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A fisioterapia no dia a dia do trabalhador


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A industrialização dos meios de produção, a par dos inúmeros avanços tecnológicos que proporcionaram à vida moderna um conforto inimaginável em épocas anteriores, ocasionou um aumento significativo dos quadros clínicos decorrentes da sobrecarga estática e dinâmica do sistema músculo – esquelético.

Só recentemente, porém, atribuiu-se maior atenção a esses quadros clínicos, que passaram a ser incluídos num mesmo grupo cujas denominações mais conhecidas são Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) ou, simplesmente, LER/DORT.

A preocupação em proporcionar ao trabalhador uma melhor qualidade de vida, como forma mesmo de manter ou aumentar a sua produtividade, associada ao crescimento constante do número de casos de LER/DORT, está na base das discussões mais recentes sobre o assunto, bem como do enquadramento da síndrome entre as doenças ditas ocupacionais.

"Segundo a norma técnica do INSS sobre DORT (Ordem de Serviço no. 606/1998), conceitua-se as lesões por esforços repetitivos como uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não e alterações objetivas, que se manifesta principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores em decorrência do trabalho, podendo afetar tendões, músculos e nervos periféricos. O diagnóstico anatômico preciso desses eventos é difícil, particularmente em casos sub-agudos e crônicos, e o nexo com o trabalho tem sido objeto de questionamento, apesar das evidencias epidemiológicas e ergonômicas."

Recentemente, a OS nº 606/98 foi revisada pela Instrução Normativa nº 98, de 5 de dezembro de 2003.

Por LER/DORT entende-se um conjunto de síndromes (quadros clínicos, patologias, doenças) que atacam os nervos, músculos e tendões, juntos ou separadamente. É resultado da combinação da sobrecarga das estruturas anatômicas do sistema músculo – esquelético com a falta de tempo para sua recuperação, têm seu surgimento relacionado a condições de trabalho inadequadas.

Tanto a utilização excessiva de determinados grupos musculares em movimentos repetitivos (digitação, por exemplo), como a permanência de determinados segmentos do corpo em uma mesma posição por período de tempo prolongado, podem ocasionar a sobrecarga que permite o aparecimento das LER/DORT.

Caracterizam-se pela ocorrência de vários sintomas, concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de peso, fadiga, manifestando-se, principalmente, no pescoço, cintura escapular e membros superiores.

A fisioterapia do trabalho é uma área da fisioterapia que atua na prevenção, resgate e manutenção da saúde do trabalhador, abordando diversos aspectos como ergonomia, biomecânica, atividade física laboral e a recuperação de queixas ou desconfortos físicos. Tem como objetivo melhorar a qualidade de vida do trabalhador, evitando a manifestação das queixas e patologias musculoesqueléticas de origem ocupacional ou não, gerando aumento do bem estar, desempenho e produtividade. A fisioterapia do trabalho pode avaliar, prevenir e tratar lesões decorrentes das atividades no trabalho.

Algumas atuações do fisioterapeuta do trabalho:

1. Prevenção do desconforto ou queixas musculoesquelética nas atividades laborais;

2. Estudo ergonômico do trabalho, junto à equipe de saúde e segurança do trabalho;

3. Intervenções ergonômicas de correção, conscientização ou sensibilização nas empresas;

4. Palestras de conscientização, capacitação e treinamento preventivo de doenças ocupacionais;

5. Orientações posturais e ergonômicas aos trabalhadores, fora do ambiente de trabalho e nos postos de trabalho durante a execução de suas atividades ocupacionais;

6. Avaliação postural e análise biomecânica das tarefas nos postos de trabalho, promovendo a adequação do posto e das posturas para um melhor desempenho;

7. Desenvolvimento de programas de ginástica laboral;

8. Tratamento das patologias ou queixas musculoesquelética, através de ambulatório na empresa ou ambulatório / clínica fora da empresa.

A importância do fisioterapeuta na implantação e realização do programa:

O fisioterapeuta é um profissional apto a realizar o programa de ginástica laboral, qualidade de vida e prevenção dentro da empresa, na medida em que possui conhecimento em áreas diversas como anatomia, biomecânica, fisiologia humana, fisiopatologia das doenças, atividade física laboral, saúde preventiva, entre outras. Além disso, ele é capaz de proporcionar uma intervenção eficaz para o tratamento das patologias relacionadas ao trabalho, identificando os fatores que podem gerá-las e podendo, deste modo, atuar de maneira preventiva.

 Por Elisabeth Maria De Cesaro

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A área da Fisioterapia está cada vez mais diversificada. Tanto que, a fim de tornar processos de aposentadoria ou mesmo a investigação d...

Função do Fisioterapeuta na perícia judicial


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A área da Fisioterapia está cada vez mais diversificada. Tanto que, a fim de tornar processos de aposentadoria ou mesmo a investigação de acidentes de trabalho mais justas e confiáveis, o profissional fisioterapeuta está agora atuando na realização de perícias ocupacionais e judiciais. Isso ocorre em razão de seus conhecimentos em cinesiologia (estudo do movimento), biomecânica (ciência que investiga o movimento sob aspectos mecânicos, suas causas e efeitos nos organismos vivos) e ergonomia (adaptação do trabalho às características psicofisiológicas do homem).

Lucas Alves Vieira Pereira, fisioterapeuta especialista em Fisioterapia do Trabalho, Ergonomia e Perícia Judicial, explica que um fisioterapeuta do trabalho tem a função de atuar como assistente técnico, bem como pode ser nomeado perito judicial. "Na Justiça do Trabalho ou Civil, o fisioterapeuta pode atuar em situações que exijam o conhecimento técnico-científico sobre a funcionalidade humana, sobre aspectos ergonômicos e biomecânicos que levaram a uma doença do trabalho". 

O fisioterapeuta é solicitado para investigação em processos de isenções fiscais, ações que envolvam o DPVAT, Detran, Previdência Privada ou qualquer situação que necessite um parecer e laudo fisioterapêutico. Nas perícias judiciais específicas para lesões por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares relacionados ao tipo de trabalho desempenhado, LER/Dort, o objetivo é estabelecer a relação entre a doença e a atividade desenvolvida pelo ex-funcionário ou funcionário na empresa processada. Isso é feito a partir do estudo de documentos, de avaliação clínica, dos aspectos ergonômicos e biomecânicos da atividade, além de informar se houve ou não perda da capacidade funcional, seja ela laboral, para atividades comuns do dia a dia e se a perda é parcial, total, temporária ou definitiva.

Também é função do fisioterapeuta do trabalho analisar, através de perícia, se a empresa adotou ou poderia ter adotado medidas preventivas para evitar ou minimizar a doença reclamada na Justiça pelo funcionário.

Na Justiça Comum, o fisioterapeuta pode atuar também como serventuário temporário quando há necessidade do conhecimento técnico. O primeiro processo é instaurado quando uma pessoa sofre um acidente dentro de uma empresa ou mesmo no trânsito, em casa ou na rua e o juiz necessita de uma avaliação da capacidade funcional apresentada pelo indivíduo em decorrência do acidente e da sua condição de permanência nessa capacidade. O segundo processo ocorre quando um indivíduo recebe alta do seguro acidente do INSS, mas se sente injustiçado, alegando não ter capacidade para o trabalho, e busca seus direitos na Justiça Civil ou Federal. Em ambos os processos, o fisioterapeuta perito irá analisar a capacidade funcional do periciado.
 

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