Ergonomia para Digitadores


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Introdução
Desde o inicio dos tempos existem relatos sobre a adaptação de ferramentas para facilitação do trabalho dos homens, instrumentos encontrados do período Paleolítico, mas precisamente da idade da pedra lascada revelam essa adaptação, pois estes objetos apresentam-se lapidados de forma pontiaguda para facilitar a caça, ou seja, surge daí os primeiro indícios de uma ciência que só seria descoberta mais de dez séculos depois, no qual passara por inúmeras transformações principalmente durante a revolução industrial até chegar a tão conhecida Ergonomia.
Algum tempo depois outra ciência revela seus primeiro traços, esta utiliza agentes físicos com fins terapêuticos. Porém, somente na revolução industrial houve um melhor relacionamento entre essa ciência que mais tarde originaria a Fisioterapia e a saúde do trabalhador.
A revolução industrial trouxe consigo uma verdadeira metamorfose social houve aumento do capital das empresas assim como um aumento da exploração dos trabalhadores que passavam por longas jornadas de trabalho em ambientes não propícios a sua saúde, alimentavam-se mal e corriam riscos constantes devido ao manuseio das grandes máquinas. Isso tudo levou ao aparecimento de novas doenças.
Em 1830 surge o primeiro modelo de medicina do trabalho que se espalhou por toda a Europa devido à deficiência a assistência à saúde. Durante a segunda guerra mundial quase nada havia mudado, o ambiente de trabalho continuava oferecendo riscos à saúde, e do outro lado à guerra deixava milhares de mutilados que eram excluídos socialmente, neste momento a fisioterapia já aparece como caráter reabilitadora.
Em 1975 surgem os primeiros postos informatizados e paralelo a ele surge inúmeros problemas na saúde do digitador desencadeado principalmente por más condições do ambiente de trabalho que levaram a um aparecimento crescente de patologias inclusive as do sistema osteomioarticular. Atualmente a ergonomia e a ginástica laboral caminham paralelamente tentando prevenir as patologias que acometem estes profissionais e cada vez mais as empresas tornam indispensável à atuação dos profissionais especializados nessas áreas especificas.


Ergonomia
É o estudo da adaptação do homem em seu ambiente de trabalho. Para alguns autores a ergonomia é considerada uma ciência multidisciplinar que englobam estudos fisiológicos, anatômicos e sociais dentro do posto de trabalho.
Podemos citar uma definição mais concisa da Ergonomia:

[...] Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamentos e ambientes, e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. (ERGONOMICS RESEARCH SOCIETY, p.1).

Como podemos observar ela não é apenas um estudo físico do ambiente de trabalho do homem, mas também um estudo psicológico que estuda aspectos como o cansaço ou perturbações mentais.
Outras definições
Leplat, J - A Ergonomia é uma tecnologia e não uma ciência, cujo objeto é a organização dos sistemas homens-máquina (1972).
Meister – A Ergonomia é a ciência que objetiva adaptar o trabalho ao trabalhador e o produto ao usuário (1998).
Murrel, K.F. - A Ergonomia pode ser definida como o estudo científico das relações entre o homem e o seu ambiente de trabalho (1965).
Self - A Ergonomia reúne os conhecimentos da fisiologia e psicologia, e das ciências vizinhas aplicadas ao trabalho humano, na perspectiva de uma melhor adaptação ao homem dos métodos, meios e ambientes de trabalho.
ABERGO (Associação Brasileira de Ergonomia) - A Ergonomia objetiva modificar os sistemas de trabalho para adequar as atividades nele existentes às características, habilidades e limitações das pessoas com vista ao seu desempenho eficiente, confortável e seguro (2000).
Dentre os seus principais objetivos, podemos destacar:
·         Adequação do ambiente de trabalho as capacidades biomecânicas do homem, pela organização do mesmo e utilização de equipamentos adequados a cada tarefa e a medida antropométrica de cada pessoa (Exigência Técnica);
·         Aumentar a produtividade do trabalhador com o tempo, pois trabalhador lesado não gera capital, e sim, prejuízo; (Exigência Econômica);
·         Prevenção de LER/DORT e promoção de saúde (Exigência Social);
·         Diminuição da fadiga e desconforto físico e mental do trabalhador.

Tipos de Ergonomia
§         Ergonomia de concepção; aplicada sobre a fase inicial do projeto, atuando amplamente sobre o posto de trabalho (instrumentos, máquinas, formação de pessoal...);
§         Ergonomia de correção; atua sobre o posto de trabalho já instalado (mobiliário, instalações, trabalhadores...), modificando elementos parciais dos mesmos;
§         Ergonomia de conscientização: age diretamente sobre os trabalhadores, através de reciclagem e treinamento de pessoal dando ênfase aos fatores de risco e possíveis soluções para eliminação do mesmo.


Informática e seus aspectos Ergonômicos
Para a maioria das pessoas que utilizam computadores como ferramenta de trabalho, essa tarefa se limita apenas em sentarem-se diante da máquina, ligá-la e realizar suas tarefas laborativas. Poucos têm conhecimentos de que a postura inadequada, a cadeira muito alta ou baixa, pouca ou muita claridade ou até mesmo a temperatura ambiente podem provocar desconforto e até mesmo agravar ou desencadear problemas físicos.
Inúmeros problemas podem surgir ao longo do tempo, principalmente quando não são utilizados equipamentos adequados às características individuais de cada pessoa.
Existem vários fatores que devem ser levados em conta numa avaliação ergonômica do posto informatizado, entre elas destacamos:

  1. Cadeira: Está deve ser estofada e revestida com tecido absorvente diminuído deste modo o efeito da transpiração. Se for revestida por outros tecidos de porosidade baixa (couro) acabam aumentando a transpiração;
    • A altura da cadeira deve ser regulável de maneira a permitir que os pés estejam bem apoiados no chão, pois quando a cadeira é alta demais o usuário trabalha com os pés pendurados, tal posição dificulta o retorno venoso;
    • A cadeira deve ter o encosto alto (algumas cadeiras já dispõem desse tipo de regulagem), apoio para os braços na altura do teclado, e a borda anterior do assento deve ser arredondada permitindo a livre circulação na porção posterior da coxa, evitando deste jeito problemas circulatórios nas pernas e pés.

  1. Mesa: deve ter regulagem para o monitor e teclado independente da altura. Quando fixa tem altura média de 76 cm, porém o teclado deve está na altura do cotovelo do usuário;
    • O móvel deve ter cor neutra (cinza claro, gelo ou bege) evitando deste modo reflexos e ofuscamento que podem causar fadiga visual no usuário;
    • Os objetos sobre a mesa deve ser arrumados de forma organizada de tal  maneira que facilite o seu alcance e proteja o corpo contra riscos posturais.

  1. Vídeo: A parte superior do monitor deve está a altura dos olhos, pois, quando alto ou baixo demais favorece a fadiga na região cervical.

  1. Teclado e mouse: O teclado deve ser mantido à frente do computador e se situar a altura da mão do usuário. O mouse deve localizar-se ao lado do teclado como se fosse uma continuação do mesmo, evitando grande deslocamento da mão ou elevação do braço;

  1. Teclado e mouse: O teclado deve ser mantido à frente do computador e se situar a altura da mão do usuário. O mouse deve localizar-se ao lado do teclado como se fosse uma continuação do mesmo, evitando grande deslocamento da mão ou elevação do braço.

  1. Iluminação: deve ser do tipo geral e uniforme. O usuário deve evitar a iluminação direta no monitor, pois esse tipo de iluminação causa reflexos que podem causar fadiga visual.
Postura adequada à frente do computador


(www.orientacoesmedicas.com.br, acessado em 16 / 12 /2006)
Principais patologias que aacometem os digitadores
O rápido crescimento do campo tecnológico no final do século XX trouxe consigo um maior conforto para a sociedade, porém o seu uso inadequado ou excessivo desta tecnologia propiciou um aumento considerado no aparecimento de novos casos de doenças, pois, a tecnologia deixou atividade corporal do ser humano restrita levando-o a um padrão de vida sedentário. Tal evento está sendo considerado o MAL DO AVANÇO TECNOLÓGICO.
O termo LER (lesão por esforço repetitivo) é a denominação mais conhecida pela população geral, porém não tão adequado por deixar subtendido que a doença ocupacional possui uma única causa que é o uso excessivo de determinada articulação, por este motivo em 1997 o termo DORT entrou vigor oficialmente pela norma do INSS onde deixa bem esclarecida que as doenças ocupacionais estão diretamente ligadas ao trabalho. Hoje se sabe que as articulações mais afetadas nos usuários de informática são: mãos, punhos, cotovelos e ombros. Problemas de coluna, fadiga e dores na vista podem surgir ao longo dos meses e anos decorrentes da má postura, postura estática prolongada, esforço visual e outros.
tenossinovite é a mais conhecida das doenças que atingem os digitadores e surge pelo atrito excessivo do tendão que liga o músculo ao osso, este tendão está recoberto por uma bainha sinovial que faz com que a contração do músculo fique mais suave, quando ocorre à inflamação dessa bainha teremos a tenossinovite. A tenossinovite pode ser:

·        Tenossinovite dos flexores dos dedos: inflamação da bainha que recobre os tendões responsáveis pela flexão dos dedos da mão, que estão presentes na palma da mão;

·        Tenossinovite estenosante (dedo em gatilho): Envolve os tendões flexores dos dedos da mão. Se ocorrer formação de nódulos sobre o tendão ou ocorrer um inchaço na bainha que recobre o tendão ele se tornará mais largo ficando comprimido nos túneis por onde ele passa. Estes túneis localizam-se dentro dos dedos;

·        Tenossinovite de Quervain: inflamação da bainha que recobre o abdutor longo e extensor curto do polegar.
Os sintomas gerais da tenossinovite em seu estado inicial vão de queixas espaçadas de desconforto na mão mais utilizada, porém, podem ser relatados um peso no braço e dor localizada.
Com a evolução da doença as dores tornam-se mais freqüentes e mais fortes com perda de força muscular. Em uma fase mais adiantada o músculo pode ficar atrofiado impedindo que os trabalhadores segurem até mesmo objetos leves, como uma caneta para escrever.

Síndrome do túnel do carpo: É outra forma bastante comum de LER que acometem os digitadores, é provocado pela compressão do nervo mediano que vem do braço e passa pelo punho em uma região denominada túnel do carpo. É desencadeada pelo uso excessivo do punho e dos dedos que resultará na inflamação e inchaço das estruturas que passam por esse túnel comprimindo desta forma o nervo mediano. Essa compressão resultará em um nervo mais fraco que provocará sensação de formigamento e amortecimento principalmente dos dedos polegar, indicador e médio;

Epicondilite lateral (cotovelo de tenista): É a inflamação localizada no epicôndilo lateral do úmero desencadeada pelo uso excessivo da articulação do punho, pois é nessa área que se localiza a origem da musculatura extensora do punho, dedos e supinadora;

Dores na coluna: São causadas principalmente pelo uso de móveis inadequados, posturas viciosas no trabalho, em casa e/ou lazer, má postura e tensões musculares. Existem inúmeras patologias que apresentam como principal sintoma as dores nas costas entre elas destacamos:
·        Cervicalgia;
·        Cervicobraquialgia;
·        Dorsalgia;
·        Lombalgia;
·        Lombociatalgia.

SCHULTZ (1982) citado por ACHOUR JÚNIOR (1999) ”... indivíduos com dor na coluna têm menor rendimento profissional, limitam seus movimentos, reduzem a produtividade e tem dificuldade em realizar determinadas funções diárias...”.
Uma vez instalada a doença desencadeada ou agravada pelo trabalho não haverá formas de cura e sim um tratamento conservador que inclui alguns antiinflamatórios, gelo e repouso da articulação envolvida. Este repouso dependerá da patologia e do estágio que ela se encontra.
Existem casos de que trabalhadores se aposentam jovens por não conseguirem realizar suas atividades laborativas devido às fortes dores causadas pela doença em seu estágio mais avançado.
A forma de prevenção ainda constitui o melhor remédio para estas doenças. Dentre as atitudes que visam à prevenção incluiremos os aspectos ambientais estudados pela Ergonomia e a atuação do fisioterapeuta com a aplicação da “Cinesioterapia Laboral ou Ginástica Laboral” que será descrita neste trabalho.


Leis de Proteção
Além das formas de prevenção, estas doenças por serem consideradas gravíssimas para os digitadores possuem uma lei regulamentadora, onde o seu objetivo principal é evitar ou diminuir as ocorrências de LER. A lei especifica que cada digitador após 50 min de trabalho tenha um intervalo de 10 min para descanso, proibição para prêmios de produção, temperatura ambiente entre 20°C e 24°C e a umidade relativa do ar não pode ser inferior a 40%. Portaria 3751/90 CLT.


Cinesioterapia Laboral ou Ginástica Laboral
A ginástica laboral (GL) utiliza o ambiente de trabalho como espaço onde o trabalhador vai exercitar o corpo com vários exercícios físicos e atividades durante a jornada de trabalho e deve ser realizada por livre e espontânea vontade do trabalhador sobre orientação de profissionais especializados.
Além dos exercícios elaborados e aplicados por este profissional durante a realização da GL cabe a ele a elaboração de outras atividades preventivas como a avaliação postural, palestras e elaboração de folhetos, jornais ou informativos educativos. Todos estes itens compõem um arsenal para combate contra a DORT.
Para MENDES e LEITE “... quando se discute a freqüência semanal da GL, é preciso imaginar que ela significa a dose necessária, por exemplo, para a prevenção de doenças ocupacionais. Traçando um paralelo com as medicações, se for utilizado um analgésico em doses menor do que a indicada no receituário médico, provavelmente o efeito será menor ou até ineficaz...”.
A freqüência semanal da GL depende da rotina da empresa, perfil de atividade dos funcionários... Mas o ideal é que seja realizada três vezes por semana com duração de 8 a 15 minutos (com média de 10 minutos).

Classificação
·        Preparatória (GLP): Realizada antes de ser iniciada a jornada de trabalho, ou seja, no inicio dos turnos matutino, vespertino e noturno. Quando realizada pela manhã tem como principal objetivo despertar os trabalhadores para as suas atividades. Esta é realizada mais comumente no posto de trabalho, podendo ser adotado outros locais como praças de alimentação ou de lazer se a empresa dispuser de tal privilégio. A GLP visa à preparação da musculatura e articulações utilizadas no trabalho através de uma série de exercícios com intuito de prevenir acidentes, doenças ocupacionais e lesões musculares. Os exercícios realizados na GLP são de grande velocidade, resistência e força, preferencialmente acompanhadas de músicas agitadas;
·        Compensatória (GLC): Conhecida mais comumente como “ginástica de pausa” por fazer referência à ginástica que interrompe a tarefa que está sendo executada. É aplicada durante a jornada de trabalho no horário de maior fadiga dos trabalhadores.
A GLC trabalha a musculatura pouco solicitada e relaxa aquela que trabalha com maior freqüência. Tem por objetivo a prevenção da fadiga dos músculos mais solicitados além de impedir a instalação de vícios posturais no ambiente de trabalho durante a excursão das atividades.
O tipo de exercício prescrito varia de acordo com a atividade realizada pelo trabalhador e as principais queixas do trabalhador. São indicados principalmente para empresas que possuam trabalhadores com grande exigência de esforços físicos, posturas estáticas e prolongadas, movimentos repetitivos com grande precisão e quantidade;
·        Relaxante: Aplicada alguns minutos antes do final do expediente de trabalho, geralmente indicada para trabalhadores que atendem ao público.

Principais Benefícios
1.      Para os trabalhadores:
·        Prevenção de doenças profissionais, estresse, depressão, ansiedade...;
·        Promoção da saúde e da qualidade de vida do trabalhador;
·        Estimula o trabalhador a praticar atividades físicas (combate ao sedentarismo);
·        Motivação por quebra da monotonia;
·        Melhora a atenção e concentração do trabalhador durante a jornada de trabalho diminuindo o risco de acidentes profissionais;
·        Melhora as relações interpessoais.

2.      Empresariais:
·        Aumento da produtividade;
·        Redução dos gastos com afastamento do pessoal;
·        Diminuição dos riscos de acidentes de trabalho;
·        Diminuição da rotatividade no quadro de empregados da empresa.

Exercícios que podem ser realizados antes, durante ou após o trabalho.
A base de exercícios para a Ginástica Laboral é o alongamento, pois este tipo de exercício trabalha a manutenção e o desenvolvimento da flexibilidade melhorando deste modo a amplitude articular e a contratilidade muscular, além de, retirar a pressão sobre determinada área do corpo, podendo ser diferenciados de pessoa para pessoa de acordo com a função desempenhada. Abaixo temos uma série de alongamento do tronco, membros inferiores e principalmente membros superiores que são os mais acometidos nos digitadores.
(www.interfisio.com.br, acessado em 30/04/2007)
Referências Bebliográficas
NASCIMENTO, N. M. D; MORAES, R. A. S. Fisioterapia nas Empresas. São Paulo: Taba Cultural, 2000.
MENDES, R. A; LEITE, N. Ginástica Laboral: princípios e aplicações básicas. São Paulo: Manole, 2004.
PEREIRA, E.R. Fundamentos de Ergonomia e Fisioterapia do Trabalho. 2º ed. Rio de Janeiro: Taba Cultural, 2001.
BARBOSA, L.G. Fisioterapia Preventiva nos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. Rio de Janeiro: Guanabara, 2002.
www.ergonomia.com.br, acessado em 24/12/2006
www.fmh.utl.pt/ergonomia, acessado em 24/12/2006
www.urs.inf.ufsm.br, acessado em 03/01/2007
www.orientacoesmedicas.com.br, acessado em 05/01/2007
www.cdof.com.br, acessado em 30/04/2007
www.interfisio.com.br, acessado em 30/04/2007

Autora: Jennifer Kelle da Silva Costa.
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