores no processo industrial, pela insatisfação profissional e pela busca desenfreada do lucro4. Esta duas escolas buscam, através de vertentes diferentes, justificar o surgimento das LER/DORTs e se complementam na sua essência ao cogitarmos que os métodos de trabalho tratam-se da interação entre o meio e o homem.

As bases da biomecânica ocupacional são constituídas através de um estudo complexo na qual a interação entre o trabalho e o homem são observadas nas atividades músculo-esqueléticas envolvidas neste processo, bem como suas conseqüências. Analisam-se predominantemente posturas no trabalho e a aplicação de forças determinada pela natureza da atividade laboral desempenhada pelo indivíduo. Para se realizar qualquer postura ou um movimento é preciso a organização dos diferentes segmentos corporais no espaço, sendo essencial à sincronia entre grupos musculares, ligamentos e articulações. Resumidamente, a postura é influenciada pelas características e exigências da tarefa, pelas condicionantes internas como as formas fisiológicas e biomecânicas de manutenção do equilíbrio e pelas características do meio ambiente de trabalho15.

 

 

BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

 

O comportamento postural adotado pelos trabalhadores é motivado pela fuga do desconforto, contudo esta atitude tende a aumentara a solicitação e o gasto energético de grupos musculares desnecessários causando o desenvolvimento de sintomas com dor, formigamento, câimbras entre outros. A adaptação muscular no padrão postural refere-se à capacidade dos músculos se adaptarem às funções que vivenciam. Nenhuma postura de trabalho é neutra. Nenhuma "má postura" é adotada "livremente" pelo sujeito, mas é resultado de um compromisso entre os pontos citados4 . Uma postura inadequada causa tensões mecânicas nos músculos, ligamentos e articulações, resultando em dores no pescoço, costas ombros, punhos e outras partes do sistema músculo-esquelético5 .

Postura é um termo definido como uma posição ou atitude do corpo a disposição relativa das partes do corpo para uma atividade específica, ou uma maneira característica de sustentar o próprio corpo. O corpo pode assumir muitas posturas buscando melhor conforto quando ocorre um desconforto postural por contração muscular contínua, tensão ou compressão ligamentar, ou oclusão circulatória, normalmente procura-se uma nova atitude postural. Quando não se alteram tais posições podem ocorrer lesões teciduais, limitação de movimentos, deformidades ou encurtamentos musculares restringindo as atividades de vida diária16.

A postura pode ser definida também pelo arranjo característico que cada indivíduo encontra para sustentar o seu corpo e utilizá-lo na vida diária, envolvendo uma quantidade mínima de esforço e sobrecarga, conduzindo à eficiência máxima do corpo17. A grande inter-relação entre as musculaturas estáticas e dinâmicas são evidenciadas entre vários autores quando se referem a qualquer atividade corporal onde a postura dinâmica está associada a execução de tarefas numa soma de vários movimentos articulares que permitem realizar as atividades de trabalho, enquanto que a postura estática associa-se à manutenção do tônus dando base necessária à estabilização das estruturas centrais do corpo18.

Para a Academia Americana de Ortopedia "postura é um arranjo relativo das partes do corpo e, como critério de boa postura, o equilíbrio entre suas estruturas de suporte (músculos e ossos) as protegem contra uma agressão por trauma direto ou deformidade progressiva por alterações estruturais. Já a má postura é aquela onde há falha no relacionamento das várias partes do corpo induzindo ao aumento de agressão às estruturas de suporte produzindo um desequilíbrio nas bases de suporte corporal". Postura inadequada exigirá maiores forças internas para a execução de uma tarefa e consequentemente maior gasto energético, enquanto que a postura correta promove boas condições biomecânicas o que leva um maior rendimento com relação à energia localizada19 .

Existem vários motivos pelos quais uma posição se torna incômoda após algum tempo: 1) pela compressão de partes do corpo (nádegas, coxas e fossa poplítea) contra o assento; 2) pela contração prolongada dos músculos posteriores do tronco que mantêm esta posição (pescoço, dorso e região lombar); 3) pela diminuição da circulação sanguínea causada tanto pela compressão de algumas partes do corpo quanto pela contração permanente dos músculos posturais20 .

A adoção de posturas inadequadas na realização de determinadas funções, associadas a outros fatores de risco existentes no posto de trabalho, como sobrecarga imposta à coluna vertebral, vibrações e manutenção de uma postura por tempo prolongado constituem as maiores causas de afastamento do trabalho e de sofrimento humano21. Assim sendo, o quadro álgico na coluna é uma das desordens ocupacionais mais discutidas entre os pesquisadores e identificada por estudos epidemiológicos e análises biomecânicas.

IMAGEM 1 e 2

As posturas ocupacionais podem ser desenvolvidas na posição ortostática, sentada ou ainda na posição horizontal. O trabalho em pé exige dos membros inferiores uma atividade muscular estática para manter essa posição na qual é altamente fatigante, pois exige grande trabalho estático das musculaturas envolvidas. Além do mais, ocorre um aumento da pressão hidrostática do sangue nas veias das pernas com acúmulo de líquidos tissulares nas extremidades inferiores promovendo a diminuição da circulação sanguínea, a dilatação das veias das pernas, edema tecidual do tornozelo e fadiga muscular dos músculos da panturrilha22. Descobrimos convergência nas literaturas pesquisadas quanto ao tempo prolongado durante a realização de tarefas em pé que promovem fadiga muscular nas regiões das costas e pernas piorando com a inclinação do tronco e da cabeça causando dores nestas regiões.

A posição ortostática com apoio simétrico dos membros inferiores descreve uma curvatura anteriorizada da coluna lombar – o que se designa de lordose lombar fisiológica. Já num apoio assimétrico sobre um membro inferior, a lombar apresenta uma concavidade para o lado do apoio devido à báscula da pelve para isso a coluna dorsal adota uma postura produzindo uma concavidade para o lado do membro sem carga, em seguida a cervical adota uma curvatura para o lado da curvatura lombar, isto é, de concavidade para o lado de apoio23. Aparentemente observa-se um descompensamento de todas as estruturas anatômicas responsáveis pelo equilíbrio estático da coluna resultando em sobrecarrega.

Sob o ponto de vista biomecânico, a postura sentada impõe carga significativa sobre os discos intervertebrais, cerca de 50%, principalmente da região lombar, e se mantida estaticamente por período prolongado pode produzir fadiga muscular e conseqüentemente dor21. Devemos lembrar que os discos intervertebrais são estruturas praticamente desprovidas de nutrição sanguínea e que o aumento em sua pressão interna reduz a nutrição do mesmo promovendo uma degeneração, seu comprometimento estrutural é menor quando comparado a postura em pé. As vantagens da postura sentada são o alívio dos membros inferiores, baixo consumo energético, menor sobrecarga ao corpo e alívio à circulação sanguínea. Porém, alguns experimentos demonstram que a mecânica da coluna vertebral, na postura sentada, é perturbada produzindo desgastes e conseqüentes lesões nos discos intervertebrais pela pressão a que estas estruturas sofrem por tempo prolongado6.

Com relação à posição sentada observam-se vantagens por ser menos cansativa para os membros inferiores devido à menor carga nas articulações do quadril, joelho e tornozelos desde que esta esteja posicionada de maneira adequada possuindo apoio para a região da coluna e dos pés. Mesmo nesta posição é preciso um desempenho continuo dos músculos das costas para evitar que esta desabe6, 20.

A mudança de postura durante a atividade de trabalho é de grande importância para a saúde do sistema músculo-esquelético possibilitando a redução de cargas estáticas e variação da utilização de estruturas articulares e musculares. A postura semi-sentada (ou semi-apoiada) tem sido proposta para algumas situações de trabalho, porém não como única alternativa para o trabalhador durante sua jornada de trabalho, pois esta postura ainda não apresenta conclusões definitivas podendo ser utilizada apenas por pequenos períodos11.

As abordagens das LER/DORTs que restringem a sua etiologia a um único tipo de fator causal não estão encontrando respostas suficientes em relação ao seu diagnóstico, tratamento e à cura. Pode-se constatar que elas não se enquadram em um paradigma médico de interpretação do processo saúde-doença, baseado na mera casualidade unidimensional, e sim multifatorial abrangendo aspectos biomecânicos, cognitivos, afetivos entre outros, da atividade desenvolvida pelos pacientes, dificultando então a atuação dos profissionais da saúde12.

 

FISIOTERAPIA PREVENTIVA

 

Para as empresas, existem inúmeras vantagens de investir em programas de saúde ocupacional. Em primazia destacam-se as melhorias na qualidade de vida do trabalhador propiciando uma redução dos gastos com assistência médica por doenças ocupacionais e conseqüentes afastamentos, diminuição do absenteísmo e da rotatividade do quadro de empregados na empresa, e conseguinte aumento na eficiência do trabalho. Para os empregados, proporcionaria a redução da fadiga muscular e do desconforto físico, com conseqüente redução do estresse psicológico, a diminuição do gasto energético na execução das tarefas e do acometimento de DORTs 24.

Martins & Duarte (2000), apud Lima (2003) ressaltam a necessidade da análise ergonômica no trabalho, pois sem a qual as sessões de alongamento seriam apenas um mero paliativo momentâneo, hajam visto que alguns minutos dessa prática não atuariam com eficácia sobre a má postura ocasionada por mobiliários antiergonômicos ou mesmo tarefas exaustivas desempenhadas por período prolongado4.

 

CONCLUSÃO

Podemos concluir que as relações entre trabalho e a saúde dos trabalhadores nem sempre é benéfica, a maioria dos empregados são expostos a locais de trabalho antiergonômicos, jornadas prolongadas, ritmos excessivos, entre outros fatores que acabam por colocar em risco o desempenho de suas atividades laborais e domésticas. A qualidade de vida no trabalho nestes casos é comprometida.

A ergonomia, por ser uma ciência multidisciplinar, estuda vários aspectos relacionados com a organização do trabalho, componentes do posto, condições ambientais, características psicossociais e características físicas do trabalhador. A análise do atrelamento destes requisitos transfere o ponto de vista para a biomecânica ocupacional desenvolvida pelo funcionário como fator predisponente ao desenvolvimento das doenças ocupacionais, visto que a má postura no local de trabalho proporciona o surgimento de quadro doloso.

Em síntese, a biomecânica ocupacional é a aplicação dos princípios da mecânica da física ao corpo humano, noções de força, peso e tensões a que os grupos musculares são mantidos durante uma determinada postura ou um movimento o que podem desenvolver sobrecargas e aumento do gasto energético, com conseqüente produção de tensões nos músculos, ligamentos e articulações resultando em dores.

A busca por programas preventivos atua sobre o enfoque dos fatores tidos como desencadeadores da sintomatologia das DORTs. No âmbito da fisioterapia, a desmistificação do processo patológico é a base inicial do programa preventivo, inclui-se campanhas educacionais, implantação dos princípios ergonômicos no ambiente de trabalho e desenvolvimento de técnicas de alongamento e relaxamento através da cinesioterapia laboral.

A previa análise das atividades desempenhadas pelos funcionários durante a jornada de trabalho direcionaria este programa na qual será embasado num conjunto de atividades ligadas a prevenção de doenças ocupacionais, onde pretende-se desenvolver uma consciência individual e coletiva de cada funcionário participante, a fim de se evitar a instauração do quadro sintomatológico e em alguns episódios, como nos casos iniciais da patologia, o tratamento imediato garante a cura total.

É constatado que a reincidência dos sintomas se devem ao não retorno gradativo da função desempenhado pelo funcionário, não basta o afastamento durante o tratamento medicamentoso e fisioterapêutico, mas que este retorno a suas atividades laborais sejam orientadas por um fisioterapeuta profissional capacitado para que reabilite funcionalmente o membro afetado do paciente. Este acompanhamento deve ser incluso no programa preventivo a fim de se evitar o regresso do quadro patológico.

Na esfera laboral, o fisioterapeuta pode se unir a uma equipe multidisciplinar dentro da empresa para garantir o retorno gradativo do funcionário às atividades laborais, pode desenvolver um ambiente de trabalho mais ergonômico adequando-o ao seu usuário, pode realizar o tratamento fisioterapêutico dentro da empresa afim de evitar o deslocamento do funcionário para um clinica especializada, economizando assim o tempo.

 

Referências Bibliograficas

(1)   SIQUEIRA, A. R.; QUEIROZ, M. F. F. Abordagem grupal em saúde do trabalhador. O mundo da Saúde, São Paulo, ano 25, v. 25, n. 4. out .- dez. 2001.

(2)    ABRAHAO, Júlia Issy; Pinho, Diana Lúcia Moura. As transformações do trabalho e desafios teórico-metodológicos da Ergonomia. Estud. psicol. (Natal) v.7 n.spe Natal 2002. Psic.: Teor. e Pesq. [online]. jan./abr. 2000, vol.16, no.1 [citado 21 Fevereiro 2006], p.49-54. Disponível na World Wide Web: <http://www.scielo.br/scielo.php

(3)   PEREIRA, T. I. Atividade preventiva como fator da profilaxia das lesões por esforços repetitivos (L.E.R.) de membros inferiores. Porto Alegre – RS: Dissertação de mestrado em ciências do movimento humano. Escola Superior de Educação Física da UFRS, 1998.

(4)   LIMA, Valquiria de. Ginástica laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2ª ed., São Paulo – SP: Phorte, 2005.

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(7) OLIVEIRA, C.R. (1998) Manual prático de Ler. Belo Horizonte: Editora Health.

(8) DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. Tradução Ana Isabel Paraguay; Leda Leal Ferreira. São Paulo: Cortez/Oboré, 1987.

(9) ABRAHAO, Júlia Issy. Reestruturação produtiva e variabilidade do trabalho: uma abordagem da ergonomia. Psic.: Teor. e Pesq. [online]. jan./abr. 2000, vol.16, no.1 [citado 21 Fevereiro 2006], p.49-54. Disponível na World Wide Web: <http://www.scielo.br/scielo.php

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(12) CHIAVEGATO FILHO, L.G.; PEREIRA JR., A.LER/DORT: multifatorialidade etiológica e modelos explicativos. Interface – comunic., saúde, educ., v. 8, n. 14, p. 149-62, set. 2003 – fev. 2004.

(13) BARBOSA, Luís Guilherme. Fisioterapia Preventiva nos Distúrbios Osteomusculares Relacionados Trabalho – DORTS: A fisioterapia do trabalho aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 144p.

(14) SANTOS, A.A. et al. Atuação Fisioterapêutica Preventiva nos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. Capturado no site: www. Interfisio.com.br, em 30 de janeiro de 2005.

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(21) COUTO, H. A. Ergonomia aplicada ao trabalho – Manual técnico da máquina humana. Belo Horizonte: Ergo, 1, 1995.

(22) SANTOS, N.; DUTRA, A. R. A. Introdução à ergonomia. Programa São Paulo Alpargatas de ergonomia. Módulo 1. UFSC, departamento de EPS – Florianópolis, SC, 2001.

(23) KAPANDJI, A. I. Fisiologia Articular – Tronco e coluna vertebral. 5ª ed. São Paulo: Panamericana, 2000.

(24) POZZOBON, R. G. et al. Análise de fatores ambientais e a relação com aspectos subjetivos entre funcionários de uma agência bancária. IN: congresso brasileiro de biomecânica, 9, 2001, Porto Alegre, Anais... Porto Alegre, 2001.

Trabalho realizado por: - Denise Cristina Santos dos Anjos

Contato: dnsanjos@gmail.com

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