Ao longo dos anos, os pesquisadores em saúde tem estudado a relação entre os trabalhadores e suas profissões em relação à saúde dos mesm...

Ginástica Laboral para Dentistas



Ao longo dos anos, os pesquisadores em saúde tem estudado a relação entre os trabalhadores e suas profissões em relação à saúde dos mesmos. Pesquisas mostram que houve um aumento significativo de doenças ocupacionais em todas as áreas, como engenharia, construção civil, escritórios, inclusive na própria medicina. Com os cirurgiões-dentistas (CD) não seria diferente. Os locais mais afetados nesses profissionais são os membros superiores e a coluna vertebral, afetando sua capacidade funcional, pois permanecem na mesma postura por um período de tempo, realizando alguns exercícios repetitivos, além do esforço estático excessivo do aparelho musculoesquelético1.

Os cirurgiões-dentistas, durante suas atividades, são constantemente acometidos pela adversidade do trabalho, decorrentes de grande desgaste físico como conseqüência da postura de trabalho2.

Saquy3 afirma que, para prevenir as doenças ocupacionais causadas por agentes mecânicos, é importante que o cirurgião-dentista conheça dois pontos. O primeiro é a escolha do equipamento e o segundo refere-se à ergonomia correta da posição de trabalho do profissional.

Couto4 estabeleceu algumas regras básicas de ergonomia para organização biomecânica de trabalho: 1) O corpo deve trabalhar com torque zero; 2) deve-se escolher a melhor postura para se trabalhar de acordo com a exigência da tarefa; 3) as bancadas de trabalho devem ser estruturadas contanto que o corpo trabalhe na posição vertical, sem curvar o tronco e evitando a elevação dos membros superiores; e 4) eliminar os esforços estáticos.

A postura adequada é aquela que o individuo em posição ortostática, existe pequeno esforço da musculatura e dos ligamentos para manter-se nesta posição, de tal modo que seja facilitado o equilíbrio estático5.

As Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são os nomes dados às afecções de músculos, de tendões, de sinóvias, de nervos, de fáscias e de ligamentos, isoladas ou combinadas, com ou sem degeneração de tecidos. Elas atingem principalmente os membros superiores, a região escapular e a região cervical. Tem origem ocupacional, decorrendo, do uso excessivo e repetido da musculatura supracitada e da manutenção de postura inadequada6.

Merlo7 completa que as LER/DORT abrangem quadros clínicos caracterizados pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, tais como dor, parestesia, sensação de peso e de fadiga. Freqüentemente são causas da incapacidade laboral temporária ou permanente.

Os fatores de risco das DORT podem ser agrupados da seguinte forma: frio; vibração e pressões mecânicas localizadas nos tecidos; grau de adequação do posto de trabalho à zona de atenção e à visão; posturas inadequadas; carga musculoesquelética; carga estática; invariabilidade da tarefa; exigências cognitivas, fatores organizacionais e psicossociais ligados ao trabalho e sem as pausas necessárias entre um paciente e outro8. Os outros fatores de risco ocupacionais associados ao aparecimento das desordens musculoesqueléticas podem estar relacionados com o ambiente físico, com os fatores biomecânicos (equipamentos e mobiliário do posto de trabalho), com os fatores organizacionais (a forma de organização do trabalho) e os fatores psicossociais (ambiente psíquico, social e de relações no trabalho)1.

Segundo Oliveira9 e Regis Filho10 as LER/DORT que mais acometem os C.D. serão identificadas abaixo:

a) Tendinite: Inflamação do tecido próprio dos tendões, com ou sem degeneração de suas fibras. Termo aplicável a todo e qualquer processo inflamatório dos tendões; em qualquer local do corpo.

b) Epicondilites: São provocadas por ruptura ou estiramento dos pontos de inserção dos músculos flexores ou extensores do carpo no cotovelo, ocasionando processo inflamatório local que atinge tendões, fáscias musculares, músculos e tecidos sinoviais.

c) Bursites: Inflamação aguda ou crônica do saco preenchido por líquido debaixo dos tendões (bursa). A mais acometida é a nos ombros, podendo também com freqüência acometer os cotovelos, quadris, joelhos e os pés.

d) Tendinite do supra-espinhoso e biciptal: As tendinites da bainha dos músculos rotadores, especialmente do tendão supra-espinhoso e as tendinites do tendão biciptal, formam a grande maioria das incapacidades dos tecidos moles em torno da articulação do ombro.

e) Síndrome do túnel do carpo: ocorre pela compressão do nervo mediano ao nível do carpo, pelo ligamento anular do carpo, que se apresenta muito espessado e enrijecido, por fascíte desse ligamento.

f) Síndrome cervical: é devida à degeneração do disco cervical e de uma combinação de hereditariedade e causas ambientais, existindo alterações do forame intervertebral ou do canal espinhal ou artérias vertebrais.

g) Síndrome do desfiladeiro torácico: é devida à compressão do plexo braquial em sua passagem pelo chamado desfiladeiro torácico. Pode-se manifestar em trabalhadores que permanecem muito tempo sentados ou em pé, em uma posição desconfortável e errada (vícios posturais).

Define-se Ginástica Laboral (GL) como sendo o conjunto de alongamentos e exercícios físicos orientados durante o horário do expediente, objetivando benefícios individuais no trabalho. Seu objetivo consiste em minimizar os impactos negativos advindos da rotina trabalhista e do sedentarismo na vida e na saúde do trabalhador11.

A GL é uma seqüência de exercícios diários que visam normalizar capacidades e funções corporais para o desenvolvimento do trabalho, diminuindo a possibilidade de comprometimentos da integridade do corpo12.

A GL pode ser preparatória e compensatória, consistindo em exercícios específicos, realizados no próprio local de trabalho, atuando na prevenção e de forma terapêutica. Leve e de curta duração, a GL visa diminuir o número de acidentes de trabalho, prevenir doenças originadas por esforços repetitivos, prevenir a fadiga muscular, corrigir vícios posturais, aumentar a disposição do funcionário, ao iniciar e retornar ao trabalho, promover maior integração no ambiente de trabalho e maior e melhor produção para a empresa13.

Assim, o propósito deste estudo foi identificar as LER.e DORT dos cirurgiões-dentistas em seu ambiente de trabalho e mostrar como é importante e necessária a implantação da ginástica laboral nos consultórios dentários.

MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado por meio de pesquisa às bases de dados Lilacs, Scielo, Medline, Pubmed compreendendo o período de 1993 a 2009, além de sites eletrônicos, livros e dissertações. Os critérios de seleção dos artigos científicos foram os que apresentavam alguma intervenção envolvendo a fisioterapia e a ergonomia. Também foram utilizados artigos sobre ginástica laboral, qualidade de vida, saúde do trabalhador e fisioterapia do trabalho.

Foram excluídos os artigos que relatavam outras intervenções, os que não tinham aplicação fisioterapêutica, que não tinham o resultado desejado e que não eram claros.

RESULTADOS

Segundo Santos Filho & Barreto14, os profissionais de odontologia estão entre os primeiros lugares em afastamentos do trabalho por incapacidade temporária ou permanente, respondendo por cerca de 30% das causas de abandono prematuro da profissão, sendo que a maioria dos quadros descritos pode ser enquadrada entre as DORT.

Miranda e cols.15 concordam que, por mais que os movimentos repetitivos leves estejam entre as principais causas da DORT, o esforço músculo-esquelético da postura estática, às vezes imperceptível, porém permanente, é exigido pelos membros superiores, obrigados a se manterem contraídos enquanto o trabalho é realizado nas posições sentada ou de pé, explicaria a multiplicidade das partes e segmentos atingidos e o comprometimento freqüente desses membros de ambos os lados.

Segundo Zilli16, a GL pode gerar vários benefícios fisiológicos, tais como: aumento da circulação sangüínea e da oxigenação muscular; melhora da amplitude articular e da flexibilidade; melhora da postura; redução das tensões musculares; prevenção de lesões musculotendinosas e ligamentares; melhora do ânimo e disposição para o trabalho; correção de vícios posturais; relaxamento da musculatura após o trabalho; melhora da respiração diafragmática; desenvolvimento da consciência corporal; entre outros.

Pinto 17 realizou um estudo com CD e esses profissionais relataram que a GL proporcionou alguns benefícios importantes para o desenvolvimento de suas atividades, tais como: maior consciência de hábitos posturais ergonômicos durante o trabalho; melhora no rendimento profissional; importância da realização da ginástica laboral entre um atendimento e outro, sendo favoráveis a sua continuidade; mais disposição para o trabalho; capacidade para identificar as postura que mais sobrecarregam os músculos e articulações e, dessa forma, evitá-las; importância de realizar trocas de postura durante os atendimentos, buscando evitar o posicionamento estático e, conseqüentemente, a fadiga muscular.

Pinto17 relata em seu estudo que após a 14ª sessão, três dos quatro participantes referiram diminuição do desconforto físico, fadiga muscular, redução da dor, melhora da postura e principalmente, conscientização corporal após a implantação da ginástica laboral em cirurgiões-dentistas da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.

A ergonomia quando aplicada a odontologia tem por objetivo a racionalização do atendimento, permitindo que o profissional produza melhor, evitando a fadiga e o desgaste desnecessários e, ao mesmo tempo, oferecendo segurança e conforto ao paciente18.

DISCUSSÃO

As definições LER e as DORT são usadas para caracterizar alterações musculoesqueléticas do pescoço, dorso e membros superiores. Suas causas estão intimamente ligadas à realização de tarefas ocupacionais e às condições de trabalho. Os sinais e sintomas atingem músculos, tendões, ligamentos, vasos, nervos e articulações. As regiões que podem ser acometidas são: dedos, punhos, antebraços, cotovelos, braços, ombros, pescoço e dorso. Entretanto, a denominação pode ser utilizada somente quando a causa está relacionada às condições de trabalho19.

Para Trindade20, o uso excessivo e inadequado dos membros superiores é a maior causa de lesões nos ombros e nas mãos. O desenvolvimento de dores e distúrbios inflamatórios nesses membros associa-se, constantemente, a posição dos punhos e das mãos, fixação de posturas por longo tempo de forma isométrica, desvios de punho, realização de movimento em pinça com os dedos, elevação dos ombros, braços tensionados, além da combinação da aplicação de forças elevadas e alta repetitividade.

Para Kuorinka8 os fatores de risco são frio, vibração e pressão mecânicas, postura inadequada, cargas estática e musculoesquelética, exigência de tarefas, fatores organizacionais e psicossociais.
Moreira21 mostrou em um estudo caso-controle que os fatores de risco são: divisão de tarefas insatisfatórias, concentração de atividade excessiva, acúmulo de divisão de tarefas, atividades de crescimento profissional e ocupação total de carga horária durante a jornada de trabalho. Medeiros22 completa que os fatores de proteção são: pausas durante o trabalho, compatibilidade entre o cargo e o maior nível de formação, retorno da chefia quanto ao desempenho e realização profissional.

Aplicada de forma diversificada, criativa e principalmente, conduzida por profissionais competentes, a GL. é uma forma eficaz, e até divertida, de levar os trabalhadores à conscientização da importância da prática da atividade física, além de bons hábitos de saúde, tanto no lazer quanto no trabalho. O atendimento para pessoas portadoras de LER/DORT é imprescindível nas empresas que enfrentam tais problemas. A informação contínua, através de jornais internos, cartazes, e-mail, entre outros meios de comunicação dentro da empresa, é de fundamental importância para a mudança de comportamento dos trabalhadores e valorização da GL23. Também se pode trabalhar o relacionamento inter e intra pessoal e social avançando um pouco mais, despertando no homem valores que estão sendo deixados de lado, como a importância da espiritualidade, independente da religião adotada para este fim11.

A atividade física durante a jornada de trabalho tem a importante tarefa de prevenção das doenças ocupacionais, assim como do sedentarismo. O bom estado físico do trabalhador garante eficiência na sua profissão, além de reduzir os riscos de invalidez decorrente do oficio ou de se aposentarem precocemente em razão das doenças degenerativas e incapacitantes24.

A significatividade das patologias agrupadas como LER/DORT atinge cerca de 25% da população trabalhadora nas estatísticas oficiais e a possibilidade de construção de propostas para as doenças ocupacionais, ensejam a prioridade conferida a estas patologias25. Ulbrich26 relata que é de fundamental importância a posição do dentista em relação ao paciente, devendo estar numa posição horizontal, para que o CD possa obter uma visibilidade ideal do campo operatório, adotando uma postura que propicie maior rendimento e menor desgaste físico. Nesta situação, a altura da cadeira do paciente deve ser ajustada de acordo com a estatura do profissional, de tal forma que a distância entre os olhos do dentista e a boca do paciente seja em torno de 30 a 40 cm, a coluna vertebral esteja centralizada sobre a base do mocho e a cabeça ligeiramente inclinada para baixo e para frente.

Para Castro & Figlioli27 é de fundamental importância o conhecimento ergonômico e a aplicação da GL em CD, quanto ao risco de adquirir doenças profissionais, devido às más posturas, para se obter a simplificação do trabalho, a prevenção da fadiga e o maior conforto, tanto para a equipe quanto para o paciente, ou seja, poder proporcionar uma odontologia de melhor qualidade.

Melhorias no desempenho, na motivação e na satisfação da equipe prestadora de atendimento odontológico podem ser obtidas com a aplicação de princípios de ergonomia dos equipamentos e do consultório odontológico como um todo28-29. Quando a ergonomia é aplicada nos consultórios dentários, o profissional tem maior probabilidade de estar satisfeito e motivado para exercer suas atividades, pois este obterá maior produtividade com menos tensão e menor desgaste e, conseqüentemente, ter mais rendimento no seu trabalho30 -31.

Entretanto, para Oliveira32 o conceito de movimentos repetitivos ou posturas prolongadas que causam lesões não tem suporte científico. Os sintomas dolorosos e sensitivos apresentados pelos pacientes são melhor explicados como um fenômeno psicológico e psicossocial, como infelicidade, insatisfação e desadaptação no trabalho e desejo e pressão de se obter benefícios. O conceito de lesões por esforços repetitivos é iatrogênico e de custo elevado para a sociedade, devendo ser abandonado.

CONCLUSÃO

Há algumas décadas atrás, os dentistas ficavam na posição de pé para atender seus pacientes. Passavam longas horas desta maneira sem se preocupar com o seu próprio bem estar. Com a modernidade, esses profissionais ganharam novos equipamentos para ter mais conforto em seus atendimentos. Porém, os cirurgiões-dentistas acabaram se tornando vítimas das LER/DORT por permanecerem por longo tempo na mesma posição para melhor visualizar o seu paciente causando, desta forma, má postura, tensões musculares e inflamações articulares. A ginástica laboral e a ergonomia, desde quando foram implantadas no Brasil, vem trazendo muitos benefícios aos trabalhadores quando inseridas em seu local de trabalho. As pausas entre um paciente e outro tornam-se eficazes para a prevenção das patologias relacionadas ao grupo das LER/DORT. Estando estes profissionais motivados e satisfeitos, estarão também desenvolvendo o seu trabalho com mais qualidade, fechando o círculo de satisfação completa com a carreira escolhida. 

REFERÊNCIAS

1. ROCHA, L. E.; FERREIRA JUNIOR, M. Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. In: JUNIOR, M. F. Saúde e Trabalho: temas básicos para o profissional que cuida da saúde dos trabalhadores. São Paulo: Roca,. cap. 11, p. 286-319, 2000.

2. GARBIN, A. J. I.; GARBIN, C. A. S.; Ferreira, N. F.; SALIBA, M. T. A.  Ergonomia e o cirurgião-dentista: uma avaliação do atendimento clínico usando análise de filmagem. Revista de odontologia e ciência. v. 23, n. 2, 130-133, 2008.

3. SAQUY, P.C., CRUZ FILHO, A.M., SOUSA NETO, M.D., PÉCORA, J.D. A ergonomia e as doenças ocupacionais do cirurgião dentista. Parte 2 - a ergonomia e os agentes mecânicos. ROBRAC. v. 2, 14-19, 1996.

4. COUTO, H. A. Ergonomia aplicada ao trabalho: manual técnico da máquina humana. Belo Horizonte. ERGO. v. 1, p. 353, 1995.

5. CARNEIRO, J.A.O.; SOUZA, L.M.; MUNARO, H.L.R. Predominância de desvios posturais em estudantes de educação física da universidade estadual do sudoeste da Bahia. Revista Saúde.com. v. 1, n. 2, 118-123, 2005.

6. OLIVEIRA, J.R.G. A importância da ginástica laboral na prevenção de doenças ocupacionais. Revista de Educação Física.  Sorriso-MT. v.139, 40-49, 2007.

7. MERLO, A. R. C.; JACQUES, M. F. C.; HOEFEL, M. G .L., Trabalho de grupo com portadores de LER/DORT: Relato de Experiência. Psicologia: Reflexão e Crítica., v. 14, n. 1, 253-258, 2001.

8. KUORINKA, I.; FORCIER, L. Work related musculoskeletal disorders: a reference book for prevention. London: Taylor & Francis,. Cap. 5. p. 213-245, 1995.

9. OLIVEIRA, J. R. G. A Prática da Ginástica Laboral. 1a ed., Rio de Janeiro: Sprint, 2002.

10. RÉGIS FILHO, G. I. Lesões por Esforços Repetitivos em Cirurgiões-Dentistas: Aspectos Epidemiológicos, Biomecânicos e Clínicos - Uma Abordagem Ergonômica. Doutorado em Empreendedorismo. Florianópolis: UFSC, 2000.

11. ALVAREZ, B. R. O papel da ginástica laboral nos programas de promoção de saúde. In: Congresso Brasileiro de Atividade Física. Florianópolis. UFSC, 17-18, 2001.

12. BAÚ, L. M. S. Fisioterapia do Trabalho: Ergonomia - Legislação - Reabilitação. 1a ed. Curitiba: Clã do Silva, 2002.

13. MARTINS, C. O.; DUARTE, M. F. S. Efeitos da ginástica laboral em servidores da reitoria da UFSC. Revista Brasileira Ciência e Movimento. Brasília. v. 8, n. 4, 07-13, 2000.

14. SANTOS FILHO, S. B. & BARRETO, S. M. Atividade Ocupacional e Prevalência de Dor Osteomuscular em Cirurgiões-Dentistas de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: contribuição ao debate sobre os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Caderno de Saúde Pública, v. 17, n. 1, Rio de Janeiro, jan/fev, 2001.

15. MIRANDA, T. E. C., FREITAS, V. R. P., PEREIRA, E. R. Equipamento de Apoio para Membros Superiores – Uma nova proposta Ergonômica. Revista Brasileira de Odontologia. v. 59, n. 5, set/out., 2002.

16. ZILLI, C. M. Manual de Cinesioterapia/Ginástica Laboral – Uma Tarefa Interdisciplinar com Ação Multiprofissional. 1a ed. São Paulo: Lovise, 2002.

17. PINTO, A. C. C. S. Ginástica laboral aplicada à saúde do cirurgião-dentista: um estudo de caso na Secretaria Municipal de Saúde de Santa Catarina. Dissertação de mestrado em Engenharia da Produção – Programa de Pós Graduação em Engenharia da Produção, Universidade Federal de Florianópolis, 2003.

18. RIO, L.M., RIO, R.P. Manual de ergonomia odontológica. Belo Horizonte: Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais; 2000.

19. SANTANA, E. J. B., ROCHA, L. E. F. L., CALMON, T. R. V., ALVES, I. L. Estudo Epidemiológico de Lesões por Esforços Repetitivos em Cirurgiões-Dentistas em Salvador-Bahia. Revista da Faculdade de Odontologia da UFBA, v.17, 59-63, 1998.

20. TRINDADE, J. L. A. Biossegurança e os Riscos Ergonômicos em Relação à Mecânica Corporal do Profissional da Saúde. Textura, Revista da Universidade Luterana do Brasil. Canoas: ULBRA, nº4, 2001.

21. MOREIRA, A.M.R, Mendes R. Fatores de risco dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho de enfermagem. Revista de Enfermagem da UERJ. v. 13, n. 1, 19-26, 2005.

22. MEDEIROS, U. V.; RIUL, F. Riscos ocupacionais do cirurgião-dentista e sua prevenção. Revista Paulista de Odontologia, v. 16, n. 6, 34-43, 1994.

23. OLIVEIRA, J. R. G. A importância da ginástica laboral na prevenção de doenças ocupacionais. Revista de Educação Física. v. 139, 40-49, 2007.

24. SHARKEY, B. J. Condicionamento físico e saúde. Porto Alegre, Artes Médicas Sul Ltda. 1998.

25. FEUERSTEIN, M. Multidisciplinary rehabilitation of chronic work-related upper extremity disorders. Journal of Occupational Medicine. v. 35, n. 4, 396-403, 1993.

26. ULBRICHT, C. Considerações Ergonômicas Sobre a Atividade de Trabalho de um Cirurgião-Dentista: Um Enfoque Sobre as LER/DORT. Dissertação de Mestrado em Ergonomia. Florianópolis: UFSC, 2000.

27. CASTRO, S. L., FIGLIOLI, M. D. Ergonomia aplicada à dentística: avaliação da postura e posições de trabalho do cirurgião-dentista destro e da auxiliar odontológica em procedimentos restauradores. Jornal Brasileiro de Clínica & Estética em Odontologia. v.3, n. 14, 1999.

28. VASCOCELLOS, I.C. Estresse profissional. Revista Brasileira de Odontologia. v. 59, 6-7, 2002.

29. FOX, J.G.; JONES, J.M. Occupational stress in dental practice. Br Dental Journal.; v. 123, 465-473, 1997.

30. BARRETO, H.J. Como prevenir as lesões mais comuns do cirurgião-dentista. Revista Brasileira de Odontologia. v. 58, 6-7, 2001.

31. MEDEIROS, U. V.; SOUZA, M. I. C.; BASTOS, L. F.. Odontologia do trabalho: riscos ocupacionais do cirurgião-dentista. Revista Brasileira de Odontologia. v. 60, n. 4, 277-280, 2003.

32. OLIVEIRA, J. T. LER - LESÃO por esforços repetitivos. Um conceito falho e prejudicial. Arquivo de Neuropsiquiatria. v. 57, n. 1, 126-131, 1999.


TITULO ORIGINAL: A LER e DORT em Cirurgiões Dentistas e a Importância da Ginástica Laboral para esses Profissionais
Autor(es): Lívia Lodi Rodrigues

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Através deste vídeo desejo que de forma bem humorada possam compreender um pouco sobre seus direitos e que visualizem o que redige a NR17...

Video: Normas Regulamentadoras (Saúde e segurança no trabalho)


Através deste vídeo desejo que de forma bem humorada possam compreender um pouco sobre seus direitos e que visualizem o que redige a NR17 que é uma norma que especifica quais são as condições mínimas de conforto físico e mental que uma empresa deve oferecer para não prejudicar a saúde do seu funcionário.

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No âmbito do trabalho, o relacionamento com outras pessoas é uma fonte de estresse; e neste sentido, aparece em meados da década de 70 o...

Artigo: Abordagem da Ergonomia na Síndrome de Burnout



No âmbito do trabalho, o relacionamento com outras pessoas é uma fonte de estresse; e neste sentido, aparece em meados da década de 70 o termo Burnout, que no sentido literal significa "estar esgotado" ou "queimado" (PEREIRA, 2002).

Dessa forma, a Síndrome de Burnout (SB) e o estresse são fenômenos que expressam sua relevância na saúde do indivíduo e do ambiente de trabalho (MUROFUSE. et a.l., 2005)

Apesar de divulgada desde a década de 70, a doença é pouco conhecida no Brasil e há poucos trabalhos realizados sobre essa doença, a mesma se instala de maneira silenciosa e progressiva (GARCIA, 2003). Conforme Odorizzi (1995) e Matamoros (1997), os principais sintomas da SB são os comprometimentos físicos, psíquicos, emocionais e comportamentais, cujos fatores desencadeantes dessa síndrome são os fatores: extrínsecos os que contribuem para a geração de sentimentos de descontentamento no trabalho e nas razões externas em que se incluem salários, relações interpessoais; e nos fatores intrínsecos como realização, reconhecimento, o trabalho em si, responsabilidade, progressão na carreira e possibilidade de desenvolver os fatores inerentes ao conteúdo do trabalho (CARVALHO, 2002; RAMÍREZ, 2001).

Quando o ambiente de trabalho favorece o aparecimento da SB, observa-se maior rotatividade de funcionários dentro das empresas, absenteísmo, queda da qualidade e produtividade, incremento de licenças por problemas de saúde, baixa moral dos trabalhadores, o "desligamento psicológico", dentre outras incidências (GARCIA,  2003).

Em face disso, a intervenção ergonômica proporciona a prevenção e tratamento da SB, abordando os aspectos do trabalho, relacionamento do homem com seu ambiente de trabalho e sua humanização; sendo obtida pela adaptação das condições laborais através de medidas antropométricas e técnicas que trabalham o relaxamento dinâmico por meio da reeducação da postura global (BARREIRA, 1989). }

O presente trabalho tem como propósito investigar acerca da intervenção da ergonomia, pode contribuir um maior embasamento científico sobre essa patologia.

MÉTODOS


O presente trabalho foi desenvolvido a partir de teses de doutorado, dissertações de mestrado e artigos científicos indexados, coletados em bibliotecas virtuais (BIREME/ MEDLINE/ LILACS/ SCIELO), periódicos e revistas científicas. Foi realizada uma busca refinada com a finalidade de selecionar artigos indexados relacionados à saúde do trabalhador mediante a presença dos descritores de ergonomia e Síndrome de Burnout nas palavras chave do registro.

ASPECTOS GERAIS E PSICOSSOCIAIS DA SÍNDROME DE BURNOUT NA SAÚDE DO TRABALHADOR


Burnoutconsiste em uma expressão inglesa para designar aquilo que deixou de funcionar por exaustão de energia e foi utilizada inicialmente por Brandley em 1969, mas tornou-se mundialmente conhecida a partir dos estudos de Freudenberger em 1974, que define a SB como um estado relacionado com experiência de esgotamento, decepção e perda do interesse pela atividade do trabalho que surge em profissionais que trabalham em contato direto com pessoas na prestação de serviços como uma conseqüência deste contato freqüente no trabalho (ALBALADEJO, 2004; BORGES, 2002; SILVA & CARLOTTO, 2003; JIMENEZ & PUENTE,  2002). Os profissionais cujo serviço exige um contato direto com outras pessoas apresentam maior propensão a SB; cuja definição dessa síndrome surgiu para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações. (VOLPATO, 2003).Amorim. et. al. (1998) acrescentam ainda, que alguns pesquisadores realizaram propostas de delimitação conceitual e assim estabeleceram procedimentos e critérios para o diagnóstico diferencial. Pines. et al. (1981), correlacionaram a fadiga emocional, física e mental, sentimentos de impotência e inutilidade, falta de entusiasmo pelo trabalho, pela vida em geral e baixa auto-estima a estados que combinam com esta síndrome.

A definição mais aceita do Burnouté a fundamentada na perspectiva social-psicológica de Maslach e colaboradores, sendo esta constituída de três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho (CARLOTTO, 2002; MARTINEZ, 1997;  MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
 

A SB constitui-se num fenômeno multidimensional caracterizado pelas seguintes dimensões:

a) Exaustão emocional: pode ser entendida pela situação na qual os trabalhadores sentem que não podem se entregar mais é uma situação de esgotamento da energia dos recursos emocionais próprios, uma experiência de estar emocionalmente desgastado devido ao contato diário com pessoas com as quais necessitam se relacionar em função de seu trabalho.

b) Despersonalização: defini-se como o desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de distanciamento para as pessoas destinatárias do trabalho.

c) Baixa realização profissional: faz com que os trabalhadores se sintam descontentes consigo mesmos e insatisfeitos com os resultados de seu trabalho (PEREIRA, 2002; SILVA, 2003).

Maslach e Jackson (1981) ressaltam que a SB está estritamente ligada aos profissionais de saúde, que perdiam então, o interesse, empatia e o próprio respeito por seus pacientes (PEREIRA, 2002).

Vale salientar, que a SB é uma experiência subjetiva, que agrupa sentimentos e atitudes implicando alterações, problemas e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para o ambiente de trabalho, sendo que esta afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo (AMORIM & TURBAY, 1998). Por isso, é necessário um estudo também filosófico onde se explicita a natureza humana e, principalmente, as dinâmicas interpessoais que possam interferir no desempenho e produtividade no trabalho (PEREIRA, 2002).

No plano das relações interpessoais, quando estas são tensas, conturbadas e prolongadas, tem-se a tendência de aumentar os sintomas da SB (AMORIM & TURBAY, 1998).

Assim, mesmo com a falta de apoio no trabalho por parte dos companheiros e supervisores, da direção, ou da administração e os conflitos interpessoais com as pessoas que se atende ou seus familiares, são fenômenos característicos destas profissões que aumentam também os sintomas (PEREIRA, 2002).

Os fatores que desencadeantes do estresse no ambiente de trabalho são: ruído, iluminação, temperatura, higiene, intoxicação, clima, disposição do espaço físico para o trabalho, o trabalho noturno, a sobrecarga de trabalho, a exposição a riscos e perigos, os principais sintomas da SB são os fatores: físicos (sensação de fadiga constante e progressiva, distúrbios do sono, dores musculares, no pescoço, ombro e dorso, perturbações gastrointestinais, baixa resistência imunológica, astenia, cansaço intenso, cefaléias, transtornos cardiovasculares), psíquicos (diminuição da memória, falta de atenção e concentração, diminuição da capacidade de tomar decisões, fixações de idéias e obsessão por determinados problemas, idéias fantasiosa ou delírios de perseguição, sentimento de alienação e impotência, labilidade emocional, impaciência), emocionais (desânimo, perda de entusiasmo e alegria, ansiedade, depressão, irritação, pessimismo, baixa alta estima) e comportamentais (isolamento, perda de interesse pelo trabalho ou lazer, comportamento menos flexível, perda de iniciativa, lentidão no desempenho das funções, absenteísmo, aumento do consumo de bebidas alcoólicas, fumo e até mesmo drogas, incremento da agressividade). No entanto, é importante ressaltar que nem todos estes sintomas estão necessariamente presentes em todos os casos, pois esta configuração dependerá de fatores individuais e ambientais (ODORIZZI, 1995; MATAMOROS, 1997).

Estes sintomas podem se desenvolver em indivíduos que estejam relacionados com qualquer tipo de atividade no trabalho, no entanto, deve ser entendida como uma resposta ao estresse laboral que aparece quando falham as estratégias funcionais de enfrentamento que o sujeito pode empregar e se comporta como variável mediadora entre o estresse percebido e suas conseqüências (JIMÉNEZ & PUENTE., 1995). Esse enfrentamento é definido por França e Rodrigues (1997), como sendo o conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades.

Assim, esta síndrome é considerada um passo intermediário na relação estresse-conseqüências do estresse de forma que, permanece durante um longo tempo, o estresse laboral terá conseqüências nocivas para o indivíduo, sob a forma de enfermidade, falta de saúde com alterações psicossomáticas (alterações cardiorespiratórias, gastrite e úlcera, dificuldade para dormir, náuseas) e para organização (deterioração do rendimento ou da qualidade de trabalho (SILVA, 2003).

No entanto, é preciso considerar a síndrome como processo, cujos momentos não são estabelecidos de forma clara e distinta entre uma etapa ou outra, ou de um momento ao outro.

Os valores de saúde e doença são construídos, na empresa, sob o foco da produtividade, sob os princípios que se adota de responsabilidade social e o valor que se dá à preservação das pessoas, das histórias de acidentes de trabalho e da própria cultura da organização (LIPP & MALAGRIS, 1995).

Alguns estudos evidenciam muitas variáveis organizacionais, que contribuem para situações provocadoras de reações psicológicas e psicossomáticas; cujas desordens psicológicas no trabalho constituem uma das dez freqüentes categorias de "doença" ocupacional (JACQUES, 1996).

A relação do homem com o ambiente de trabalho é origem da carga psíquica da ocupação quando o rearranjo da organização do trabalho não é mais possível, sendo a relação do trabalhador com a organização bloqueada e se inicia o sofrimento (DEJOURS, 1994).

De acordo com Aguayo (1997), ao tratar da SB em professores, relaciona seu aparecimento a uma pressão intensa e constante no trabalho, e acrescenta como medidas de prevenção, um programa preventivo baseado em grupos de apoios entre profissionais para se discutir temas relacionados, como também recomendações tais como exercícios físicos, dietas, manejo de estresse e promoção da saúde.

A partir de um estudo dos principais instrumentos de medida, Fayos, et al. (1994), concluíram em sua pesquisa que a evolução da síndrome ocupa um dos lugares mais importantes dentro de trabalhos onde se relacionam com outras pessoas; o esgotamento emocional é a dimensão mais consistente e melhor definida dentro dos quadros observados.

INTERVENÇÃO DA ERGONOMIA NA SÍNDROME DE BURNOUT

De acordo com o Ergonomics Research Society (Sociedade de Pesquisa Ergonômica), a ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos no ambiente laboral (GIRLING & BIRNBAUM, 1988).Ao longo dos anos a SB tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico integrado, por atitudes e sentimentos negativos; contudo não há uma definição unânime sobre a doença, mas existe um consenso em considerar que aparece no indivíduo como uma resposta ao estresse laboral; tratando-se de uma experiência subjetiva interna que agrupa sentimentos e atitudes que representam uma resposta negativa para o indivíduo, dado que implica alterações, problemas ergonômicos e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para o ambiente de trabalho (SCHWARTZMANN, 2004). Para enfrentar esse problema, inúmeros estudiosos sugerem a utilização da ergonomia como uma das estratégias fundamentais de prevenção, pois o ambiente laboral torna-se mais saudável quando se realiza um melhoramento dos instrumentos, equipamentos e métodos de trabalho (GIRLING & BIRNBAUM, 1988; BARREIRA, 1989; RANIERE, 1989; WICK, 1989; GROSS, FUCHS, 1990).

A prevenção da SB se dá através do aumento a variedade de rotinas, evitar a monotonia; prevenir o excesso de horas extras; dar melhor suporte social às pessoas; melhorar as condições sociais e físicas de trabalho; e investir no aperfeiçoamento profissional e pessoal dos trabalhadores (FRANÇA & RODRIGUES, 1997).

Já Phillips (1984) diz que a primeira medida para evitar a SB é conhecer suas manifestações; porém há outras formas de prevenção tais como as estratégicas individuais, as estratégias individuais referem-se à formação e capacitação profissional, ou seja, tornar-se sempre competente no trabalho, estabelecer parâmetros, objetivos, participar de programas de combate ao stress, entre outros; as estratégias grupais consistem em buscar o apoio grupal; e finalmente as estratégias organizacionais referem-se em relacionar as estratégias individuais e grupais para que estas sejam eficazes no contexto organizacional (GIRLING & BIRNBAUM, 1998).

A SB pode causar sérios prejuízos para as empresas, pois refletem diretamente na produtividade através de faltas, horas de trabalho perdidas, desperdício de material de trabalho e custos elevados em assistência médica e, além disso, pode prejudicar a imagem da empresa (PEREIRA, 2002). Assim, o interesse atual pelos efeitos e conseqüências da SB no contexto de trabalho responde a várias razões, mas principalmente aos custos econômicos derivados, tanto para os indivíduos como para as organizações (GARCÍA, 2003).

Estudos vêm sendo desenvolvidos para investigar a contribuição de variáveis de ordem física, ergonômica e psicossocial no desenvolvimento das doenças do trabalho. (LEINO, 1989; WESTGAARD, 1985)

Nesse sentido a ergonomia através de uma intervenção no ambiente de trabalho proporciona vantagens diante dos programas preventivos. Estes benefícios são: a diminuição da fadiga, do gasto energético, do estresse emocional e a redução da incidência de doenças ocupacionais (WESTGAARD, 1985).            

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos entender que a SB é o produto de uma interação negativa entre o local, a equipe de trabalho e os clientes.  De fato, a Organização Internacional do Trabalho reconhece que o estresse e a SB não são fenômenos isolados, mas ambos foram convertidos em um risco ocupacional significativo.

Portanto, ao considerar qualidade de vida no trabalho, de forma a englobar aspectos de bem-estar e saúde biopsicossocial, deve-se tomar medidas de prevenção e tratamento para que esses estados não afetem ao ambiente de trabalho de maneira a prejudicar a produtividade da empresa e a qualidade de vida do trabalhador.

Fica evidente a importância da ergonomia na prevenção da SB, pois a doença está diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas no trabalho. O bem-estar do indivíduo, no ambiente de trabalho é também expresso através de condições favoráveis para a execução das atividades laborais. Neste contexto, vale salientar que a falta de mobiliários ergonomicamente corretos, assim como um ambiente de trabalho desagradável (ruídos, estresse, temperatura acima e abaixo dos limites ergonômicos, iluminações precárias) são fatores que favorecem o surgimento da SB.

Ausência da ergonomia no ambiente de trabalho não é visto apenas como um fator prejudicial à saúde do trabalhador, mas principalmente à empresa que despende altos custos em absenteísmo, acidentes, doenças, conflitos, abandono e desinteresse, verificado em todos os níveis de trabalho.

A qualidade de vida é uma compreensão abrangente e comprometida nas condições de vida laboral, que inclui aspectos de bem-estar, garantia da saúde e segurança física, mental e social e capacitação para realizar tarefas com segurança e bom uso de energia pessoal. Dependendo simultaneamente do indivíduo e da empresa, e é este o desafio que abrange o indivíduo e a empresa.

Como foi discutido neste trabalho, esta síndrome é um desgaste, tanto físico como mental, em que o indivíduo pode tornar-se exausto, em função de um excessivo esforço que faz para responder às constantes solicitações de energia, força ou recursos, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo e, conseqüentemente, do trabalho.

O profissional fisioterapeuta pode atuar na SB através de várias medidas, sejam elas de prevenção ou de tratamento, é preciso conhecer os conceitos de tais estados na sua essência, para que não ocorram distorções como comumente acontece, referindo-se a esta síndrome como um sinônimo de estresse, quando na verdade é uma resposta do organismo a um estresse crônico. A ergonomia é uma ferramenta utilizada pelos profissionais fisioterapeutas na prevenção e combate da SB. Vale salientar que pode-se obter a prevenção e tratamento da Síndrome de Burnout através da ergonomia por processos da adaptação das condições laborais, intervindo nas medidas antropométricas e técnicas que trabalham o relaxamento dinâmico por meio de reeducação da postura global e do estresse no trabalho.  

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Autor(a): Andrezza Pimentel Santana
                 Maria Dulce Gonçalves Lorena
                 Maria Goretti Fernandes


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